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quarta-feira, 14 de julho de 2010

O fantasma da revolução brasileira - Marcelo Ridenti


O historiador Marcelo Ridenti, professor da Unicamp, aborda a luta dos grupos de esquerda especialmente os armados, entre 1964 e 1974. Com base em 35 entrevistas com com ex-militantes políticos, o autor mapeia não só o espectro político da ideologia revolucionária como avalia a sua repercução na cultura brasileira. Sobre o tema, Ridenti já havia organizado "Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução, do CPC à era da TV".

Serviço:
O fantasma da revolução brasileira
Marcelo Ridenti
328 páginas - R$ 48,00 (em média)
Editora Unesp

sábado, 12 de junho de 2010

Berg: O mestre da transição mínima - Theodor Adorno


A captatio benevolentiae do autor, que fala da própria hesitação em aceitar a proposta de publicar um livro, está gasta devido ao seu persistente abuso. Na maioria das vezes, ela pretende apenas isentar o autor de sua responsabilidade. No caso deste livro sobre Berg, contudo, ela exprime as suas circunstâncias.

Serviço:
Berg: O mestre da transição mínima
Theodor Adorno
Tradução: Mário Videira
285 páginas - R$ 42,00 (em média)
Editora Unesp

terça-feira, 27 de abril de 2010

A luta pela anistia - Haike R. Kleber da Silva

Após 30 anos da Lei de Anistia, marco da redemocratização brasileira, uma coletânea publicada pela Editora Unesp, Arquivo do Estado e Imprensa Oficial de São Paulo traz, além da reflexão de trabalhos escritos por acadêmicos e personagens que participaram do processo, uma vasta coleção de documentos. São 21 textos que discutem a história política recente do nosso país, as conquistas e derrotas do movimento de anistia, os direitos humanos, sua violação e a impunidade que marcou o período em que a ditadura militar esteve instalada no país.

Entre os autores, pesquisadores como Maria Luiza Tucci Carneiro e James Green; e personagens como Pedro Nikken, ex-presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em seu conjunto, abordaram diversos temas, como a história da campanha da anistia, a experiência dos
países latino-americanos, além de questões mais pontuais como apuração de responsabilidades, punição dos torturadores, reparação aos anistiados políticos, a operação Condor, a abertura de arquivos da repressão, incluindo o acesso às suas informações.

A luta pela anistia apresenta também todo o esforço empreendido contra os primeiros abusos cometidos naquele momento, bem como as lutas iniciais reivindicando a libertação dos presos políticos e pequenas ações que se transformaram em uma grande campanha nacional pela anistia no Brasil. A obra inicia-se com uma breve reflexão sobre o processo de construção da memória social do país durante o período ditatorial. Para tal, são descritas as comemorações de maio de 1968, mostrando que os debates da anistia influenciam tanto as discussões sobre 1968 como a relação entre a sociedade brasileira com seu passado. Entre outros temas, a obra aborda também o papel das mulheres naquela época, que se revelou nos cenários públicos e privados, integrando-as no Movimento Feminino pela Anistia e transformando-as em grandes personagens da mobilização.

O livro apresenta também a dimensão e a força das campanhas em favor da libertação de todos aqueles que lutaram contra as ditaduras, tanto no Brasil quanto no Cone Sul, colaborando para a disseminação das reflexões sobre o passado, difundindo conhecimento e memória pública. Complementam o volume cinco guias de fontes sobre a anistia e processos correlatos de instituições como o Arquivo Público do Estado de São Paulo, o Arquivo Edgar Leuenroth/Unicamp, o Centro de Documentação e Informação Científica/PUC-SP, o Centro de Documentação e Memória da UNESP e o Centro de Documentação e Pesquisa
Vergueiro.

Serviço
A luta pela anistia
Organização: Haike R. Kleber da Silva
488 páginas - R$ 60,00 (em média)
Editora Unesp

Verbo, corpo e voz - Dispositivos de fala pública e produção da verdade no discurso político - Carlos Piovezani

Verbo, corpo e voz - Dispositivos de fala pública e produção da verdade no discurso político traz importantes reflexões teóricas e metodológicas tanto aos que pesquisam a análise do discurso quanto aos estudiosos da política. Carlos Piovezani reflete aqui sobre a condição histórica e as novas configurações semióticas do discurso político contemporâneo, considerando não apenas a consistência linguística, mas os suportes materiais e os fatores tecnológicos por meio dos quais os discursos circulam e agregam significado.

Aborda, entre outras coisas, as diferenças de fala pública política no palanque, no rádio e na TV, mostrando que no discurso político-eleitoral televisivo a criação de novos materiais de transmissão se faz necessária, bem como novas cenas que contextualizem determinado assunto, juntamente com dinâmicas e formulações semióticas singulares.

