segunda-feira, 31 de maio de 2010

Frans Post (1612-1680) - Obra Completa - Pedro e Bia Corrêa do Lago


Fruto de mais de dez anos de pesquisa, este catálogo raisonné do holandês Frans Post é o primeiro levantamento da obra completa do artista publicado no Brasil. Frans Post é não somente o pintor pioneiro da paisagem brasileira, como também o primeiro paisagista das Américas. Toda a obra conhecida de Post é apresentada neste livro em mais de 400 ilustrações a cores, que reproduzem 155 óleos, 57 desenhos e 35 gravuras, espalhados em museus e coleções particulares em todo o mundo. Com a ajuda de especialistas internacionais, os autores reuniram neste volume a súmula do que se sabe hoje sobre este artista fundamental que inaugura a pintura no Brasil. Esta segunda edição eleva o número de obras autógrafas de 155 para 158, e traz inúmeras pequenas informações adicionais, assim como algumas correções necessárias.

Serviço:
Frans Post (1612-1680) - Obra Completa
Pedro e Bia Corrêa do Lago
Tradução: Izabel Murat Burbridge e John Norman
444 páginas - R$ 190,00 (em média)
Editora Capivara

O Brasil nas Copas - Marcos Sergio Silva


Só o Brasil participou de todas as edições da Copa do Mundo desde 1930. O único país que foi cinco vezes campeão do mundo e duas vezes vice. Só o Brasil teve o maior craque que o mundo já conheceu e o maior goleador da história das Copas. Só o Brasil faz pessoas de todos os cantos do planeta vestir a camisa amarela para torcer pela seleção. O Brasil nas Copas conta a história da participação brasileira nos 80 anos de Copa do Mundo de uma maneira clara e objetiva: o jornalista Marcos Sergio Silva assumiu esta missão com a maestria dos grandes técnicos de futebol, colocando fatos, personagens e informações no lugar certo, fazendo este “time” jogar feito música.

As glórias das conquistas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, o drama da derrota no Maracanã em 1950, a tragédia do Sarriá em 1982, as brigas e os bastidores da brasileira se confundem com a própria história do futebol mundial. E todo mundo que participou desta saga merece ter seu nome consagrado na galeria dos verdadeiros campeões. A seleção brasileira vive intensamente, desde 1930, uma mistura de sentimentos em diversos momentos: alegrias como a conquista do pentacampeonato, em 2002, com Ronaldo e Cafu; realizações como o tri de 1970, com Pelé e Tostão; o sonho do futebol-arte de 1982, de Zico e Sócrates, e tragédias, como a de 1950 e a figura injustiçada do goleiro Barbosa.

A cada quatro anos, a pátria calça as chuteiras para reescrever, por meio da arte e da habilidade nos pés, a história do “país do futebol” juntamente com a história do esporte mais popular do planeta. Assim, este livro reúne para o leitor todas as informações e curiosidades dessa irresistível Paixão Nacional. Sobre o autor: Marcos Sergio Silva nasceu em Itaquera, São Paulo, em 1975. Formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo, trabalhou nas redações dos jornais Notícias Populares e Agora São Paulo como repórter e editor de “Cidades”, “Economia” e “Variedades”. Passou pelas editorias de “Cotidiano”, “Mundo” e “Brasil” da Folha de S.Paulo e editou a revista jurídica Última Instância. Atualmente é editor do Jornal PLACAR, além de colaborar para as revistas PLACAR e Trip.

Serviço:
O Brasil nas Copas
Marcos Sergio Silva
184 páginas - R$ 34,00 (em média)
Editora Alameda

Cadernos Etíopes - J. R. Duran


Conhecido por seus trabalhos com nus em revistas masculinas, retratos e moda, o fotógrafo J.R. Duran registra sua passagem pela Etiópia neste livro que mescla diário de viagem e ensaio fotográfico, promovendo um diálogo lúdico e lírico entre fotografia, literatura e etnografia.

Reconhecido por sua capacidade de captar a linguagem corporal, a informação cultural e sensorial, Duran fotografa os costumes e a beleza das tribos do vale do rio Omo: os Karo, mestres na arte da pintura corporal; os Hamar e seus estranhos rituais; os Mursi, tribo mais conhecida do país; os Nyagatom, guerreiros destemidos; e os Dhassanech, agricultores e criadores de gado.

Em anotações de viagem de seu diário, descreve também as impressões sobre as paisagens africanas, a arquitetura das cidades por onde passa e suas agruras em hotéis e aeroportos locais. "Cadernos etíopes" revela uma faceta surpreendente de Duran e mostra ao leitor um artista maduro e consciente do seu percurso.

Serviço:
Cadernos Etíopes
J. R. Duran
192 páginas - R$ 69,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

A Segunda Guerra Mundial - Philippe Masson


A geopolítica global nunca mais foi a mesma depois da Segunda Grande Guerra. Em maior medida que o primeiro conflito, a guerra de 1939-1945 merece ser chamada de mundial. Isso porque mobilizou a tota-lidade das forças morais e físicas dos beligerantes, provocando o desenvolvimento de sistemas de propaganda e de economia de guerra num nível jamais alcançado antes. Além disso, as operações aconteceram em cenários variados - Europa, norte da África, Oriente Próximo, Extremo Oriente e Pacífico - e exigiram novos sistemas de armas, modificando definitivamente os dados táticos e estratégicos. Esse conflito "fora das normas" também foi absoluto, não somente pela extensão dos massacres, pelo emprego de meios de destruição em massa ou pelo desencadeamento das paixões, mas também por seu desfecho: a capitulação total dos vencidos.

Além de uma completa cronologia das batalhas e acordos deste sombrio episódio do século xx, Philippe Masson faz uma análise aprofundada do conflito, destacando suas características estratégicas, geopolíticas, logísticas, econômicas e humanas. Esta obra, que favorece as leituras múltiplas, é indicada para todos aqueles - amantes da história, militares, diplomatas, estudantes e professores - que se interessam pela guerra mais importante que a humanidade já vivenciou.

Serviço:
A Segunda Guerra Mundial
Philippe Masson
640 páginas - R$ 69,90 (em média)
Editora Contexto

Os 11 maiores centroavantes do futebol brasileiro - Milton Leite


No futebol, podemos nos esquecer de tudo, menos do nome daqueles que fazem gols. Daí os centroavantes serem a essência do futebol, já que entram em campo com a função de marcar gols. Podem ser clássicos ou grossos, elegantes ou desengonçados, desde que façam gols. E no livro Os 11 maiores centroavantes do futebol brasileiro estão os maiores, segundo o jornalista e narrador de tv Milton Leite. Não é apenas uma lista, mas as histórias desses heróis que escreveram (e ainda escrevem) páginas inesquecíveis da história do futebol. Leônidas, Ademir de Menezes, Vavá, Mazzola, Coutinho, Tostão, Reinaldo, Roberto Dinamite, Careca, Romário e Ronaldo, são craques que revelaram estilos distintos, mas aterrorizaram defesas, provocaram ansiedade nos torcedores dos times adversários e muitas explosões de alegria para a galera de suas equipes.

E como sempre acontece na coleção “Os 11 maiores”, da Editora Contexto, grandes personalidades do esporte como Luiz Mendes, Teixeira Heizer, Zagallo, Mário Travaglini, Pepe, Dirceu Lopes, Toninho Cerezzo, Zico, Müller, Mauro Silva e Carlos Alberto Parreira foram entrevistadas para falar dos geniais centroavantes retratados na obra. O resultado da “partida” é um mergulho delicioso na memória do futebol brasileiro, na vida de tantos personagens de feitos notórios e que, no dia a dia de tantos jogos, muitas vezes acabamos esquecendo.

O leitor está convidado a conhecer histórias, por meio de um relato admiravelmente bem escrito e de entrevistas exclusivas e reveladoras, num livro ricamente ilustrado. Um verdadeiro passeio pelas histórias e gols desses 11 maiores centroavantes do futebol brasileiro.

Serviço:
Os 11 maiores centroavantes do futebol brasileiro
Milton Leite
272 páginas - R$ 35,00 (em média)
Editora Contexto

sábado, 29 de maio de 2010

José Saramago - Biografia - João Marques Lopes


Uma trajetória improvável, até mesmo para um inspirado ficcionista: menino pobre, em cuja casa havia apenas dois livros – nenhum deles pertencentes à família – recebe, muitos anos mais tarde, o prêmio Nobel de Literatura. O protagonista desta história é o escritor português José Saramago, tema de uma cuidadosa biografia escrita por João Marques Lopes e editada pela LeYa, que descreve em detalhes esses acontecimentos, assim como o contexto social e político em que se inserem.

