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segunda-feira, 10 de maio de 2010

História da Arte italiana - Giulio Carlo Argan


A narrativa e as análises de Argan, que também foi prefeito de Roma e elegeu-se senador pelo Partido Comunista Italiano, são entremeadas pelas 'leituras críticas', uma compilação de textos de filósofos, historiadores e críticos de arte de diversas épocas, como André Chastel, Platão, Meyer Schapiro, Erwin Panofsky, Rudolf Wittkower e Giorgio Vasari. Todos os volumes trazem, ainda, glossário de técnicas e termos artísticos.

Serviço
História da Arte italiana
Giulio Carlo Argan
Tradução: Vilma de Katinszky
1.400 páginas - R$ 99,00 (em média) cada volume
Editora Cosac & Naify

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Doutor Pasavento - Enrique Vila Matas


Doutor Pasavento é sobretudo uma elegia da discrição e homenagem a escritores como J. D. Salinger, Thomas Pynchon e Robert Walser, autores que de alguma forma atingiram a invisibilidade. A fixação do autor por desaparecer, não ser ninguém, a atração pelo abismo, pelo nada, é explorada de maneira radical. “De onde vem a sua paixão por desaparecer?”,
pergunta alguém ao narrador logo na abertura do romance.

Serviço
Doutor Pasavento
Enrique Vila Matas
Tradução: José Geraldo Couto
416 páginas - R$ 55,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

terça-feira, 13 de abril de 2010

Léxico Familiar - Natalia Ginzburg


O romance narra a infância e juventude da escritora, dramaturga, ensaísta e ativista política italiana Natalia Ginzburg (1916-1991). As memórias de sua convivência em uma família burguesa, letrada e judia, em meio ao fascismo e à Segunda Guerra Mundial, são narradas em estilo minimalista. Caçula de cinco irmãos, a menina recria o passado lembrando das frases repetidas em família.

Serviço
Léxico Familiar
Natalia Ginzburg
Tradução: Homero de Freitas Andrade
240 páginas - R$ 59,00 (em média)
Editora Cosac Naify

O Livro da Nina para Guardar Pequenas Coisas - Keith Haring


Além de incentivar a criatividade e o imaginário, O Livro da Nina para Guardar Pequenas Coisas nasceu a partir de uma história de afeto entre o artista plástico norte-americano Keith Haring (1958-90) e Nina, filha do pintor italiano Francesco Clemente. Em seu aniversário de sete anos, a menina recebeu de Haring um livro inteiramente personalizado.

Na mesma linha de Rabiscos (2009), de Taro Gomi, O livro da Nina é um objeto pessoal para desenhar, pintar, colar adesivos, folhas, fotos dos amigos, lembranças de um dia no circo e até pensamentos – desde que sejam pequenas coisas. Publicado agora em fac-símile, a edição brasileira conta, ainda, com um depoimento exclusivo da própria Nina Clemente, 22 anos após ter ganhado o presente.

As criações de Keith Haring marcaram as artes gráficas dos anos 1980. Seu traço se popularizou pelo mundo todo e é admirado até hoje por artistas da nova geração, como Osgemeos. Veio cinco vezes ao Brasil, uma delas para participar da Bienal de Arte de 1983.

Serviço
O Livro da Nina para Guardar Pequenas Coisas
Keith Haring
Ilustração: Alípio Correia da Franca Neto
72 páginas - R$ 49 (em média)
Editora Cosac Naify

terça-feira, 16 de março de 2010

Iberê Camargo - Origem e Destino - Vera Beatriz Siqueira

Este livro traz um painel extremamente cuidadoso e enriquecedor, tanto para os que conhecem e acompanham a obra de Iberê Camargo (1914-93), quanto para aqueles que procuram uma introdução ao universo do artista. A professora Vera Beatriz Siqueira (1962-) do Instituto de Artes da UERJ, refaz a trajetória do pintor desde seus primeiros desenhos no interior do Rio Grande do Sul, passando pelos estudos no Rio de Janeiro e Europa, no ateliê de André Lhote. Os quatro capítulos marcam suas diferentes fases da pintura e desenho, ressaltando sua relação com os objetos (principalmente os carretéis e garrafas) e a busca pelo gesto criador. Ilustrados com 51 imagens, cada capítulo traz ao final um comentário analítico de críticos como Rodrigo Naves e Ronaldo Brito, que jogam luz sobre algumas das principais telas do artista. Influenciado por Guignard, Iberê Camargo é um dos mais importantes artistas brasileiros do século xx. Foi premiado como o melhor pintor nacional na VI Bienal de São Paulo (1961). Era também desenhista e gravador.