Este lançamento da Editora Unesp diferencia-se de outros trabalhos do gênero por recusar as "verdades" já aceitas e por não ter medo de rejeitar consensos estabelecidos, trilhando seu próprio caminho e expondo o descompasso entre os ritmos da vida e da ciência, buscando, desta forma, sua superação. Deste modo, oferece um novo aspecto à análise dos efeitos de verdade que tornam possível a persuasão, o autor trabalha outros fatores, como a tecnologia e os novos modos de pensar e sentir o mundo, abrindo portas para novos meios de formulação semiótica e de circulação histórico-social dos discursos.

Analisando fatores como palavras, gestos e voz, Carlos Piovezani reforça que nem todos os discursos são políticos, mostrando que cada um deles possui distintos modos de enunciação e legitimação institucional, assim como investimentos de poder diferenciados. Em oposição às análises do discurso realizadas no passado, que procuravam decifrar simulações e dissimulações ideológicas provenientes das mensagens políticas, Verbo, corpo e voz desfaz os dispositivos de palavras, imagens e sons que exercem a dominação política, propondo derrubar as máscaras da convicção e resistir às seduções da voz.

Serviço
Verbo, corpo e voz - Dispositivos de fala pública e produção da verdade no discurso político
Carlos Piovezani
367 páginas - R$ 58,00 (em média)
Editora Unesp

Atlântico Sul XXI - África e América do Sul na virada do milênio - Jonuel Gonçalves


Atlântico Sul XXI - África e América do Sul na virada do milênio analisa as relações econômicas estabelecidas entre ambos os lados do Atlântico, destacando as lutas bem-sucedidas empreendidas contra a pobreza em um quadro de acordos de livre-comércio entre os países dos dois continentes. Os textos reunidos neste volume, co-editado pela Editora Unesp e Uneb, resumem trabalhos de pesquisa desenvolvidos no Brasil, Angola, Argentina e África do Sul, dando um caráter sistemático a anos de contato intermitente.

A ideia de que a América do Sul e o continente africano são ligados apenas por elos derivados do tráfico negreiro permanece sólida quando tratamos da proximidade entre os dois continentes, entretanto, Atlântico Sul XXI mostra outros fatores que colaboram para uma ligação entre eles, caracterizando três pontos fundamentais. O primeiro é a compra de petróleo nigeriano e argelino pelo Brasil, depois as trocas com a África do Sul e, por último, a exploração insuficiente do diálogo devido ao desconhecimento das oportunidades e capacidades de ambos, além da falta de mecanismos que colaborariam para uma maior comunicação entre os países.

Negociações importantes também foram abordadas, entre elas as que favoreceram a aproximação entre a América do sul e o continente africano, como o Mercosul (Mercado Comum do Sul) e a Sacu (União Aduaneira da África Austral) que tiveram como objetivo criar uma zona com barreiras alfandegárias reduzidas e, posteriormente, uma zona de livre comércio que tem grandes possibilidades de tornar-se um dos principais eixos de relacionamento Sul-Sul.

Em Atlântico Sul XXI, a aproximação percebida entre os continentes se deve às afinidades culturais, que colaboram com as pesquisas de mercado e com os contratos, à existência de uma linha de crédito brasileiro para operadores de Angola, além da grande recuperação do comércio exterior entre os dois países. Entretanto, ainda são vários os fatores que dificultam essa relação, como a existência de diferentes níveis de desenvolvimento que exigem a implementação de instrumentos que possam promover uma transição e impedir que os desequilíbrios se intensifiquem.

Serviço
Atlântico Sul XXI - África e América do Sul na virada do milênio
Organização: Jonuel Gonçalves
265 páginas - R$ 42,00 (em média)
Editora Unesp

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os antecedentes da tormenta: origens da crise global - Luiz Gonzaga Belluzo


Ao reunir teses e artigos de Luiz Gonzaga Belluzo escritos entre 1995 e 2009, o livro Os antecedentes da tormenta: origens da crise global traça um panorama que contextualiza as mudanças econômicas e financeiras que levaram à crise de crédito mundial - cujas maiores consequências estouraram nos últimos meses de 2008. Nessa obra, co-editada pela Editora Unesp e Edições Facamp, um dos maiores economistas da atualidade expõe as bases do capitalismo em suas diferentes épocas, além de tratar das origens e possíveis desdobramentos do panorama contemporâneo.

Estruturado em duas partes, o livro apresenta em primeiro lugar ensaios acadêmicos do autor que estudam criticamente o modelo econômico capitalista em diferentes períodos e lugares, desde a América do Norte até o sudoeste asiático. Ao longo de suas reflexões em teoria e história, Belluzzo trata da internacionalização de empresas e do capital na origem dos mercados globalizados, analisa a crise financeira dos anos 1930 e o posterior fortalecimento do dólar - consequências da expansão do poder norte-americano.

Entre os textos está o trabalho que escreveu em conjunto com o economista Luciano Coutinho, atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), publicado em 1998 e que já antecipa a atual crise financeira a partir desrepressão financeira dos anos 1970.