A narrativa cronológica vai desde a infância de Saramago, na aldeia de Azinhaga, até o lançamento de “Caim”, seu último romance, em 2009. O autor acompanha o desenvolvimento dos projetos literários de Saramago, utilizando suas obras como fio condutor da narrativa. Analisa tanto as produções mais célebres, como “Levantando do chão”, que viria a inaugurar o chamado “estilo saramaguiano” – a narrativa fluida, próxima à oralidade, que desobedece as normas formais da linguagem – quanto outras menos cotadas como o primeiro romance, “Terra de pecados”, publicado em 1947.

Nessa época o ex-serralheiro mecânico já havia se tornado escrevente, mas ainda iria demorar até que se transformasse em um escritor reconhecido e respeitado: sua consagração definitiva acontece aos 60 anos, quando publica o terceiro romance, “Memorial do convento”. Embora focalize mais a obra que a vida pessoal de Saramago, Marques Lopes não deixa escapar detalhes tocantes dessa trajetória improvável, como a menção feita aos avós Jerônimo e Josefa, analfabetos, em seu discurso ao receber o Nobel, em 1998.
O autor também não se furta a analisar episódios polêmicos, como o veto à candidatura do livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” ao Prêmio Literário Europeu, em 1992. O episódio ganhou ares de censura governamental e teve repercussão mundial. Emblemático, teria sido o gatilho para a mudança de Saramago para a ilha espanhola de Lanzarote, nas Canárias. Opiniões controversas de Saramago também são abordadas, como suas críticas ao belicismo norte-americano e à ação de Israel frente aos palestinos.

Aos 88 anos incompletos, José Saramago, desfruta hoje de reconhecimento e fama incomuns para escritores. Graças à penetração de sua obra, traduzida em diversas línguas, em 2008 chegou aos cinemas de todo o mundo a adaptação de seu livro “Ensaio sobre a cegueira”, uma grande produção dirigida pelo brasileiro Fernando Meireles. Marques Lopes considera que Saramago alcançou o status de superstar e que utiliza da visibilidade conquistada para “destilar a voz da dissidência e do protesto diante do “estado do mundo”. Uma habilidade notável desse pensador inquieto que, aos 85 anos, experimentou escrever um blog.

Serviço:
José Saramago - Biografia
João Marques Lopes
248 páginas - R$ 39,90 (em média)
Editora Leya

Um conto de duas cidades - Charles Dickens


Terno e violento. Essa adjetivação antagônica talvez dê conta do fulgor narrativo de Um conto de duas cidades. Repleto de aventura, romance e tragédia, o romance teve como inspiração a obra História da Revolução Francesa, publicada em 1837 pelo escritor, ensaísta e historiador escocês Thomas Carlyle (1795-1881). Longe de abandonar características dickensianas como o realismo e a forte tensão sentimental, incorpora contudo elementos que conferem a esta obra uma feliz singularidade dentro do legado do autor inglês. Deixando um pouco de lado a comicidade que costuma permear seus personagens — ela está, sim, presente no texto, mas em proporção diminuta se comparada a outros trabalhos —, Dickens embarca aqui em uma emocionante pintura da Revolução Francesa.

A peculiaridade deste romance começa na condição indissociável da escrita de Charles Dickens: é obviamente com o olhar estrangeiro e não raro antagônico de um inglês que ele dá vazão à sua trama. No entanto, isso não o impede de ir ao fundo de questões fundamentais e de compor um quadro impressionante do que foi aquele período da história da França para os homens da época. O autor evita o posicionamento político, centrando a narrativa nas observações de cunho social e no impacto individual que aquele processo impingiu a pessoas de todas as camadas. O aristocrata, o burguês, o camponês, o malandro, o vagabundo. Estão todos ali.

De um lado, encontramos personagens como o ex-prisioneiro da Bastilha, doutor Manette; Charles Darnay, o aristocrata que rompe com a família e com sua classe social; o senhor Lorry, a personificação do inglês sistemático e virtuoso; a senhora Defarge, face cruel e impiedosa das jacqueries; o enigmático Sidney Carton, aquele que confere à trama o que ela tem de mais romanesco e sem dúvida um dos grandes personagens da literatura inglesa. Todos eles de personalidades marcantes, na melhor tradição do romance folhetinesco. De outro lado, contrapõe-se a multidão: o povo miserável de Paris e de seus arrabaldes, ora animalizado na pobreza à qual os empurrou uma voraz aristocracia, ora plateia ensandecida do espetáculo dantesco de “La Guillotine”.

Acusado por vezes de abusar de certas cores melodramáticas, de jogos de acasos e coincidências quase impossíveis, Dickens não se exime aqui de tais “delitos”: ao contrário, ali estão eles, preciosos, conduzindo o leitor entre Paris e Londres, entre a felicidade e o patíbulo, evitando que se sinta vertigem ou repugnância enquanto se passeia na circularidade tenaz de seu enredo.

Serviço:
Um conto de duas cidades
Charles Dickens
Tradução: Débora Landsberg
480 páginas - R$ 62,00 (em média)
Editora Estação Liberdade

Eu, aos pedaços - Carlos Heitor Cony


Chega às livrarias de todo o país em maio, pela editora LeYa, o livro do jornalista e imortal Carlos Heitor Cony, “Eu, aos pedaços”. A obra reúne crônicas já publicadas sobre a vida pessoal e profissional de Cony.

O autor classifica a publicação desses textos como “uma forma de cometer biografia”. Nesse livro ele narra fatos, descreve pessoas e compartilha os pensamentos que moldaram sua personalidade, crenças e sua trajetória.

Filho do jornalista Ernesto Cony Filho e de Julieta Moraes, Carlos Heitor Cony era considerado mudo até os cinco anos de idade, quando falou pela primeira vez. Aos 18 anos foi para o seminário tentar a vida eclesiástica. Ao ser considerado um caso perdido, seu pai o levou para o jornalismo, que considerava a única alternativa viável nesse caso.

Como era comum entre jornalistas no final dos anos 40, Cony era um apaixonado por poemas e descobriu através das crônicas uma forma de unir seu gosto pelos versos com sua admiração pela vida. E essa prosa poética marca sua obra em mais de 50 anos de profissão.

Em “Eu, aos pedaços” o leitor descobre o amor incondicional do filho pelo pai até o último beijo antes do fim; a simpatia pelo Carnaval e pelas festas juninas e a vocação do autor para falar mal de qualquer assunto, apenas pelo gosto de uma boa conversa. Ao longo de 133 páginas, Cony conta diversos fatos engraçados e confusões que provocou em suas viagens pelo mundo, faz uma singela e sincera homenagem a amigos e personalidades que deixaram marcas em seus 84 anos de existência, além de falar de infância, família e política.

“As luzes se acendem todas as tardes e não tenho a quem abençoar. Nem tenho a quem pedir bênção. Desconfio que melhorei de vida mas me tornei pior. Mágica besta, afinal”.

Serviço:
Eu, aos pedaços
Carlos Heitor Cony
256 páginas - R$ 39,90 (em média)
Editora Leya

A Filosofia de Andy Warhol - de A a B e de volta a A - Andy Warhol


Em 1975, Andy Warhol publicou A Filosofia de Andy Warhol, um livro sobre vida, sexo, dinheiro, arte e fama. Munido de gravadores e de assistentes que transcreviam suas falas, Warhol, com seu costumeiro olhar crítico e distanciado, escreveu uma filosofia-de-telefone sobre uma sociedade em busca da eterna juventude, do consumo, do individualismo e da fama. O resultado – uma escrita instantânea e confessional – antecipa a obsessão contemporânea pela vida em tempo real e pela invasão da intimidade alheia, que vemos na internet e na televisão.