Serviço
Iberê Camargo - Origem e Destino
Vera Beatriz Siqueira
112 páginas - R$ 29,00 (em média)
Editora Cosac & Naify e fundação Iberê Camargo

Khadji-Murát - Liev Tolstói


História e memória são as matérias-primas desta narrativa que põe em cena o líder rebelde caucasiano Khadji-Murát em sua luta contra a incorporação da Tchetchênia e do Daguestão pelos russos. A região até hoje é foco de instabilidade política, o que dá surpreendente atualidade a este livro publicado em 1910, ano da morte do escritor.

Foi no agreste Cáucaso que o jovem Liev Tolstói serviu como oficial do exército, décadas antes; a experiência repercutiria em seus últimos dias, quando o escritor, agora um ativista em prol dos perseguidos pelo regime czarista, voltou a interessar-se por aquele povo infenso à dominação imperial. Estamos em território russo, mas o cenário não é aquele a que estamos habituados. Não se trata dos personagens aristocráticos que falam francês e desfilam pelos salões de Moscou e Petersburgo, nem de soldados e outros tipos populares eslavos que povoam as narrativas de Tolstói. O escritor aqui é um orientalista que se mostra fascinado pela marca da cultura islâmica em pleno Império Russo, e que está simbolizada na capa do livro, com a imagem de uma espada curva que mimetiza o Crescente. A espada, típica dos guerreiros da região, faz parte do acervo do Museu Hermitage.

Serviço
Khadji-Murát
Liev Tolstói
Tradução: Boris Schnaiderman
224 páginas - R$ 39,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

quinta-feira, 4 de março de 2010

Paris Não Tem Fim - Enrique Vila Matas


Enrique Vila-Matas fala de literatura como pouca gente hoje. Porque conhece literatura, como pouca gente hoje. Logo, Paris não tem fim, como seu Bartleby, é mais um conjunto de reminiscências do escritor, e do seu mundo, atualmente tão distante... Pois, embora se escreva como nunca, há o mesmo tanto de pressa, e a convivência de décadas com os livros, hoje, tem de ser concentrada em alguns anos... — o que, na escrita, não resulta no mesmo efeito que um Vila-Matas provoca. Ou seja: às vezes, não adianta nem ler, como alguns ases da internet, neste momento, fazem — o importante, mesmo, é conviver. E convivência, com os grandes textos, não se improvisa. Convivência, de décadas, e juventude... não combinam. "Jovens, envelheçam!" — já dizia Nélson Rodrigues. E leiam Vila-Matas, em Paris não tem fim — até para compreender que o jovem escrevinhador, principalmente se almeja publicar em livro, só consegue ser ridículo. Tudo bem: Vila-Matas confessa que descobriu a ironia depois de velho, e que ela foi sua salvação. Ridicularizando sua juventude de escritor, eleva-se na maturidade, e produz muito mais literatura do que tentou, naqueles verdes anos, produzindo trapalhadas apenas. Misturando, como deixa sugerido, ensaio com biografia, revela-se muito mais interessante que os escritores "sérios" de hoje, mesmo os maduros, que pensam produzir literatura... Rindo, Vila-Matas afirma que as veleidades literárias, além de não se realizarem mais, acabam motivo de chacota, tempos depois. Paris não tem fim guarda ainda um quê de Juventude, de J.M. Coetzee — com a diferença de que, enquanto Coetzee é mais seco (e trágico), Vila-Matas se considera tão insignificante, em jovem, que nem se tentasse causaria algum dano. Dois dos maiores autores da atualidade, mais uma vez, mostram que estreantes, além de não produzirem literatura, só atormentam seus contemporâneos.