A segunda parte de Os antecedentes da tormenta é composta por artigos recentes elaborados para a imprensa ao longo dos acontecimentos mais críticos que abalaram a economia mundial. Esta seção inclui uma entrevista concedida pelo próprio autor ao jornalista Carlos Drummond, em março de 2008. Nela, Belluzzo comenta as causas da crise que se agravava e as decisões tomadas pelas instituições financeiras de diferentes países - em especial os Estados Unidos.

Todos os textos tiveram sua seleção, organização e revisão sob a responsabilidade de Frederico Mazzucchelli, professor livre docente do Instituto de Economia da Unicamp e ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.

Serviço
Os antecedentes da tormenta: origens da crise global
Luiz Gonzaga Belluzo
312 páginas - R$ 58,00 (em média)
Editora Unesp

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Linguagem e mente, Noam Chomsky

Referência obrigatória nos estudos sobre linguística, Linguagem e mente chega a sua terceira edição com um novo prefácio e com o acréscimo de um capítulo em que Noam Chomsky aborda a biolinguística. Agora, neste lançamento da Editora Unesp, o brilhante teórico da sintaxe discute sob novos ângulos até que ponto os princípios da linguagem são exclusivamente dependentes das características biológicas dos indivíduos, questão que o levou a conduzir uma revolução cognitiva nos anos 60 do século passado.

O novo texto desta coletânea de ensaios é o resultado da participação de Chomsky em conferência para o grande público realizada em 2004, na qual resgata a força de uma teoria biolinguística que já tomava corpo ao redor de seus estudos nos anos 1950, quando se opôs ao estruturalismo behaviorista. O recente ensaio aborda alguns dos importantes desenvolvimentos das últimas décadas e torna mais acessível o pensamento do autor, possibilitando ao leitor compreender os esforços despendidos para "biologizar" a linguagem.

Acompanhando as novidades dessa edição estão os consagrados ensaios que marcaram a história do estudo da linguística. Os primeiros capítulos apresentam as ideias de Chomsky sobre a natureza e a aquisição da linguagem como um sistema biológico, dotado geneticamente (Gramática Universal), cujas regras e princípios adquirimos como conhecimento interiorizado. Há espaço para apresentar a interpretação semântica de estruturas sintáticas e abordar as relações com a psicologia e a filosofia.

Em conjunto com a reflexão que trabalha as novas investigações empíricas, Chomsky revitaliza mais uma vez as áreas afins da aquisição e do processamento da linguagem. Com isso, Linguagem e mente abre perspectivas inaugurais para "novos e entusiasmantes desafios para o estudo da linguagem, em particular, e para os problemas sobre a mente, em geral".

Serviço
Linguagem e mente (3ª edição)
Noam Chomsky
Tradução: Roberto Leal Ferreira
341 páginas - R$ 49,00 (em média)
Editora Unesp

Poesia reunida - Euclides da Cunha


No centenário da morte de Euclides da Cunha, o leitor tem pela primeira vez acesso ao conjunto integral de seu acervo poético. Fruto de extensas pesquisas de Leopoldo Bernucci e Francisco Foot Hardman, Poesia reunida - Euclides da Cunha reúne a obra poética completa de Euclides, inclusive versos que permaneciam inéditos até este momento.

Quem já conhece o grande narrador do épico de Canudos, aqui pode se aprofundar nos traços estilísticos e retóricos deste autor ímpar. Mas os versos falam por si. Seus méritos decorrem da contribuição que acrescentam à história da cultura brasileira, da literatura, da crítica e da poesia. Versos que, no diálogo com a estética e a filosofia, revelam a complexa transição do romantismo ao modernismo no Brasil, entre as duas últimas décadas do século XIX e a primeira década do século XX.

Os temas das poesias de Euclides da Cunha vão do repúdio à escravidão e da utopia revolucionária republicana à metafísica do eu e da vida humana desgarrada da religião. Ele fala de morte e de glória, panteísmo e anticlericalismo, sem deixar de denunciar a miséria social, de fazer a militância antimonarquista e de acentuar o seu patriotismo.

Para organizar este Poesia reunida - Euclides da Cunha, Leopoldo Bernucci e Francisco Foot Hardman primeiro se deparam com o desafio de encarar duas realidades textuais distintas: a dos manuscritos não publicados - e muitas vezes rejeitados por Euclides - e os que foram editados, dispersos em jornais e periódicos. Também há de ser levar em conta os estados de conservação de tais manuscritos e mesmo as precárias condições editoriais dos poemas publicados para que tenhamos em justa conta os obstáculos enfrentados para que este livro ganhasse corpo e vida.

Sobre os organizadores - Leopoldo Bernucci é professor titular de estudos latino-americanos na Unviersidade da Califórnia, em Davis. Foi professor visitante na USP e também lecionou nas universidades de Yale, do Colorado e do Texas (Estados Unidos). É autor de História de um malentendido (Peter Lang), A imitação dos sentidos (Edusp), e organizador de Discurso, ciência e controvérsia em Euclides da Cunha (Edusp), entre outros livros. Francisco Foot Fardman é professor titular na área de Literatura e outras Prouções Culturais na Unicamp e pesquisador do CNPq em Literatura Brasileira. É autor, entre outros, de A vingança da Hileia e Nem pátria, nem patrão, e organizador de Morte e progresso, todos pela Editora Unesp.