Serviço:
A Filosofia de Andy Warhol - de A a B e de volta a A
Andy Warhol
272 páginas - R$ 43,00 (em média)
Editora Cobogó

Entre carnes e mares - Adriana Varejão


Em edição Bilingue, a obra traz mais de 170 reproduções de trabalhos da artista plástica, além de ensaios críticos assinados por Silviano Santiago e Lília Moritz Schwarcz, entre outros autores

Primoroso o acabamento do livro “Adriana Varejão - Entre carnes e mares”, encomendado pelo banco BTG Pactual à gráfica Santa Marta, mostrando os últimos vinte anos de arte da carioca, conhecida internacionalmente. A obra dela se dá em torno de temas da colonização portuguesa, a azulejaria e a utilização do corpo humano como elemento estético.

Serviço:
Entre carnes e mares
Adriana Varejão
368 páginas - R$ 125,00 (em média)
Editora Cobogó

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O teatro e eu - memórias - Sérgio Britto


Na gênese de Sergio Britto, já surge a amálgama que compõe, deliciosamente, seus itinerários pela dramaturgia. Em O TEATRO & EU, lançamento da Tinta Negra Bazar Editorial, o artista traça uma retrospectiva minuciosa de sua vivência nas diversas esferas do teatro, da TV e do cinema nacional. Enquanto isso, deixa entrever, de maneira sutil, a personalidade do homem por detrás dos personagens.

Dotado de memória prodigiosa, o ator resgata a sua estreia nos palcos, quando ainda cursava a faculdade de medicina. Narra a criação e os bastidores dos grupos e espaços teatrais mais importantes do país — como o Teatro Universitário, o Teatro de Arena, o Teatro dos Doze, o Teatro Maria Della Costa, o Teatro dos Sete, o Teatro Senac, o Teatro dos Quatro, o Teatro Delfim, além dos teatros do CCBB. Relembra os tempos de teleteatro e a posterior experiência como ator e diretor de novelas. Revela segredos de coxia. E ainda traz à tona os principais desafios que atravessaram sua carreira, como os problemas de audição e com a voz, os entreveros com a ditadura militar e os obstáculos financeiros impostos por situações como o corte de verbas do governo Collor.

Sergio Britto descreve, em detalhes, episódios íntimos de sua vida nunca antes sob holofotes. Alguns bastante intensos, como a tentativa de suicídio na juventude, a descoberta da sexualidade e a relação por vezes sufocante que travava com a mãe. Outros, recortes pitorescos de tempos distintos, pontuados por sua verve de espectador voraz e pelo flerte constante com outras manifestações de arte, como o cinema, a literatura, os museus, as óperas.

Nas páginas de O TEATRO & EU habitam personagens reais sob ângulos inusitados. Um Vinicius de Moraes que, ainda reconhecido mais como diplomata do que como poeta, desencoraja Britto a escrever versos e o incentiva a investir na sétima arte. Um Jô Soares adolescente — “apenas gordinho” —, frequentador de uma churrascaria na rua Siqueira Campos. Um Paulo Francis incompreendido. Um Joãozinho Trinta que trabalha como contrarregra do Theatro Municipal. Ao rememorar sua trajetória, Britto também recorda o impacto da convivência com estrelas de diferentes gerações. De Dulcina de Moraes a Regina Casé, ele tece, de forma descontraída, os pontos de ligação no espaço celeste da dramaturgia brasileira.

Dono de um texto saboroso, sem papas na língua, o ator convida os leitores a um passeio memorável pela história do teatro nacional, repleto de opiniões e comentários argutos. Mas faz, sobretudo, uma jornada rumo ao contemporâneo. O TEATRO & EU é a demonstração mais sincera de que, do alto dos seus 86 anos, Sergio Britto não para de se redescobrir. E com isso, também não cessa de se surpreender, e de nos surpreender, com as possibilidades de sua arte.

Serviço:
O teatro e eu - memórias
Sérgio Britto
416 páginas - R$ 65,00 (em média)
Editora Tinta Negra

João do Rio - antologia de contos - João do Rio


Esta obra traz aos leitores um excelente panorama da obra de contista de João do Rio, um dos principais e mais argutos narradores da sociedade carioca do início do século XX, época de importantes transformações modernizadoras nas grandes cidades. E nenhum detalhe escapa da minuciosa observação desse escritor implacável, capaz de traduzir com fina ironia o espírito de toda uma época. A presente antologia foi organizada e apresentada pela professora Orna Messer Levin, do IEL-Unicamp, renomada especialista na obra de João do Rio.

Serviço:
João do Rio - antologia de contos
João do Rio
Organização: Orna Messer Levin
279 páginas - R$ 22,90 (em média)
Editora Lazuli/Companhia Editora Nacional

Ideologia e contraideologia - Alfredo Bosi


De Montesquieu a Marx, de Goethe a Machado de Assis, nenhum movimento relevante do pensamento ideológico escapa ao vigoroso crivo analítico de Alfredo Bosi que, em seu novo livro, percorre seis séculos de história da civilização ocidental em busca dos momentos decisivos da luta intelectual entre dominados e dominadores. Atento às formulações da tradição hegeliano-marxista e sem descartar os clássicos da sociologia (Max, Weber, Mannheim), Alfredo Bosi investiga a dinâmica de numerosos, e não raro antagônicos, discursos que moldaram a feição da sociedade moderna, bem como suas
singularidades culturais.

Na primeira parte, o professor discorre sobre autores capitais das áreas de filosofia, política e literatura universais, destacando as estratégias contraideológicas que utilizaram para combater o pensamentohegemônico. Em seguida volta-se para o Brasil, analisando as interseções com a cultura ocidental e detendo-se em figuras-chave como Joaquim Nabuco e Celso Furtado. O capítulo final tenta desatar o nó ideológico que reconhece na obra de Machado de Assis.

Ideologia e contraideologia: mais que um ambicioso panorama do pensamento ideológico, já nasce um clássico da inteligência brasileira.

Serviço:
Ideologia e contraideologia
Alfredo Bosi
424 páginas - R$ 58,00 (em média)
Editora Companhia das Letras

Reflexões sobre um século esquecido: 1901-2000 - Tony Judt


Neste livro, o autor alerta sobre a tentação de ver o século XX como uma era de extremos políticos, de erros trágicos e de escolhas impensadas; uma época de ilusões à qual conseguimos sobreviver. Ele acredita que não se sabe mais conversar sobre esses conceitos e já foi esquecido o papel desempenhado pelos intelectuais ao discutir, transmitir e defender as ideias que moldaram o tempo deles. Nesta coletânea de 24 ensaios, Tony Judt lembra o leitor do poder das ideias, ao discorrer sobre o apelo do marxismo no século XX.

Serviço:
Reflexões sobre um século esquecido: 1901-2000
Tony Judt
Tradução: Celso Nogueira
504 páginas - R$ 59,90 (em média)
Editora Objetiva

Alguma poesia: o livro em seu tempo - Carlos Drummond de Andrade


Alguma poesia – O livro em seu tempo é a edição especial com textos, críticas e anotações que comemora os 80 anos de Alguma poesia, livro de estreia do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade.

Organizada por Eucanaã Ferraz – responsável pela programação literária do IMS –, a publicação traz um fac-símile do volume que pertenceu ao próprio Drummond, com anotações manuscritas de mudanças que o poeta incorporaria nas edições seguintes. Além disso, reúne cartas de amigos e críticos acusando o recebimento do livro, bem como uma rica amostra das resenhas e artigos publicados no calor da hora pelos jornais de 1930 e 1931. Um texto de apresentação, assinado pelo organizador, traça o percurso de Drummond de 1924 até maio de 1930 e mostra que, desde as primeiras semanas em que começou a circular, Alguma poesia já se afirmava como peça central da poesia brasileira, objeto de elogios e de polêmicas e críticas.

Para a edição do IMS, foi imprescindível a colaboração dos netos de Drummond, Pedro Augusto e Luis Mauricio Graña Drummond, e da Fundação Casa de Rui Barbosa – especificamente do seu Arquivo Museu de Literatura Brasileira, onde estão depositados os recortes, fotos e cartas que ilustram a edição.

Serviço
Alguma poesia: o livro em seu tempo
Carlos Drummond de Andrade
392 páginas - R$ 50,00 (em média)
Editora Instituto Moreira Salles

O espalhador de passarinhos - Humberto Werneck


O Espalhador de Passarinhos é uma homenagem de Humberto a seu pai Hugo Werneck, por causa de seu interesse pelas aves, que, em seu esforço preservacionista, recorria à reprodução de pássaros em cativeiro para, depois, devolvê-los à natureza e evitar a extinção de espécies. Vinha também, há décadas, colhendo passarinhos onde fossem abundantes,para semeá-los onde estavam escasseando. Uma batalha para retardar a extinção de várias espécies.