Serviço
Paris Não Tem Fim
Enrique Vila Matas
216 páginas - R$ 40,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Na garupa do meu tio - David Merveille


Homenagem a um dos cineastas mais importantes da França, Jacques Tati (1907-82), o livro-imagem Na garupa do Meu tio, do ilustrador David Merveille (1968-), traz uma sequência de cenas que convida o leitor a apreciar uma nova aventura do senhor Hulot pela cidade de Paris. Como num livro cinematográfico, cada dupla tem um folder que revela uma surpresa. Vários elementos retirados dos filmes de Tati estão espalhados pelas ilustrações de Merveille: a casa de Hulot e a fonte em forma de peixe de Meu tio, ou a rotatória em Playtime.

A partir de ilustrações, Na garupa do Meu tio relembra a incrível capacidade do personagem de transformar o cotidiano em algo fantástico, romântico e muito divertido. Para completar a edição, o ilustrador húngaro Istvan Banyai, colaborador da revista The New Yorker e autor do também livro-imagem O outro lado (Cosac Naify, 2007), assina um simpático poema na quarta capa.

Serviço
Na garupa do meu tio
David Merveille
60 págians , 27 ilustrações - R$ 42,00 (em média)
Editora Cosac & naify

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O grande jogo de Billy Phelan


O grande jogo de Billy Phelan (1978), do ganhador do Pulitzer, William Kennedy (1928-), abre na Cosac Naify o Ciclo de Albany, série de sete romances que faz um retrato implacável da América no início do século XX. O submundo do jogo e do poder na Albany dos anos 1930 é o pano de fundo da jornada de Billy Phelan, um jogador vidrado em pôquer, boliche e turfe. Ao se recusar a servir como informante na investigação do sequestro do filho de Charlie Boy McCall, primogênito da família mais poderosa de Albany, Billy acaba caindo em desgraça.

Com uma linguagem direta, diálogos eletrizantes e todos os elementos de um filme de gângster – um chefão local, personagens arrivistas, uma moralidade cambiante, um mundo de bebida, jogo e corrupção –, o autor costura narrativas sobre o passado dos personagens, a relação de Billy com seu pai, além de recriar toda a sordidez dos Estados Unidos pós-Depressão.

Com mais de dez romances publicados, o norte-americano William Kennedy escreveu também peças de teatro, livros infantis e foi roteirista de filmes como Cotton Club, de Francis Ford Coppola. Em 1984, ganhou o prêmio Pulitzer de literatura pelo romance Ironweed, filmado por Hector Babenco em 1987, e que será publicado pela Cosac Naify ao lado de outros títulos do autor, como Velhos esqueletos e Roscoe.

Serviço
O grande jogo de Billy Phelan
William Kennedy
344 páginas - R$ 47,00 (em média)
Editora Cosac & naify

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Senhor Augustin - Ingo Schulze


Ingo Schulze utiliza toda sua habilidade literária para abordar o tema da velhice, contando a história de um inusitado personagem: o senhor Augustin, que com o seu inseparável chapéu às vezes confunde o guarda-chuva com o cabo da vassoura, usa um sapato diferente em cada pé e acaba sendo motivo de chacota das crianças. Com texto sutil e irônico, o escritor demonstra como pode ser muito solitário envelhecer, se não houver solidariedade e consideração por parte dos mais jovens. As alegres ilustrações de Julia Penndorf, combinam cores vibrantes com colagens de diferentes tipos de papéis.

A edição brasileira traz dois textos escritos especialmente para o volume: uma carta inédita do autor que revela como surgiu a ideia para o livro e uma emocionada quarta capa, assinada por Thiago de Mello.