Serviço
Poesia reunida - Euclides da Cunha
Euclides da Cunha
Organizadores: Leopoldo Bernucci e Francisco Foot Hardman
496 - págians - R$ 68,00 (em média)
Editora Unesp

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A revolução Peruana


O autor examina os três grandes ciclos de atividade radical: a fase de formulação do grande horizonte radical - representado pela obra de González Prada, Haya de la Torre e Mariátegui; a forja do campesinismo contemporâneo e sua correspondente tentativa de longa marcha armada, representada pela geração do agrarista trotskista Hugo Blanco Galcós e do "aprista rebelde" Luis de la Puente Uceda; e o ciclo constituído por três projetos que aspiravam estabelecer no mundo rural andino as bases da sua própria versão de nação pós-oligárquica: a "revolução militar" do general Juan Velasco Alvarado,a "nova esquerda" pós-guerrilheira e a "guerra popular" senderista encabeçada por Abimael Guzmán Reynoso.

Serviço
A Revolução Peruana
José Luis Rénique
174 páginas - R$ 20,00 (em média)
Editora Unesp

História da Escrita


História da escrita, lançamento da Editora Unesp,é uma introdução atualizada desta ferramenta versátil que dá base à comunicação há seis mil anos. O linguista americano Steven Roger Fischer apresenta as dinâmicas sociais que envolvem a escrita, assim como suas origens, formas, funções e mudanças cronológicas dos sistemas de escrita em todo o mundo, das primeiras inscrições até os meios eletrônicos.

Fischer parte da dupla constatação de que escrita nasceu da necessidade humana de transmitir e armazenar informações e que grande parte dos sistemas de escrita inventados ao longo dos séculos se extinguiu. E isso acontece porque as formas de escrita mais antigas não se enquadram no conceito de escrita completa. Ou seja, não atendem a estes três requisitos: ter como objetivo a comunicação, consistir em marcações gráficas artificiais feitas em uma superfície durável e usar marcas que se relacionem entre si, que se articulem como a fala.

E à medida que a sociedade descobre novas necessidades e novas respostas, a escrita muda, se refina. Ou seja, a escrita muda à medida que a humanidade se transforma, dimensão da condição humana que Fisher acompanha passo a passo, chegando às novas estruturas onde computadores podem tanto "escrever" mensagens quanto programas inteiros. Com isso, os novos sistemas transcendem o que por muito tempo significou para nós a palavra escrita.

História da escrita ressalta ainda a autonomia que a escrita adquiriu como meio de transmissão de informações com a passagem da leitura em voz alta para a silenciosa. Quanto à democratização da escrita, outro aspecto importante que o autor apresenta é a popularização e o crescimento da indústria do papel, possibilitando a alfabetização em massa. O que antes era acessível a poucos, hoje faz parte do cotidiano de 85% da população mundial, aproximadamente cinco bilhões de pessoas.

Serviço
História da Escrita
Steven Roger Fischer
293 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Unesp

Estudo analisa o papel do Brasil nas negociações internacionais


Apesar das profundas transformações que o Brasil sofreu nos anos 90 rumo à liberalização econômica, o que se vê é que o país continua sendo um dos mais resistentes, no âmbito dos fóruns econômicos mundiais, para assumir compromissos que tornariam as medidas já adotadas reconhecidas em termos de direitos e obrigações legais. Esse comportamento paradoxal é o ponto de partida para o estudo de Neusa Maria Pereira Bojikian em Acordos comerciais internacionais: o Brasil nas negociações do setor de serviços financeiros, lançamento da Editora Unesp que analisa como a "liberalização administrada" se impôs como a opção mais racional para as autoridades nacionais.

Na obra, a autora questiona por que a abertura financeira verificada no Brasil não corresponde ao grau de compromisso para com a liberalização apresentado pelo país na OMC, no Mercosul, na Alca e nas negociações com a União Europeia. Para responder à indagação, Bojikian lança um olhar crítico sobre as transformações econômicas pelas quais o país passou nas duas últimas décadas e para o papel de liderança que o Brasil assume, desde a década de 60, nas coalizões que procuram fortalecer a capacidade de negociação dos países em desenvolvimento.

Para tanto, Acordos comerciais internacionais se divide em cinco partes. Na primeira, a especialista apresenta aspectos conceituais em matéria das negociações feitas em fóruns internacionais. Em seguida, traça a história desses eventos desde os anos 70 até meados dos 80, com destaque para o clima de conflito que se instalou desde o início do debate sobre liberalização do comércio e serviços e a posição do Brasil nesse embate.