Reunidas pela primeira vez, as 65 crônicas de O espalhador de passarinhos permitem acompanhar a gestação de uma obra vigorosa, que só veio a ganhar a forma de livro tardiamente. Entre 1990 e 2009, período coberto por esta antologia, Humberto Werneck pouco a pouco se confirmou como um dos nossos grandes narradores em atividade.

Depois de estrear em livro com uma reportagem biográfica sobre Chico Buarque (1989), Werneck lançou uma inesquecível história da diáspora dos escritores e jornalistas mineiros (O desatino da rapaziada, 1992); reenveredou pela ficção, com seus contos de juventude, retrabalhados na maturidade (Pequenos fantasmas, 2005); voltou à biografia, com O santo sujo – A vida de Jayme Ovalle (2008) e publicou até mesmo um divertido dicionário de lugares-comuns (O pai dos burros, 2009). Mas, paralelamente a esses trabalhos de fôlego, Werneck seguia se exercitando num outro tipo de arte, que costuma só se aninhar nas páginas da imprensa diária, semanal ou mensal: a crônica.

Serviço
O espalhador de passarinhos
Humberto Werneck
160 páginas - R$ 40,00 (em média)
Editora Dubolsinho

Contos Reunidos - Marques Rebelo


Expoente da geração de escritores que surgiu no Brasil da década de 1930, Marques Rebelo, autor de estilo mordaz e notável crítico social, tem sua obra resgatada depois de décadas de injustificável exílio. Neste Contos reunidos estão seus três livros de contos - Oscarina (1931), Três caminhos (1933) e Stela me abriu a porta (1942) - e outros textos dispersos, que o consagraram como um renovador da narrativa curta na literatura brasileira.

Serviço:
Contos Reunidos
Marques Rebelo
384 páginas - R$ 41,90 (em média)
Editora Nova Fronteira

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Não contem com o fim do livro - Umberto Eco e Jean-Claude Carrière


Umberto Eco e Jean Claude-Carriere, notórios bibliófilos, discutem a história e o futuro dos livros de maneira erudita e bem-humorada. Ao percorrerem cinco mil anos de existência dos impressos, os autores defendem a imortalidade do objeto como o conhecemos, apesar dos e-readers e da internet.

Serviço
Não contem com o fim do livro
Umberto Eco e Jean-Claude Carrière
Tradução: Umberto Telles
272 páginas - R$ 39,90 (em média)
Editora Record

Dar a alma - História de um infanticídio - Adriano Prosperi


Neste relato histórico, Adriano Prosperi conta o drama de Lucia Cremonini, moça pobre e solteira que, numa quinta-feira, cinco de dezembro de 1709, matou com uma faca de cozinha o filho recém-nascido e o colocou numa sacola atrás da cama, no quartinho onde morava em Bolonha. Foi presa, condenada e enforcada em praça pública. Quem era Lúcia? Quais os motivos que a levaram a matar o filho momentos após dar à luz? O que significou o seu ato? Como foi visto pela sociedade da época? Dar a alma trata de encaminhar as respostas possíveis a essas perguntas, com o objetivo de deixar claro que o historiador deve ir além dos fatos miúdos para desembaraçar os dois fios distintos que tecem a história de cada pessoa.

Serviço
Dar a alma - História de um infanticídio
Adriano Prosperi
Tradução: Federico Carotti
512 páginas - R$ 57,00 (em média)
Editora Companhia das Letras

O Islã e a formação da Europa - David Levering Lewis


Em 'O Islã e a formação da Europa de 570 a 1215', David Levering Lewis traça um panorama histórico sobre o Islã e sua cultura na Europa nascente. Na narrativa, o historiador coloca a civilização muçulmana - e seu legado - de volta ao coração da cultura e da política europeias.

Serviço
O Islã e a formação da Europa
David Levering Lewis
Tradução: Ana Ban
520 páginas - R$ 75,50 (em média)
Editora Amarilys

Moda e inconsciente - olhar de uma psicanalista - Pascale Navarri


'Moda e inconsciente - olhar de uma psicanalista' mostra como a sociedade, na busca de um 'visual-auto-sexy', tende à neutralização do 'sexual' e à artificialização do corpo.

Serviço
Moda e inconsciente - olhar de uma psicanalista
Pascale Navarri
212 páginas - R$ 40,00 (em média)
Editora Senac

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cidadão Cannes - O homem por trás do festival - Gilles Jacob


Diretor do festival de Cannes de 1976 a 2001, e desde então presidente do evento, Gilles Jacob mescla neste livro as memórias de sua vida pessoal - em que se destacam as peripécias de uma família judia durante a ocupação nazista da França - com uma crônica comovente e saborosa de tudo que viu e ouviu à frente do festival.

Gilles Jacob vai muito além da face mundana de Cannes, desvelando as manobras dos bastidores e as relações nem sempre fáceis entre o cinema europeu e a indústria hollywoodiana. O trabalho de garimpagem de novos talentos de cinematografias periféricas, os percalços para conseguir filmes independentes de países do leste europeu antes da Perestroika, as tentativas de ingerência política no evento, a rivalidade com Veneza e Berlim, tudo isso é relatado numa prosa ao mesmo tempo enxuta e envolvente.

Das intrigas políticas aos chiliques dos grandes astros, das idiossincrasias dos maiores cineastas à sedução irresistível das divas, Jacob constrói em Cidadão Cannes uma espécie de versão moderna das Mil e uma noites, com personagens do calibre de Clint Eastwood, Stanley Kubrick, Sharon Stone e Woody Allen.

Serviço
Cidadão Cannes - O homem por trás do festival
Gilles Jacob
Tradução: Maria Lucia Machado
392 páginas - R$ 54,00 (em média)
Editora Companhia das Letras

Do fundo do poço se vê a lua - Joca Reiners Terron


Do fundo do poço se vê a lua conta a história de Wilson e William, gêmeos nascidos em São Paulo nos anos finais da ditadura. Órfãos de mãe e criados pelo pai, ator, os meninos são treinados para atuarem juntos, mas as brincadeiras da infância, porém, revelam que a semelhança dos irmãos é apenas física. William é violento, taciturno e masculino, enquanto Wilson é feminino e dono de inteligência tão sagaz quanto compulsiva.

A espinha dorsal do romance é a batalha de Wilson para livrar-se da imagem espelhada do irmão e se transformar numa figura feminina inspirada pelo objeto de sua obsessão, a rainha egípcia Cleópatra, sobretudo como encarnada no cinema por Elizabeth Taylor. Após uma tragédia que separa os gêmeos, uma trama surpreendente envolvendo trocas de sexo, assassinatos e perda de memória conduzirá a história até a enigmática cidade do Cairo. Incitado por um cartão-postal enviado pelo irmão desaparecido, William irá à sua procura e tentará resolver o mistério de seu paradeiro e de sua identidade.

Com um estilo ao mesmo tempo cômico e violento, poético e rude, o autor revela aos poucos uma história sobre o amor fraterno buscando resistir à ameaça insistente do signo da morte.

Serviço
Do fundo do poço se vê a lua
Joca Reiners Terron
280 páginas - R$43,00 (em média)
Editora Companhia das Letras

terça-feira, 25 de maio de 2010

O lago - Yasunari Kawabata


Traduzido diretamente do japonês, O lago conta a história do professor Ginpei, atingido pela peculiar obsessão por seguir as mulheres bonitas com que se depara nas ruas. Ele argumenta que, se não o fizesse, esses encontros fortuitos não passariam de episódios efêmeros. Será isso, no entanto, o que move o personagem? Ginpei tem um problema muito particular com o aspecto de seu corpo: seria esse outro fator inconsciente de sua insistente procura por beleza?

Contudo, não há inocência nas mulheres escolhidas. Enquanto o protagonista caminha angustiado atrás de uma aluna desafiadora ou de uma beldade que passeia lépida com seu cão, ou até quando, no encalço da amante de um velho rico, é golpeado com uma bolsa cheia de dinheiro, Kawabata não se furta a apresentar os inusitados sentimentos de suas vítimas, tornando a narrativa muitas vezes perturbadora. Essa perseguição de mulheres geralmente jovens ou muito jovens, levada às últimas consequências, conduz o personagem de volta a traumas remotos. O passado retorna, por vezes de forma alucinatória, e não permite trégua à sua mente confusa.