Serviço
Senhor Augustin
Ingo Schulze
Tradução: Irene Fehrmann
40 páginas e 17 ilustrações - R$ 42,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

Vidas Novas - Ingo Schulze

Obra-prima do alemão Ingo Schulze (1962-), ganhadora do Prêmio Grinzane Cavour, em 2008, este romance monumental traz um jogo literário de ficção e realidade para traçar um extraordinário painel da época da queda do Muro de Berlim. Schulze, que no livro encarna o personagem de um editor, organiza a correspondência do protagonista Enrico Türner com a irmã Vera, o amigo de infância Johann e a fotógrafa Nicoletta Hansen, que vivem na Alemanha Ocidental. Enrico, que mora no lado socialista e quer ser escritor, troca seus sonhos literários pela fundação de um império jornalístico. Nas cartas, escritas entre janeiro e julho de 1990, o leitor acompanha os processos de uma nova realidade social, desencadeados pelas mudanças históricas.

Autor do livro de contos Celular - 13 histórias à maneira antiga (2008) e do infantil Senhor Augustin (2009), Ingo Schulze foi o primeiro escritor de língua alemã convidado para a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Suas histórias já foram publicadas nas revistas New Yorker e Der Spiegel e traduzidas para 27 idiomas.

Serviço
Vidas Novas
Ingo Schulze
Tradução: Marcelo Backes
752 páginas - R$ 89,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pensamento alemão no século 20


Pensamento alemão no século XX, 28º título da Coleção Ensaios, reúne onze textos de especialistas brasileiros na obra de grandes pensadores alemães do século passado, a partir de dois critérios: o que significaram em sua época e qual o legado que nos deixaram.

Entre os pensadores comentados estão Max Weber (por Gabriel Cohn), Sigmund Freud (por Renato Mezan, que você lê na íntegra no menu ao lado), Martin Heidegger (Zejlko Loparic), Walter Benjamin (Jeanne Marie-Gagnebin) e Theodor Adorno (Vladimir Safatle). Cada colaborador faz, ainda, um balanço de como esses intelectuais foram interpretados no Brasil, influenciando diferentes áreas do conhecimento.

Os textos reunidos são versões escritas das palestras proferidas no Goethe-Institut de São Paulo, entre setembro e novembro de 2007, durante o ciclo “Pensamento Alemão no Século XX”. Ao final do volume, há sugestões bibliográficas para o leitor interessado em se aprofundar nos assuntos abordados.

Serviço
Pensamento alemão no século 20
Organização: Jorge de almeida e Wolfgang Bader
312 págians - R$ 69,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Inteligência Brasileira - Uma reflexão cartesiana


Neste livro, o pensador alemão Max Bense, que visitou o Brasil durante a década de 1960, observa um dos momentos altos da cultura brasileira. Mesclando relato de viagem e interpretação, narra sua convivência com artistas e intelectuais como Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Volpi, Lygia Clark, Lucio Costa, Décio Pignatari, Haroldo e Augusto de Campos.

Serviço
Inteligência Brasileira - Uma reflexão cartesiana
Max Bense
Tradução: Tercio Redondo
240 págins - R$ 33,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Primeira Individual - 25 anos de crítica de arte


'Primeira individual - 25 anos de crítica de arte' reúne 52 textos da produção de Antonio Gonçalves Filho entre 1983 e 2008. As críticas, reportagens e entrevistas cobrem um período abrangente do desenvolvimento da arte brasileira, desde a Semana de Arte Moderna de 22 a Cildo Meireles e Nuno Ramos, passando por expoentes como Hélio Oiticica, Lygia Pape e Mira Schendel.

Serviço
Primeira Individual - 25 anos de crítica de arte
Antonio Gonçalves Filho
240 páginas - R$ 55,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

Matisse - Imaginação, Erotismo, Visão Decorativa


Esta coletânea, organizada pela crítica de arte Sônia Salzstein, reúne ensaios sobre a obra do pintor francês Henri Matisse (1869-1954) que mostram visões consagradas sobre o artista de críticos como Louis Aragon, Roger Fry e Clement Greenberg e também contemporâneas, como as de Ronaldo Brito, Robert Kudielka, Iole de Freitas, Paulo Pasta, T.J. Clark e Yves-Alain Bois.