Na terceira parte, explora o que significou a abertura financeira do país na década de 90 para logo depois analisar as decisões tomadas pelo Brasil e por outros países nos fóruns internacionais no que tange ao setor de Serviços Financeiros. Assim, é possível verificar em que medida as ofertas brasileiras se diferenciam da situação real de abertura do setor. Percebe-se neste caminho que o Brasil usa as mesmas estratégias e táticas de negociações dos principais países desenvolvidos.

Na quinta parte, a autora analisa a natureza da atual crise, pondo em discussão a possibilidade de uma nova regulamentação no sistema financeiro e um eventual conflito diante dos compromissos já assumidos ou mesmo dos que viriam a ser assumidos no âmbito dos acordos comerciais. O exame acaba evidenciando também como o fato de ter resistido às pressões para a consolidação da abertura no âmbito das negociações comerciais acabou contribuindo para preservar o Brasil de mais uma extraordinária crise financeira.

Serviço
Acordos comerciais internacionais:
O Brasil nas negociações do setor de serviços financeiros
Neusa Maria Pereira Bojikian
273 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Unesp

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Obra discute o ensino de matemática entre os índios do Alto Xingu


Em uma cultura rica de signos em simbolismos, como a indígena, de que maneira deve ser efetivado o ensino da Matemática? Como os povos indígenas entendem ser a Matemática? Por que queriam aprender Matemática? Para responder a tais questões, cruciais tanto para a Antropologia quanto par a Pedagogia, Pedro Paulo Scandiuzzi vivenciou a experiência de trabalhar com a sociedade kuikuro, no Alto Xingu, relatando suas descobertas e interpretações sobre trocas culturais em Educação indígena X educação escolar indígena, lançamento da Editora Unesp.

Ao relacionar a educação indígena e a educação escolar indígena, ou seja, aquela que é proposta pela sociedade nacional, Scandiuzzi também nos mostra um universo pleno de simbolismos. Trabalhando com o conceito de etnomatemática, penetra no mundo de simbolismo dos kuikuro para, em conjunto com este povo, usufruir de uma nova produção de conhecimento matemático, até então desconhecida por nós. Vemos, como exemplo da complexidade cultural deste povo, que as figuras geométricas não são apenas "desenhos", mas carregam um significado mitológico, fazem parte dessa sociedade "como forma de identidade, de comunicação visual e de transmissão do saber produzido na teoria e na empiria", por meio da observação sistemática do Sol e da Lua.

Motivando os kuikuros a desbravarem o que nós denominamos Geometria a partir do espaço visual da aldeia e da mata, descortina-se a estética das construções, dos artefatos e de todo um ritual que segue formas geométricas. Traz a público conhecimentos étnicos sem desrespeitar o sagrado dessas etnias, construindo pontes de conhecimento, abrindo caminhos entre diferentes saberes e realidades. Para isso, também oferece estratégias para os educadores que atendam as necessidades e respeitem a diversidade cultural das sociedades indígenas.

Serviço
Educação indígena X educação escolar indígena: Uma relação etnocida em uma pesquisa
etnomatemática
Pedro Paulo Scandiuzzi
110 páginas - R$ 26,00
Editora Unesp

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Euclides reunido

No centenário da morte de Euclides da Cunha, o leitor tem pela primeira vez acesso ao conjunto integral de seu acervo poético. Fruto de extensas pesquisas de Leopoldo Bernucci e Francisco Foot Hardman, Poesia reunida - Euclides da Cunha reúne a obra poética completa de Euclides, inclusive versos que permaneciam inéditos até este momento.

Quem já conhece o grande narrador do épico de Canudos, aqui pode se aprofundar nos traços estilísticos e retóricos deste autor ímpar. Mas os versos falam por si. Seus méritos decorrem da contribuição que acrescentam à história da cultura brasileira, da literatura, da crítica e da poesia. Versos que, no diálogo com a estética e a filosofia, revelam a complexa transição do romantismo ao modernismo no Brasil, entre as duas últimas décadas do século XIX e a primeira década do século XX.

Os temas das poesias de Euclides da Cunha vão do repúdio à escravidão e da utopia revolucionária republicana à metafísica do eu e da vida humana desgarrada da religião. Ele fala de morte e de glória, panteísmo e anticlericalismo, sem deixar de denunciar a miséria social, de fazer a militância antimonarquista e de acentuar o seu patriotismo.

Para organizar este Poesia reunida - Euclides da Cunha, Leopoldo Bernucci e Francisco Foot Hardman primeiro se deparam com o desafio de encarar duas realidades textuais distintas: a dos manuscritos não publicados – e muitas vezes rejeitados por Euclides – e os que foram editados, dispersos em jornais e periódicos. Também há de ser levar em conta os estados de conservação de tais manuscritos e mesmo as precárias condições editoriais dos poemas publicados para que tenhamos em justa conta os obstáculos enfrentados para que este livro ganhasse corpo e vida.