Movido por sentimentos de culpa e desejo, Ginpei é bem diferente dos outros personagens do Prêmio Nobel de 1968: o viés contemplativo se subverte em uma natureza épica e doentia. Errante e insólito, ele se esvai em delírios dostoievskianos enquanto se torna cada vez mais excluído socialmente. Torna-se o anti-herói na contramão de um Japão em plena recuperação pós-guerra e na euforia do milagre econômico que se anunciava.

Serviço
O lago
Yasunari Kawabata
Tradução: Meiko Shimon
164 páginas - R$37,00 (em média)
Editora Estação Liberdade

As horas nuas - Lygia Fagundes Telles


Rosa Ambrósio, uma atriz de teatro decadente, passa em revista os amores de sua vida. O primo Miguel, sua paixão adolescente, morreu de overdose por volta dos vinte anos. Gregório, seu marido, virou um homem taciturno depois que foi torturado pela ditadura militar. Diogo, seu amante e último companheiro, trocou-a por moças mais jovens.

Alternando vozes e pontos de vista, passando do fluxo interno de consciência à narrativa em terceira pessoa, Lygia Fagundes Telles atesta aqui sua maestria literária e sua maturidade artística, pondo em cena grandes temas de nosso tempo — o movimento feminista, a cultura de massa, a aids, as drogas —, mediados pelos destinos individuais de um punhado de criaturas.

Publicado originalmente em 1989, As Horas Nuas tem sido aclamado desde então como um dos romances mais vigorosos e sutis da autora.

Serviço
As horas nuas
Lygia Fagundes Telles
256 páginas - R$ 39,00 (em média)
Editora Companhia das Leras

Quinquilharias Nakano - Hiromi Kawakami


Quinquilharias Nakano: sobretudo não vá chamar esse singular estabelecimento comercial de Tóquio de antiquário! O patrão não deixa de jeito nenhum. Simpático microcosmo de uma megalópole frenética, ali a premeditação e o instinto, o disfarce e a espontaneidade mesclam-se aos mais inusitados bricabraques, frutos das picarescas “retiradas” nas mais variadas moradias. Enfileirados nas prateleiras e tentando chamar a atenção de idiossincráticos clientes, formam uma espécie de contrapé do Japão dos dias atuais.

O senhor Nakano, o proprietário um tanto filósofo e cheio de artimanhas, as quais tenta ensinar com uma sabedoria toda sua, está em constante busca de aventuras amorosas; sua irmã Masayo é uma bem-humorada artista de pouca expressão. Hitome, a narradora que tudo observa com seu olhar tão cool, e Takeo, o faz-tudo taciturno e enigmático e “péssimo nessas coisas de sexo”, como ele mesmo diria, os auxiliam o quanto podem. A ocidentalização da cultura japonesa, a rivalidade com a China (“O problema é o Made in China na parte de trás da peça — informou o senhor Nakano, tranquilo, depois de deixar o cliente reclamar com rispidez”) e outras questões na ordem do dia compõem uma narrativa que faz o tempo correr maliciosamente, contextualizando a excelente e premiada Hiromi Kawakami entre as vozes ácidas e por vezes dissonantes de uma nova literatura japonesa que se faz necessário difundir.

Uma sensualidade audaz desfila pelo romance — “[...] a curta cena de sexo com Takeo de cinco milhões de anos antes parecia estar grudada em metade de meu cérebro. A outra metade estava preenchida por algo morno e nebuloso como o ar quente do aquecedor a querosene” —, sempre impregnada de certa dose de melancolia, e revela amores malogrados de solitários quase convictos, inserindo-o nessa espécie de “escola” que se notabiliza por um texto sereno, meio blasé, de um charmoso ceticismo no que diz respeito às relações humanas na imensidão das metrópoles japonesas, a começar por sua capital.

Serviço
Quinquilharias Nakano
Hiromi Kawakami
Tradução: Jefferson José Teixeira
288 páginas - R$ 46,00 (em média)
Editora Estação LIberdade

O fuzil de caça - Yasushi Inoue


No Japão, o período do pós-guerra trouxe definitivamente à tona toda sorte de questões que mantiveram caráter de tabu durante tanto tempo, numa tradição secular de silêncio e discrição. Isso faz com que o enredo de O fuzil de caça, cujos personagens estão enleados em um caso de amor extraconjugal, não constitua por si só uma novidade ou um fator de estranhamento. É também na forma, e não apenas em sua temática, que a obra se consolida como fundamental no panorama da literatura japonesa contemporânea.

Lançando mão da tradição do romance epistolar, convida o leitor à posição de voyeur de uma comunicação unilateral e inusitada entre um caçador, Josuke Misugi, e um escritor. Três cartas, endereçadas a um mesmo homem por três mulheres diferentes, imprimem uma textura trágica à trama.

O jogo de narradores; as cartas como único veículo para a torrente de alta tensão emocional que se revela ao leitor; o exercício constante da concisão e o lirismo que transpira de uma prosa que se mantém sempre vizinha do território poético: a estética e o conteúdo se entrelaçam, e o entrecho se apresenta belo como uma trilha na neve. Ao mesmo tempo, o equilíbrio entre o que é dito e o que é velado mantém o mundo da solidão presente em cada linha e constante em todos os personagens. Permeiam estas páginas o isolamento e a carência de franqueza nas relações humanas, que as cartas reveladas por Misugi tentam romper e atravessar.

Serviço
O fuzil de caça
Yasushi Inoue
Tradução: Jefferson José Teixeira
112 páginas - R$ 29,00 (em média)
Editora Estação Liberdade

Essa história está diferente - Ronaldo Bressane


Em Essa história está diferente, dez autores de estilos diversos recriam em prosa o cancioneiro do compositor carioca Chico Buarque. Na escalação do time organizado pelo escritor e jornalista Ronaldo Bressane, a ideia foi universalizar o imaginário do autor de Budapeste e Leite derramado. Os registros literários captados por esta antologia foram os mais díspares e inventivos: alguns contos se baseiam fielmente nos causos musicados por Chico, outros usam as canções como trilha sonora, cenário e atmosfera, outros emprestam delas a estrutura, e há os que utilizam as canções como mote.

Entre os autores internacionais, o argentino Alan Pauls adaptou “Ela faz cinema” e a transformou na história de um pai zeloso que combina o ciúme pela mulher e pela filha com manias como ler num restaurante enquanto come; o mexicano Mario Bellatin inspirou-se em “Construção” para ambientar a narrativa de um homem que, numa consulta ao fisioterapeuta, escuta uma história bizarra envolvendo uma declamadora de versos e um papagaio; o moçambicano Mia Couto criou um conto romântico a partir de “Olhos nos olhos”, e o também argentino Rodrigo Fresán escolheu “Outros sonhos”
para um conto-ensaio tecido sobre variações oníricas. Entre os brasileiros, Carola Saavedra esmiúça uma discussão de relacionamento em sua narrativa baseada em “Mil perdões”; André Sant’Anna preferiu “Brejo da Cruz” para falar do presente e do futuro dos meninos de rua; Cadão Volpato parte de “Carioca” para tratar de um jovem intelectual e de uma misteriosa garota que se hospeda em sua casa; João Gilberto Noll recriou “Vitrines”, focando a relação obsessiva entre dois homens que se conhecem numa galeria; Luis Fernando Verissimo cozinhou “Feijoada completa” em chave de comédia da vida privada, e, por fim, Xico Sá reescreveu “Folhetim” como um triângulo amoroso contado por um carioca desmemoriado que talvez tenha perdido a mulher numa Quarta-Feira de Cinzas.

Uma surpresa a cada virada de página. Tendo as canções de Chico na cabeça, o leitor vai se admirar com as inúmeras narrativas que elas inspiram e com o gênio criativo desses grandes nomes da literatura contemporânea.

Serviço
Essa história está diferente
Ronaldo Bressane
264 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Companhia das Letras

História e música no Brasil - José Geraldo Vinci de Moraes e Elias Thomé Saliba


Este livro tem como objetivo distinguir as projeções da história na música e escutar as reverberações dos acontecimentos nas sonoridades produzidas pelas sociedades. Considerada utópica ou irrealizável, esta dupla tarefa acabou definindo um horizonte de pesquisas e absorveu boa parte dos esforços dos historiadores e musicólogos nas últimas décadas e agora, este esforço é editado em livro organizado pelos historiadores José Geraldo Vinci de Moraes e Elias Thomé Saliba.