Os textos, muitos deles publicados pela primeira no Brasil, ou produzidos especialmente para o volume, traçam um panorama sobre a influência das relações pessoais e profissionais na obra do pintor e aspectos específicos como a presença do erotismo em seus desenhos e o uso decorativo das cores em suas telas. A edição inclui um caderno especial de imagens, com quarenta reproduções coloridas das obras comentadas nos ensaios, anexada à orelha do volume, que permite a leitura do texto acompanhando os detalhes da imagem. Este é o décimo segundo volume da coleção Outros Critérios, que objetiva a formação de público e massa crítica, sobretudo no campo da arte moderna e contemporânea.

Serviço
Matisse - Imaginação, Erotismo, Visão Decorativa
Organização: Sonia Salztein
Tradução: Denise Bottmann
Editora Cosac Naify

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Moda


O escritor, crítico e colaborador da revista Elle refaz a trajetória da moda nos últimos cem anos, da Belle Époque aos anos 1990. Ele detalha as etapas de cada época e apresenta seus principais estilistas. Ao final de cada período, um capítulo especial traz uma galeria de fotos com astros do cinema e da música, além de um capítulo reservado à moda masculina.

Serviço
Moda do século
François Baudot
Tradução: Maria Thereza de Resende Costa
400 páginas - R$ 99,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

Fim da partida


Escrita na atmosfera do pós-guerra, a obra traz para o centro da cena histórica o modernismo tardio de Samuel Beckett (1906-1989). Repetindo a estrutura dramática de Esperando Godot, os dois protagonistas, Hamm e Clov, encontram-se reclusos num abrigo, sofrendo com a escassez de alimentos e remédios. Fim de partida é um ensaio sobre o enigma de nossa condição, segundo Beckett, desumana. Fecha o volume um belíssimo ensaio fotográfico com cenas de diferentes montagens da peça.

Serviço
Fim da partida
Samuel Beckett
Tradução: Fábio de Souza Andrade
240 páginas - R$ 52,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

Meu ultimo suspiro


Meu último suspiro (1982) narra as relações entre vida e obra do espanhol Luis Buñuel (1900-1983), diretor de obras-primas como Veridiana (1961, com o qual conquistou a Palma de Ouro em Cannes) e O discreto charme da burguesia (1972).

Com a ajuda do roteirista Jean-Claude Carrière, que deu forma ao texto, Buñuel relembra – muitas vezes com altas doses de humor – detalhes de suas produções, a começar por Um cão andaluz (1928), primeiro filme surrealista, feito em parceria com Salvador Dalí, passando por Os esquecidos (1950) e Nazarin (1958), rodados no largo período em que viveu no México. Em outro capítulo, trata da guerra civil espanhola (1936-1939), no qual fala de sua simpatia pelas ideias comunistas.

Dono de uma personalidade forte e complexa, boêmio e apaixonado por boxe e pelos prazeres da vida, Buñuel revela sem pudores passagens polêmicas, como o afastamento do amigo Garcia Lorca e as brigas – incluindo um quase enforcamento – com Gala, mulher de Dalí.

A edição tem nova tradução, de André Telles, e, além da seleção de imagens feita pessoalmente por Buñuel durante as conversas com Carrière, traz também fotos de seu acervo pessoal, cedidas por seu filho Juan Luis.

Serviço
Meu último Suspiro
Luis Buñuel
Tradução: André Telles
240 páginas - R$ 55,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

Meu ultimo suspiro


Meu último suspiro (1982) narra as relações entre vida e obra do espanhol Luis Buñuel (1900-1983), diretor de obras-primas como Veridiana (1961, com o qual conquistou a Palma de Ouro em Cannes) e O discreto charme da burguesia (1972).

Com a ajuda do roteirista Jean-Claude Carrière, que deu forma ao texto, Buñuel relembra – muitas vezes com altas doses de humor – detalhes de suas produções, a começar por Um cão andaluz (1928), primeiro filme surrealista, feito em parceria com Salvador Dalí, passando por Os esquecidos (1950) e Nazarin (1958), rodados no largo período em que viveu no México. Em outro capítulo, trata da guerra civil espanhola (1936-1939), no qual fala de sua simpatia pelas ideias comunistas.