Sobre os organizadores - Leopoldo Bernucci é professor titular de estudos latino-americanos na Unviersidade da Califórnia, em Davis. Foi professor visitante na USP e também lecionou nas universidades de Yale, do Colorado e do Texas (Estados Unidos). É autor de História de um malentendido (Peter Lang), A imitação dos sentidos (Edusp), e organizador de Discurso, ciência e controvérsia em Euclides da Cunha (Edusp), entre outros livros. Francisco Foot Fardman é professor titular na área de Literatura e outras Prouções Culturais na Unicamp e pesquisador do CNPq em Literatura Brasileira. É autor, entre outros, de A vingança da Hileia e Nem pátria, nem patrão, e organizador de Morte e progresso, todos pela Editora Unesp.

Serviço
Poesia Reunida - Euclides da Cunha
Organização: Leopoldo Bernucci e Franciso Foot Hardman
496 páginas - R$ 68,00 (em média)
Editora Unesp

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Diálogos no inferno

"Este livro tem traços que podem aplicar-se a todos os governos", já adverte Maurice Joly no início de seu livro Diálogo no inferno entre Maquiavel e Montesquieu, novo título da Coleção Pequenos Frascos, lançado pela Editora Unesp. Apesar de sua publicação original ter sido feita há quase 150 anos, Joly não poderia ser mais universal e contemporâneo. Isso porque o embate ideológico imaginado pelo autor é muito mais do que um debate de conceitos divergentes: é a própria defesa dos regimes políticos de liberdade contra os regimes autoritários.

Entretanto, na época de sua produção, a obra tinha como objetivo atingir um governo e um governante específicos. Quando Diálogo no inferno entre Maquiavel e Montesquieu foi escrito, Maurice Joly vivia numa França sacudida por revoluções e transições de ordem política, e acabava de ver ascender ao trono Napoleão III (sobrinho de Napoleão Bonaparte), que instaurou um império despótico e desencadeou as reações liberais dos republicanos franceses.

Em resposta às condutas do novo imperador, Joly idealizou um embate histórico entre dois pensadores que marcaram a história política do mundo ocidental. Colocando os autores de O príncipe e de O espírito das leis (cujas vidas se separam por mais de um século) para defender seus conceitos, o escritor põe em discussão ideais muito maiores. Criou uma discussão entre a Força e a Lei, a Astúcia e o Direito, o Interesse e a Moral.

O resultado é a oposição de duas linhas de argumentos fortes que se embatem num diálogo lógico que desperta a atenção do leitor. Exatamente por isso, a obra se configura não só como uma aula sobre o pensamento político desses dois grandes pensadores, mas uma fonte de reflexão sobre os regimes políticos para todo o mundo contemporâneo.

Serviço
Diálogo no inferno entre Maquiavel e Montesquieu
Maurice Joly
Tradução: Nilson Moulin
356 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Unesp

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A reunificação alemã


Às vésperas de completar 20 anos da queda do Muro de Berlim (dia 9 de novembro de 1989), a Editora Unesp relança A reunificação da Alemanha - do ideal socialista ao socialismo real, obra em que o cientista político e historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira apresenta vários aspectos inéditos do processo que culminou com a queda dos regimes comunistas no Leste Europeu, a derrubada do muro e a desintegração do chamado Bloco Socialista.

Um desses aspectos é a participação do KGB, o serviço secreto soviético, com a colaboração de Markus Wolf e Erich Mielke, dirigentes do Stasi, o serviço de inteligência alemão, na derrubada de Erich Honecker, uma vez que ele se opunha à glasnost e perestroika, promovida por Mikhail Gorbachev.

Esta e outras informações sobre as lutas internas entre os dirigentes da extinta República Democrática Alemã, antes e depois da demolição do Muro de Berlim, foram obtidas por meio de entrevistas feitas diretamente com Egon Krenz, o sucessor de Honecker como primeiro-
secretário do SED (Partido Socialista Unificado da Alemanha) e presidente do Conselho de Estado da RDA. Além dele, Hans Modrow e Lothar de Maizière que exerceram o posto de primeiro-ministro entre a demolição do Muro de Berlim em 1989 e a reunificação da Alemanha (3 de outubro de 1990), bem como com Günter Schabowski, membro Politburo do SED, do qual era igualmente o primeiro-secretário no Distrito de Berlim.

Vernon Walter, embaixador dos Estados Unidos em Bonn, também deu o seu depoimento. Todos esses homens desempenharam o mais relevante papel nos acontecimentos, e suas entrevistas, concedidas entre janeiro e fevereiro de 1991, permitiram que Moniz Bandeira reconstruísse a história e desvelasse a trama que ocorreu nos bastidores da RDA antes e depois da queda do Muro de Berlim por pressão popular, condenando o regime comunista ao desmoronamento e possibilitando a reunificação.