A historiografia brasileira, ainda que de maneira tardia e tímida, tem penetrado cada vez mais neste território, contribuindo para ampliar estudos e reflexões situados na relação entre as sonoridades e a história. Todavia não existem padrões nem fronteiras definidas, uma vez que é inútil procurar pelo paradigma musical brasileiro, sobretudo em nossa cultura diversificada, na qual a ética de fundo emotivo sempre vence a razão pública e não há regras que resistam uma boa imagem musical ou rítmica.

História de Música no Brasil revela alguns dos mais recentes estudos neste diversificado universo. Para isso são analisados diferentes épocas e lugares: da música religiosa e dos grupos étnicos no período colonial da Corte Joanina; da “misturada de gêneros” de polcas, valsas, tanguinhos, batuques e maxixes de Nazareth e Henrique Alves de Mesquita, aos choros e arranjos de Pixinguinha; dos sambas patrioteiros dos anos 1930-40 aos arranjos “jazzificados” das bandas que alegravam os salões de baile paulistanos dos anos pós-guerra; da desconhecida produção da indústria fonográfica na São Paulo dos anos 1930, ao papel da radiofonia e dos cronistas na construção de uma narrativa historiográfica – consagrada, afinal, como “história da MPB”.

Assim, este livro convida os leitores para saborear as melodias que marcaram época e faz com que leitor queria participar, com sua própria experiência de leitura e de escuta, deste novo horizonte de pesquisas das sonoridades da história brasileira.

Serviço
História e música no Brasil
José Geraldo Vinci de Moraes e Elias Thomé Saliba
412 páginas - R$ 78,00 (em média)
Editora Alameda

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Absolvição - Antonio Monda


Andrea Marigliano, jovem ambicioso, deixa seu vilarejo no sul da Itália para seguir carreira de advogado em Nápoles. Esforçado, é contratado pelo escritório do lendário professor Scalia, "o maior criminalista do sul", um homem que segue rigorosamente a ética e considera que ninguém é culpado até prova em contrário.

Aos olhos do mundo, Scalia não é mais o mesmo. Precisou superar a perseguição dos colegas - em um julgamento injusto por envolvimento com a máfia - e o abandono da mulher. E agora, morando sozinho e afastado da família, tem de lutar contra uma doença fatal.

Mesmo debilitado, Andrea encontra no professor a figura de um mentor. Mas a defesa de um polêmico caso de abuso sexual pode colocar em questão as escolhas tomadas por cada um deles. Absolvição é um romance sutil e envolvente, que discute as difíceis decisões que devem ser tomadas no multifacetado mundo contemporâneo.

Serviço
Absolvição
Antonio Monda
Tradução: Joana Angélica d'Avila Melo
200 páginas - R$ 32,90 (em média)
Editora Alfaguara

Prólogos, com um prólogo de prólogos - Jorge Luis Borges


Em 1975, quando foram reunidos pela primeira vez os exercícios críticos que Borges vinha publicando desde a década de 1930 na imprensa de seu país, muito se revelou do pensamento do maior escritor argentino do século XX. De sua leitura depreende-se não só a impressionante erudição do autor, mas também sua curiosa variedade de leituras - dos poetas gauchescos argentinos a E. A. Poe, de Cervantes a Lewis Carroll, de Gibbon a Kafka.

Redefinido por ele como uma "espécie lateral da crítica", o prólogo (normalmente um texto simples de apresentação) funcionou para Borges como instrumento incisivo de penetração na obra literária, revelando a teia subjacente de relações entre um livro e sua cultura, um autor e seus pares. Para o leitor, esses pequenos ensaios apresentam mais que o livro-tema: revelam o crítico literário de linguagem lapidar e bom humor convidativo que foi Borges.

Somando-se aos 14 volumes da coleção Biblioteca Borges, que desde 2000 vem trazendo ao público as obras completas do autor, Prólogos, com um prólogo de prólogos convida o leitor a reviver o percurso de descobertas e surpresas trilhado pelo mestre argentino.

Serviço
Prólogos, com um prólogo de prólogos
Jorge Luis Borges
Tradução: Josely Vianna Baptista
240 páginas - R$ 41,00 (em média)
Editora Companhia das Letras

Filho do Hamas - Mossab Hassan Yousef


Desde a infância, Mosab Hassan Yousef viveu nos bastidores do grupo fundamentalista islâmico Hamas e testemunhou as manobras políticas e militares que contribuíram para acirrar a sangrenta disputa no Oriente Médio. Por ser o filho mais velho do xeique Hassan Yousef, um dos fundadores da organização, todos acreditavam que ele seguiria os passos do pai. Às vésperas de completar 18 anos, movido pela raiva e pelo desejo de vingança, Mosab decide assumir um papel mais ativo no combate a seus opressores e acaba sendo preso e levado para o mais terrível centro de interrogatórios israelense.

Depois de dias sob tortura, ele recebe uma proposta do Shin Bet, o serviço de inteligência interno de Israel: sua liberdade em troca da colaboração para identificar os líderes do Hamas responsáveis por ataques terroristas. A princípio, considera a oferta absurda. Afinal, como poderia trair sua religião e seu povo e ajudar seus inimigos?

"Filho do Hamas" é o relato impressionante do caminho inesperado que Mosab resolve seguir ao questionar o sentido de um conflito que só traz sofrimento para os inocentes, sejam eles palestinos ou israelenses. No livro, ele revela como se tornou espião do Shin Bet, narra passagens da vida dupla que levou durante dez anos e fala das escolhas arriscadas que fez para conter a violência de uma das organizações terroristas mais perigosas do mundo.

Esta é também uma história de transformação pessoal, uma jornada de redescoberta espiritual que começa com a participação de Mosab num grupo de estudos bíblicos e culmina na sua conversão ao cristianismo e na crença de que "amar seus inimigos" é o único caminho para a paz no Oriente Médio.

Serviço
Filho do Hamas
Mossab Hassan Yousef
Tradução: Marcello Lino
288 páginas - R$ 29,90 (em média)
Editora Sextante

O cinema de Quentin Tarantino - Mauro Baptista


Este livro analisa a obra de uma das figuras mais cultuadas da atualidade: o cineasta Quentin Tarantino. Ao estudar os sete longas-metragens escritos e dirigidos por ele entre 1992 e 2009 – Cães de aluguel, Pulp fiction, Jackie Brown, Kill Bill 1 e 2, À prova de morte e Bastardos inglórios –, Mauro Baptista mostra por que Tarantino pode ser considerado um dos grandes nomes da arte cinematográfica.

O livro estuda vários tipos de cinema que são fundamentais para entender o eclético trabalho desse diretor: o cinema clássico americano dos anos 1940 e 1950, com destaque para Howard Hawks; o cinema moderno do primeiro Jean-Luc Godard; o western e particularmente os westerns de Sergio Leone; o cinema pós-moderno; os filmes exploitation americanos da década de 1970 e os filmes de artes marciais.

Trata-se, enfim, de um trabalho indispensável para todos que desejam saber mais sobre cinema e entender melhor a obra desse importante cineasta.

Serviço
O cinema de Quentin Tarantino
Mauro Baptista
144 páginas - R$ 38,50 (em média)
Editora Papirus

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Flores das flores do mal de Baudelaire - Charles Baudelaire


Estas Flores das "Flores do mal" reúnem 21 poemas da obra máxima de Charles Baudelaire (1821-1867), colhidos a dedo e recriados com esmero em língua portuguesa, ao longo de oito anos, pelo poeta Guilherme de Almeida. Reconhecido por Mário de Andrade e Manuel Bandeira por sua excelência na arte da versificação, Guilherme de Almeida (1890-1969) foi figura de destaque na vida cultural do país na primeira metade do século XX, e exerceu importante influência no movimento modernista brasileiro.

Exímio poeta e pensador refinado, foi também um grande e apaixonado tradutor, tendo divulgado o haikai no Brasil e vertido para o português obras de Paul Verlaine, François Villon, Rabindranath Tagore, Oscar Wilde e Tennessee Williams, entre outros. Não foi à toa que, a propósito destas Flores das "Flores do mal", Bandeira afirmou, em texto reproduzido no presente volume, que Guilherme de Almeida sabia "traduzir até diamantes".