Dono de uma personalidade forte e complexa, boêmio e apaixonado por boxe e pelos prazeres da vida, Buñuel revela sem pudores passagens polêmicas, como o afastamento do amigo Garcia Lorca e as brigas – incluindo um quase enforcamento – com Gala, mulher de Dalí.

A edição tem nova tradução, de André Telles, e, além da seleção de imagens feita pessoalmente por Buñuel durante as conversas com Carrière, traz também fotos de seu acervo pessoal, cedidas por seu filho Juan Luis.

Serviço
Meu último Suspiro
Luis Buñuel
Tradução: André Telles
240 páginas - R$ 55,00 (em média)
Editora Cosac & Naify

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Retratos do Brasil


No ano em que o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento Cebrap completa quarenta anos de vida, a Cosac Naify, em parceria com a instituição e com apoio do Sesc-SP, lança o livro e o documentário Retrato de Grupo. Com farto material fotográfico e entrevistas inéditas e exclusivas com seus fundadores e principais colaboradores – Fernando Henrique Cardoso, Francisco de Oliveira, Paul Singer, José Arthur Giannotti, Roberto Schwarz, entre outros – o livro recupera o cenário em que a instituição foi formada, em meio à instabilidade política que se seguiu ao Ato Institucional nº 5, em 1968, e vai além – a partir de importantes declarações de seus integrantes, traça um panorama atual sobre os desdobramentos políticos e intelectuais que sucederam sua fundação no final dos anos 60.

Criado como polo de resistência intelectual, o Cebrap reuniu, desde sua fundação, importantes figuras do meio acadêmico (a maioria expurgada da universidade pela ditadura militar) intelectuais que, naquele momento, se reuniram em torno de um mesmo objetivo manter uma produção científica que fosse indispensável para pensar o Brasil, mesmo com todas as limitações impostas pelo regime. Pela primeira e talvez única vez, intelectuais que tomaram rumos distintos mantiveram um intercâmbio científico importante, que influenciou o pensamento e a prática política que se seguiu no Brasil.

Hoje, 40 anos depois, a reflexão destes estudiosos, que acabaram por se tornar figuras-chave no cenário público brasileiro, abre novamente a discussão – desta vez, para uma compreensão do momento político pelo qual passa o Brasil. “No fundo, se você olhar bem, eu e o Lula viemos do mesmo contexto”, diz Fernando Henrique Cardoso ao final de sua entrevista. Se você olhar a partir da perspectiva histórica, vai ver que na verdade é isso.

Nunca vi um período tão magro de possibilidades políticas como este, afirma Francisco de Oliveira ao ser indagado sobre o legado histórico do governo Lula. “Não tem um conflito nacional onde ele tenha metido o dedão e resolvido a parada. Como faz Hugo Chávez. Chávez está inventando um país que não existia. Como fez o Fernando Henrique, digamos com todas as letras, que decidiu para onde ia o excedente brasileiro, decidiu para onde ia a direção da economia e da sociedade. Teve uma direção, que eu renego, mas teve. No governo do Lula não tem nenhuma. Sou muito pessimista.”

É interessante pensar no conjunto dessa produção como uma obra coletiva”, diz Roberto Schwarz, ao contar histórias sobre o grupo criado para a leitura do Capital, de Karl Marx, que antecedeu a criação do Cebrap. “Algumas dessas pessoas não se bicavam e, se você dissesse que tinham feito trabalhos complementares, não ficariam satisfeitas. Mas a verdade é que daria para mostrar que tudo aquilo está interligado e se articula.”

Serviço
Retrato de grupo
Organização e apresentação: Flavio Moura e Paula Montero
Entrevistas com Fernando Henrique Cardoso, José Arthur Giannotti, Paul
Singer, Elza Berquó, Juarez Brandão Lopes, Lúcio Kowarick, Francisco de
Oliveira, José Serra, Fernando Novais, Roberto Schwarz, Rodrigo Naves
328 páginas - 84 ilustrações - R$ 59,00 (em média)
Editora Cosac & Naify