Serviço
A reunificação da Alemanha - Do ideal socialista ao socialismo real
(3a. edição revista e ampliada)
Luiz Alberto Moniz Bandeira
236 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Unesp

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Repensando Freyre


Originalmente concebido para o público estrangeiro, Repensando os Trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre, lançamento da Editora Unesp, oferece aos leitores lusófonos a oportunidade de encontrar uma análise global que vai muito além de Casa grande e senzala. Combinando os trabalhos de pesquisa desenvolvidos por Maria Lúcia Pallares-Burke e Peter Burke, a obra traduz muito da visão internacional que Freyre tinha de seu país, analisando-o, por vezes, como participante de seu processo histórico e, por outras, como um crítico analisador de seus costumes.

O livro valoriza um Freyre crítico cultural e intelectual público, que se pronunciava sobre arquitetura, raça, regionalismo e sexo. Conta também como ele lia e escrevia intensamente, tendo o apoio de familiares, amigos e discípulos que digitavam seus manuscritos (originalmente escritos a lápis) ou copiavam documentos para ele nos arquivos. É mostrado como um rompedor de tabus, dono de um estilo coloquial que ofendeu alguns de seus primeiros leitores no início da década de 1930.

Na tentativa de explicar o multidisciplinar pesquisador - que além de historiador foi um ativo sociólogo, jornalista, crítico cultural, deputado, romancista, poeta e artista plástico - Maria Lúcia e Peter Burke buscaram em entrevistas a conhecidos do pernambucano, em teses acadêmicas, pesquisas sobre hábitos brasileiros e documentos redigidos pelo próprio Freyre a fonte para construir uma narrativa substancial sobre sua vida e trabalho. Ao mesmo tempo em que fazem uma abordagem crítica da obra escrita pelo pernambucano, os Burke reconhecem suas muitas qualidades positivas, apresentando uma rica variedade de contextos culturais e políticos, em vez de simplesmente analisarem textos.

Repensando os Trópicos contextualiza e atualiza o pensamento e os acontecimentos que levaram às análises do sociólogo, descrito pelos autores como "um grande
pensador social; um dos poucos que não surgiram da Europa Ocidental ou dos Estados Unidos" e que, por esse mesmo motivo, é singular em sua maneira de interpretar os
fatos. Uma obra que destaca uma das forças de Gilberto Freyre, a de conseguir observar o Brasil tanto de um ponto de vista externo quanto interno.

Serviço
Repensando os Trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre
Maria Lúcia G. Pallares-Burke, Peter Burke
379 páginas - R$ 6200 (em média)
Editora Unesp

Galileu e a Biblia


Traduzida diretamente dos documentos originais por Carlos Artur do Nascimento, especialista em filosofia e história medieval, chega agora ao Brasil a compilação das famosas cartas copérnicas, onde Galileu Galilei discute com representantes da nobreza e clero do século XVII a ideia de que a terra gira em torno do Sol. Em Ciência e Fé - cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano com a Bíblia, lançamento da Editora Unesp, o leitor terá a chance de se aprofundar nos pontos principais da argumentação galileana sobre o papel da interpretação religiosa e científica, numa coletânea que antecipa o famoso embate entre o astrônomo e a Inquisição no ano de 1616.

Estes diversos documentos foram produzidos entre 1613 e 1616, entre cartas e comentários enviados pelo próprio Galileu a D. Benedetto Castelli, ao Monsenhor Piero Dini e à Senhora Cristina de Lorena, Grã-duquesa mãe da Toscana. Nos textos, o astrônomo traz suas conclusões científicas, baseadas em estudos empíricos. Ao mesmo tempo, atesta a validade dos ensinamentos bíblicos uma vez que os considera essenciais para a construção moral e religiosa do povo, sem acreditar, entretanto, que devam ser interpretados à luz das ciências da Natureza.

Além das cartas, Ciência e Fé traz comentários de Galileu sobre os estudos de Copérnico e de sua teoria heliocêntrica documentados nas três Considerações sobre a opinião copernicana. É graças à sua crença nessa teoria - que comprovou ao estudar as fases do planeta Vênus - que o astrônomo é considerado um herege pela Inquisição pouco tempo depois. Entre os textos reunidos no livro, estão também registros dos pensamentos da Igreja em relação às conclusões do cientista, em carta do Cardeal Roberto Belarmino, então consultor do Papa para assuntos da Inquisição. Há ainda o decreto da Congregação do Índice que proibia a publicação dos estudos de Nicolau Copérnico (1473 - 1543) sobre a teoria heliocêntrica.

Serviço
Ciência e Fé - cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano com a Bíblia
Galileu Galilei
Tradução e organização: Carlos Artur R. do Nascimento
143 páginas - R$ 26,00 (em média)
Editora Unesp

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Arte e Eduação


A necessidade de se procurar métodos cada vez mais efetivos para aproximar a arte da educação é o tema central de Arte/Educação como Mediação Cultural e Social. A coletânea traz textos de diversos pesquisadores que questionam os métodos utilizados por museus, centros culturais e organizações sociais para promover a educação por meio de exposições, além de traçar paralelos com propostas de países como Estados Unidos, França, Portugal e Espanha.