Sucesso alcançado, explica o poeta-tradutor, porque "sempre soube [estes poemas] de cor e, à força de dizê-los, citá-los e recitá-los, acabei por me surpreender ouvindo-os de mim mesmo, na minha língua mesma". Além da apresentação de Manuel Bandeira, esta edição bilíngue inclui as notas em que Guilherme de Almeida comenta aspectos do trabalho de recriação de cada um dos poemas, um posfácio crítico de Marcelo Tápia e as belas ilustrações de Henri Matisse, concebidas para uma antologia das Flores do mal publicada na França em 1947.

Serviço
Flores das flores do mal de Baudelaire
Charles Baudelaire
Tradução: Guilherme de Almeida
Ilustração: Henry Matisse
144 páginas - R$ 39,00 (em média)
Editora 34

Filhas do segundo sexo - Paulo Francis


Mimi e Clara são protagonistas de duas novelas que compõem um mergulho na lama da elite brasileira. Ninguém é herói, mas a lucidez gerada pelas experiências dolorosas não deixa ninguém assumir o papel da vítima.

Serviço
Filhas do segundo sexo
Paulo Francis
156 páginas - R$ 29,50 (em média)
Editora Francis

100 Contemporary Fashion Designers - Terry Jones


Dois volumes com um panorama completo dos principais estilistas que vêm influenciando a moda so século 21.

Serviço
100 Contemporary Fashion Designers
Terry Jones
720 páginas - R$ 249,90 (em média)
Editora Taschen

Conversa sobre o tempo - Zuenir Ventura e Luis Fernando Verissimo


Uma conversa emocionante, reveladora e divertida entre dois grandes escritores brasileiros, autores de vários best-sellers, Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura. Eles falam de Família, Amizade, Paixões, Política e Morte. A conversa é mediada pelo escritor e jornalista Arthur Dapieve.

Serviço
Conversa sobre o tempo
Zuenir Ventura e Luis Fernando Verissimo
284 páginas - R$ 39,90 (em média)
Editora Agir

A janela de esquina do meu primo - E.T.A. Hoffmann


O conto 'A Janela de Esquina do Meu Primo' tem caráter autobiográfico e narra a história de um escritor inválido, preso em seu pequeno apartamento de esquina, cuja única abertura para o mundo é uma janela de onde ele observa toda a praça. Ao receber a visita de seu primo, os dois descrevem minuciosamente os tipos que frequentam e fazem suas compras na feira semanal na Gendarmenmarkt, principal praça de Berlim. O autor antecipa as questões urbanísticas e sociais das grandes metrópoles. A obra ainda traz ilustrações que recriam imagens de época e aparecem também recortadas nas margens do livro, como uma janela que se abre para a praça.

Serviço
A janela de esquina do meu primo
E.T.A. Hoffmann
80 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Cosac Naify

Fundamentos Da Cozinha Italiana Clássica - Marcella Hazan


Este livro traz quase quinhentas receitas, todas elas com a inconfundível assinatura de Marcella, conhecida no mundo todo como a mestra inquestionável da cozinha do norte da Itália. Você poderá preparar uma receita simples como a Sopa Camponesa Toscana com repolho e feijão, ou a minuciosa Alcachofra Crocante; ou aventurar-se no preparo de uma iguaria conhecida como o porta-jóias de Vênus , que consiste em trouxinhas de massa recheadas com fettuccine de espinafre, cogumelos porcini e presunto; ou brasear ossobuco de vitela, assar na panela um pombo à maneira clássica ­ de qualquer modo, sentirá a mão de Marcella e sua indispensável orientação em cada etapa do trabalho.

Serviço
Fundamentos Da Cozinha Italiana Clássica
Marcella Hazan
710 páginas - R$ 75,00 (em média)
Editora WMF Martins Fontes

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Maria - Dawn Ades, Veronica Stigger, Francis M. Naumann, José Resende


Obra de fôlego sobre a escultora brasileira Maria Martins (1894-1973), organizada pelo editor Charles Cosac, que assina também uma cronologia ilustrada sobre a artista. O volume reúne textos fundamentais sobre sua trajetória e seus principais trabalhos, registrados em ensaio fotográfico inédito de Vicente de Mello, que viajou inclusive ao exterior em busca de suas obras, algumas delas fotografadas pela primeira vez.

No ensaio de abertura, o historiador Francis M. Naumann revela a vida de Maria, dividida entre a escultura e as recepções sociais na embaixada brasileira de Washington, assumida por seu marido, Carlos Martins. Lá, relacionando-se com artistas do surrealismo e mais intensamente com Marcel Duchamp, produziu algumas das suas obras mais importantes e monumentais. A crítica britânica Dawn Ades, especialista em arte latinoamericana, compara seu trabalho com a de escultores como Brancusi, André Masson, Giacometti e Henry Moore.

Já o escultor José Resende utiliza sua própria experiência para abordar as criações da artista e seus procedimentos escultóricos. Ao final, a escritora e crítica de arte Veronica Stigger reflete sobre os escritos de Maria Martins, que publicou três livros na fase final de sua vida, sobre a Índia, China e filosofia.

Serviço
Maria
Dawn Ades, Veronica Stigger, Francis M. Naumann, José Resende
336 páginas - R$ 198,00 (em média)
Editora Cosac Naify

Capitalismo parasitário - Zygmunt Bauman


O aclamado sociólogo Zygmunt Bauman lança nesse novo livro o seu olhar crítico sobre temas variados do mundo contemporâneo: cartões de crédito, anorexia, bulimia, a crise financeira de 2009 e suas possíveis soluções, a inutilidade da educação nos moldes atuais, a cultura como balcão de mercadorias... Todos são fenômenos que colaboram para o mal-estar dominante em nossas sociedades, e estão brilhantemente relacionados ao conceito de liquidez desenvolvido pelo sociólogo. Aspectos tão diferentes são articulados de maneira densa, produzindo uma compreensão singular das raízes desse mal-estar. Mais uma vez, as ideias de Bauman orientam e iluminam nossa compreensão da atualidade, tocando na raiz dos problemas da vida cotidiana.

Serviço
Capitalismo parasitário
Zygmunt Bauman
92 páginas - R$ 19,00 (em média)
Editora Zahar

A humilhação - Philip Roth


Aos 65 anos, Simon Axler, um renomado ator de teatro, sobe no palco e constata que não sabe mais atuar. De uma hora para outra toda sua autoconfiança se esvai, e ele perde a capacidade de interpretar os personagens que, ao longo de uma extensa carreira artística, haviam lhe trazido renome. A partir daí, sua vida entra numa espiral de perdas: a mulher vai embora, o público o abandona e seu agente não consegue convencê-lo a retomar o trabalho. Obcecado com a ideia do suicídio, Simon se interna numa clínica psiquiátrica.

No meio desse relato terrível de uma autoanulação inexplicável e apavorante, irrompe um enredo em sentido contrário. Simon se envolve numa relação passional com uma mulher mais jovem, homossexual, filha de um casal de atores que ele conheceu na juventude. Nasce daí um desejo erótico avassalador, um consolo para uma vida de privação, mas tão arriscado e aberrante que aponta não para o conforto e a gratificação, e sim para um desenlace ainda mais negro e chocante.

Nessa longa viagem noite adentro, relatada com a combinação de intensidade, virtuosismo e seriedade que é a marca de Philip Roth, todos os artifícios que usamos para nos convencer de nossa solidez, todos os desempenhos de nossas vidas - talento, amor, sexualidade, esperança, energia, reputação -, tudo isso vira pó.

A humilhação faz parte de uma série de narrativas que Philip Roth vem publicando nos últimos anos. Essas obras - O animal agonizante, Homem comum e Fantasma sai de cena -tematizam a velhice, a perda, a paixão e a morte com vigor e contundência extraordinários. Ao contrário de seu protagonista, Roth está em plena forma, e não perdeu a capacidade de surpreender e empolgar seus leitores.

Serviço
A humilhação
Philip Roth
Tradução: Paulo Henrique Britto
104 páginas - R$ 32,00 (em média)
Editora Companhia das Letras

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Flor do deserto - Waris Dirie


Waris Dirie, nascida numa família nômade no deserto da Somália, sofreu mutilação genital como muitas garotas de sua tribo. Para fugir de um casamento não desejado, atravessa a pé o deserto africano até chegar à capital, Mogadíscio, e daí a Londres. Apesar de ter uma vida inicialmente acidentada, Waris, já em Londres, se tornaria modelo de projeção internacional, chegando inclusive a estrelar um filme de James Bond.

Serviço
Flor do deserto
Waris Dirie e Cathleen Miller
Tradução: Ricardo Lísias
256 páginas - R$ 38,00 (em média)
Editora Hedra

Paisagem com dromedário - Carola Saavedra


Autoexilada numa ilha, Érika grava mensagens endereçadas a Alex, seu amado. Nas 22 gravações que compõem Paisagem com dromedário, ela tenta reconstituir e compreender seu passado. Artistas plásticos, Érika e Alex se envolveram durante anos em experiências estéticas e existenciais, que incluíam obras em parceria e um triângulo amoroso com a jovem Karen.

A perplexidade diante da morte de Karen, e do seu próprio comportamento em relação à amiga, da qual se afastou ao saber que ela estava com câncer, parece ser uma das motivações para o exílio voluntário de Érika. No centro das inquietações da narradora está a questão da identidade. Onde começava a sua personalidade e onde terminava a influência ao mesmo tempo fecunda e opressora de Alex? Érika se entrega a esse exercício retrospectivo, em que se misturam a memória, a imaginação e um implacável raciocínio crítico.

Neste livro, Carola Saavedra atualiza radicalmente o gênero epistolar, aproximando- o do cinema e do radioteatro. Reafirma assim o vigor e a originalidade de sua escrita, uma das mais marcantes do atual panorama literário brasileiro.

Serviço
Paisagem com dromedário
Carola Saavedra
168 páginas - R$38,00 (em média)
Editora Companhia das Letras

O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX - Gilberto Freyre


Em nosso meio acadêmico, muitos são os livros que tratam do passado escravagista brasileiro. Algumas obras ressaltam a violência dos senhores e outras chamam a atenção para as formas de resistência empregadas pelos escravos para a preservação de suas culturas.

No entanto, pode-se dizer que um elemento que une as duas tendências historiográficas é o fato de que estudiosos de ambas as correntes utilizaram para a compreensão da realidade dos escravos africanos no Brasil os anúncios publicados em jornais do século XIX que anunciavam a venda, a compra e a fuga de escravos. Gilberto Freyre foi um dos primeiros intelectuais a alertar para a riqueza desses anúncios como fontes documentais para nos aproximar do universo do cotidiano dos escravos. Dando continuidade à série de publicações do vasto legado do mestre de Apipucos, a Global Editora relança O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX, uma de suas obras mais instigantes.

Gilberto Freyre afirma, no livro, ter reunido em sua pesquisa cerca de dez mil anúncios retirados de jornais do século XIX, como Diário de Pernambuco (Recife), Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), entre outros. A partir de tais anúncios, ele flagra com perspicácia as relações que se estabeleceram entre os escravos e seus proprietários. São desnudadas pelo sociólogo as diversas ocupações que os cativos vindos da África exerciam deste lado do Atlântico: desde trabalhadores das lavouras de cana-de-açúcar até barbeiros e cozinheiros pessoais de seus proprietários. Nos anúncios que colocavam escravas à venda, Freyre destaca a preocupação dos textos em vangloriar os atributos físicos das negras.

As marcas nos corpos dos escravos que aparecem nos anúncios são estudadas com minúcia por Freyre. Algumas delas seriam relacionadas à cultura africana a qual pertenciam. Outras, por sua vez, seriam marcas da violência empregada pelos seus senhores. Freyre nos mostra, por meio desses anúncios, o quão eram péssimas as condições de saúde da população escrava. Ele revela que era frequente nos anúncios de escravos fugidos, por exemplo, encontrar indivíduos doentes e com deformidades físicas: “negros de pernas cambaias”, com “pernas tortas pra dentro”, “zambos”, uma infinidade de termos que indicam não só o excesso de trabalho dos cativos, bem como os maus-tratos que recebiam por parte de seus senhores.

Serviço
O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX
Gilberto Freyre
256 páginas - R$ 47,00 (em média)
Editora Global

Na estrada - o cinema de Walter Salles - Marcos Strecker


Na Estrada é a primeira obra a trazer uma análise completa dos filmes de Walter Salles e uma biografia do cineasta. O jornalista e crítico Marcos Strecker investiga as motivações artísticas do mais prestigiado diretor brasileiro e como cada filme dialoga com um momento histórico particular do país. Somados, os oito filmes que ele realizou levaram 26 milhões de espectadores ao cinema.

O livro aborda um gênero essencial para o realizador de Central do Brasil e Diários de Motocicleta, os road movies, e apresenta seus projetos, como o filme On The Road, produzido por Francis Ford Coppola e baseado no livro de Jack Kerouac. Discute as influências brasileiras e estrangeiras na obra de Walter Salles e traz uma conversa do diretor com Wim Wenders, em que eles falam também da experiência de fazer cinema nos Estados Unidos.

A edição reúne ainda 18 artigos do diretor brasileiro sobre cinema, artes, política e o cotidiano do país, publicados na Folha de S.Paulo.

Serviço
Na estrada - o cinema de Walter Salles
Marcos Strecker
336 páginas - R$ 49,90 (em média)
Editora Publifolha

terça-feira, 18 de maio de 2010

Elisete Cardoso, uma vida - Sérgio Cabral


Dona de um timbre único, tons de grave e uma forma de interpretar sem igual, Elisete Cardoso, A Divina, foi uma das cantoras brasileiras mais importantes da história da MPB. Pioneira da bossa nova, foi a primeira cantora popular a interpretar Villa-Lobos no Teatro Municipal e também foi responsável pela consagração de esquecidos sambistas. Neste livro, Sérgio Cabral, um grande conhecedor e amante da música brasileira, narra a trajetória de vida dessa bela morena carioca que se consagrou como uma das grandes intérpretes do gênero samba-canção. O livro reúne 37 fotos e a discografia completa da cantora.

Serviço
Elisete Cardoso, uma vida
Sérgio Cabral
416 páginas - R$ 42,00 (em média)
Editora Lazuli/ Companhia Editora Nacional

O mundo visto daqui - Millôr Fernandes


'O mundo visto daqui' é uma seleção de textos e ilustrações da obra de Millôr Fernandes publicados na imprensa durante os anos de 1980 a 1983 - uma mostra as suas formas de humor e de contestação da realidade.

Serviço
O mundo visto daqui
Millôr Fernandes
224 páginas - R$ 44,90 (em média)
Editora Agir

Os Viúvos - Mario Prata


'Os viúvos' traz uma nova aventura do detetive Ugo Fioravanti e seu fiel companheiro Darwin Matarazzo na bela ilha de Florianópolis. Desta vez, o ex-policial federal e agora detetive particular, Fioravanti, terá que desvendar dois sequestros, encontrar uma mulher a pedido do príncipe de Dubai e descobrir quem é o louco remetente E.R.N., que lhe envia e-mails com desabafos sobre sua vida tediosa, seus problemas com a Receita Federal e com avisos dos vários crimes que cometerá. Será que os acontecimentos e os e-mails misteriosos têm alguma ligação? Quem é, afnal de contas, esse tal E.R.N.? Além da tumultuada rotina de uma investigação criminal, Fiora ainda precisa lidar com um triângulo amoroso envolvendo uma ex-namorada e sua filha e resolver os problemas matrimoniais de Darwin, seu assistente.

Serviço
Os Viúvos
Mario Prata
288 páginas - R$ 39,90 (em média)
Editora Leya

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A festa de aniversário - Panos Karnezis


Em sua pequena ilha no Mediterrâneo, o milionário Marco Timoleon organiza a festa de aniversário de 25 anos da filha. Entre os convidados, sua mulher, de quem está separado, seu ambicioso biógrafo e o médico da família que chegam sem saber muito bem o que esperar daquele reencontro. Entre os truques que guarda na manga, Marco Timoleon pretende cuidar de um pequeno inconveniente que apareceu na vida da aniversariante.

Serviço
A festa de aniversário
Panos Karnezis
304 páginas - R$ 48,00 (em média)
Editora Planeta