A falta de profissionalização específica para os mediadores entre arte e educação no Brasil é um dos problemas discutidos nos trabalhos reunidos por Ana Mae Barbosa e Rejane Galvão Coutinho neste lançamento da Editora Unesp. O grande desafio é pensar numa interação que não somente explique os diferentes movimentos artísticos ao longo da História, mas que consiga desenvolver a criatividade, a curiosidade e a capacidade crítica dos alunos, extrapolando o campo artístico e trazendo essas percepções para a vida fora das exposições.

As pesquisas são agrupadas em quatro tópicos, de modo a marcar os principais interesses de cada análise: Questões da Mediação aborda discussões gerais sobre o conceito e a aplicação das mediações; Mediação em Museus e Centros Culturais, com análise de experiências nesses setores; A Mediação e o Contexto Educacional, que mescla as propostas postas em prática nas exposições com as diretrizes da educação formal, e Mediação e Reconstrução Social, as possibilidades que a relação entre arte e cultura trazem para um aperfeiçoamento da sociedade.

Serviço
Arte/Educação como Mediação Cultural e Social
Ana Mae Barbosa e Rejane Galvão Coutinho
346 páginas - R$ 42, 00 (em média)
Editora Unesp

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Arte, Ciência e Tecnologia

Arte, ciência e tecnologia: passado, presente e desafios, lançamento da Editora Unesp em parceria com o Itaú Cultural, é o resultado do esforço coletivo de especialistas internacionais em muitas disciplinas, atuantes em variados campos de conhecimento. Atendendo ao convite ecebido para realizar uma publicação no Brasil, somada a outras publicações internacionais, em diversos formatos de textos e material multimídia e em línguas diversas, eles trabalham com foco histórico na relação entre arte, ciência e tecnologia.

A antologia inclui convidados especiais que são referência histórica da relação entre arte, ciência e tecnologia no Brasil. O objetivo é colocar na história da arte, em nosso país, os elementos necessários e as estratégias que configuram as teorias desse campo de conhecimento, bem como artistas, instituições, tipos de documentação, a relação com os espaços de exposição/museus e coleções, metodologias adequadas ao estudo, especialmente pelas abordagens historiográficas, discussão de problemas científicos e as influências recíprocas nas trocas entre arte, ciência e tecnologia.

Os textos chamam a atenção para a necessidade urgente de se documentar estas novas práticas criativas, assim como fornecer plataformas teóricas para discuti-las e analisá-las. E estes pesquisadores, criadores e estudiosos na área de artemídia, referências históricas da relação arte, ciência e tecnologia, também observam o movimento inverso, de engenheiros e cientistas envolvidos na expressão cultural contemporânea. E não apenas os sistemas digitais, mas também campos como nanotecnologia, engenharia genética e exploração espacial são apropriados culturalmente.

Serviço
Arte, ciência e tecnologia: passado, presente e desafios
Organizadora: Diana Maria Gallicchio Domingues
570 páginas - R$ 59,00 (em média)
Editora Unesp

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Análise cultural da Revolução Francesa

O historiador francês Roger Chartier é mundialmente reconhecido por seu trabalho no estudo sobre conteúdo de livros e comportamento de leitores de diferentes culturas e épocas. Em seu novo ensaio, Origens culturais da Revolução Francesa, lançado no Brasil pela Editora Unesp, o pesquisador muda o foco de sua abordagem, percorrendo as razões históricas que tornaram possível a Revolução Francesa, sugerindo debates e questionamentos ao invés de um mero resumo dos fatos. Seu estudo valoriza principalmente a análise sociológica e cultural da França ao longo de todo o século XVIII.

O livro acaba por se configurar em um curso sobre a história francesa que antecede a Revolução e suas consequências, positivas e negativas. Afinal, o autor não usa um tom ufanista ao debater as maneiras (geralmente violentas) encontradas pelos revolucionários para implantar suas mudanças. Pelo contrário, é muito crítico em relação às transformações geradas no campo da política, da religião e da relação interpessoal pós-revolucionária.

Sua análise traça uma lógica entre as origens do Iluminismo, a importância da popularização da leitura de livros e panfletos para a difusão de ideias e discussões. Neste ponto, Chartier faz uso de seu conhecimento sobre livros e leitura para apontar em que medida a palavra impressa foi decisiva para a dessacralização do rei absolutista, antes "pai do povo e regenerador da França", e de sua monarquia.

O historiador ainda dedica parte de seu trabalho à forma de vida e aos interesses dos camponeses, à cultura da nobreza e também da burguesia parisiense desde o século XVII até o XVIII. Chartier baseia sua pesquisa numa bibliografia extensa, mas fundamentada sobretudo nas obras de Daniel Mornet, autor de Les Origines Intellectuelles de la Révolution Française, Hippolyte Taine e Aléxis de Tocqueville, de quem o autor empresta argumentos e a quem faz críticas em determinadas análises.

Serviço
Origens culturais da Revolução Francesa
Autor: Roger Chartier
316 páginas - R$ 46,00 (em média)
Editora Unesp