
terça-feira, 5 de outubro de 2010
A aventura surrealista - Sergio Lima

domingo, 25 de abril de 2010
Juó Bananére - Irrisor, Irrisório - Carlos Eduardo S. Capela

Parece que Juó Bananére tornou-se ele mesmo um “sujeito literário”, ou um “ser da escrita”, pois inventado por Alexandre Marcondes Machado acabou por reinventar seu inventor como escritor. Talvez se possa dizer que na escritura cômica e macarrônica brasileira existe Juó Bananére e não Alexandre Marcondes Machado.
Fenômeno semelhante acontece com o Barão de Itararé e seu inventor Aparício Torelly, além de alguns outros, que trabalham com o gênero cômico popular. Isso indica que o cômico popular – que tem origem nas festas coletivas, nas práticas de expropriação, ocultação e hibridização de materiais, nas combinações disparatadas e arbitrárias – quando se realiza na escrita contamina-a com essa “lógica” diversa e a transforma em “outra coisa”, que não o padrão erudito e seu aparato de poder.
Juó Bananére irrisor, irrisório de Carlos Eduardo Schmidt Capela, com seu acuradíssimo estudo inicial e a magnífica antologia que o segue, dá conta das dimensões problemáticas, e também criativas e inventivas, da escritura do principal cômico-macarrônico brasileiro, em quantidade e qualidade.
Colaborando intensamente em O Pirralho, a revista paulistana criada por Oswald de Andrade e amigos, juntando charges e caricaturas de Voltolino, desde 1911, continua até 1917 e nos anos seguintes em outras publicações humorísticas de teor semelhante (O Queixoso, A Vespa, A Manha, esta do Barão de Itararé) só findando com a morte de Alexandre Marcondes Machado, em 1933.
A força humorística e satírica do cômico macarrônico institui sua autonomia frente ao cânone erudito e os padrões de leitura deste não servem e não dão conta desse corpo estranho no mundo da escrita. Isso lembra os problemas de leitura da obra do Marquês de Sade (este por diverso motivo).
Assim, Juó Bananére, sendo moderno pelas inúmeras implicações sociais e de linguagem de sua escrita, não pode ser visto como “precursor” do modernismo erudito da Semana de 1922. O estatuto de sua representação é bem outro. E, falando com radicalidade, seu italiano imigrante pobre em São Paulo – e os ítalo-paulistas – aparece como uma espécie viva e monstruosa de bagaço social e cultural. E essa espécie de bagaço fala e escreve pela voz dos despossuídos do país, o qual nunca terá prestígio mas se impõe como uma afronta, uma escrita afrontosa, já que não é bagaço de si próprio, senão dos poderes do Capital.
Serviço
Juó Bananére - Irrisor, Irrisório
Carlos Eduardo S. Capela
538 páginas - R$ 80,00 (em média)
Editora Nankin Editorial / Edusp
A poesia completa de Machado de Assis

As poesias de Machado de Assis já mereceram algumas edições, desde 1901, aquela organizada pelo próprio poeta, mas nada que se compare à escala da publicação de sua prosa, especialmente contos e romances. Como sabido, Machado escolheu o que ele considerava o melhor e excluiu muitos poemas, que foram depois recuperados e incorporados por editores e editoras, formando afinal um conjunto que vem sendo chamado de Poesias Completas, embora se constate que continuam mais ou menos incompletas...
Por sua vez a Comissão Machado de Assis, nos idos dos anos de 1950-1960, produziu uma edição crítica das Poesias Completas, restaurando o que seria a última vontade do autor, como o fez com as obras em prosa que Machado havia publicado em vida. Foi restaurada, com texto confiável, a edição de 1901.
Nesse século decorrido, diversos e cuidadosos pesquisadores – merecendo realce Raimundo Magalhães Jr. e Jean-Michel Massa, entre outros – examinaram jornais e revistas (e mesmo documentos particulares) do século xix e levantaram muitos textos “desprezados” ou “esquecidos” e os fizeram integrar às poesias machadianas.
Esta nova edição incorpora tudo o que até agora se conhece dessas poesias, oferecendo preciosas notas de esclarecimentos, tanto das origens e publicação, quanto de problemas de linguagem, cortes, modificações e dúvidas. Trata-se pois de edição cuidadosamente anotada pela jovem pesquisadora Rutzkaya Queiroz dos Reis, tudo feito no âmbito de pesquisas na Universidade de Campinas. Foi incorporada, pela primeira vez em livro, até mesmo a paródia machadiana de fragmento do Inferno da Divina Comédia, de Dante, recuperada em pesquisa de Eugênio Vinci de Moraes, existindo referência anterior a ela, mas não sua transcrição, em Raimundo Magalhães Jr.
Com esta edição – produto de esforços comuns da Edusp e da Nankin Editorial – os pesquisadores, estudiosos e poetas do Brasil e de alhures terão acesso à Poesia Completa em edição plenamente confiável, com tudo o que até hoje foi encontrado e publicado, ou não.
Completa este volume uma considerável fortuna crítica da época das publicações dos livros de poemas de Machado, contribuição esclarecedora da repercussão então alcançada. Vale notar que Machado de Assis cuidou com carinho e atenção de sua poesia, diferentemente do que certa tradição crítica, meio atrabiliária, veio a firmar, como se ele fosse apenas um mau poeta, ou nem de fato poeta fosse...
Serviço
A poesia completa de Machado de Assis
Machado de Assis
Organização: Rutzkaya Queiroz dos reis
752 páginas - R$ 100,00 (em média)
Editora Nankin Editorial/ Edusp
segunda-feira, 5 de abril de 2010
A travessia das Fronteiras - Jean-Pierre Vernant
Serviço
A travessia das Fronteiras
Jean-Pierre Vernant
Tradução: Mary Amazaonas Leite de Barros
216 páginas - R$ 35,00 (em média)
Editora Edusp
sábado, 3 de abril de 2010
Os três dedos de Adão - Hilário Franco Jr.
Dentre os estudos medievalísticos desenvolvidos no fim do século XX, a mitologia medieval é um dos temas menos explorados dentro do campo que ficou conhecido como Antropologia histórica do Ocidente Medieval. Dando continuidade ao trabalho iniciado com o livro A Eva Barbada, também publicado pela Edusp, Os Três Dedos de Adão reúne doze ensaios sobre esse campo da história, escritos ao longo de dez anos de trabalho acadêmico. Entretanto, a singularidade do tema é apenas um dos fatores que comprovam a importância histórica e cultural desta obra que retrata e permite conhecer uma sociedade que negava sua face mítica, embora “todas as pessoas vivessem de mitos e pelos mitos”. Os ensaios valorizam o diálogo travado entre o cristianismo medieval e as mitologias judaica, greco-romana e céltica, bem como seu enquadramento nas práticas políticas, sociais e culturais da época.
Serviço
Os três dedos de Adão
Hilário Franco Jr.
420 págians - R$ 65,00 (em média)
Editora Edusp
Sertão, República e Nação - Dawid Danilo
Ao longo do tempo, as diferentes interpretações sobre o movimento de Canudos têm sofrido mudanças radicais, e tanto a demonização quanto a sacralização minaram a possibilidade de discutir questões como interesses de poder, formas de dominação ou exercício da violência. Para Bartelt, Canudos foi mais um acontecimento discursivo que um acontecimento militar. Neste estudo, procura entender o fenômeno na interseção de quatro campos: o sertão como interior ou hinterland nacional; a comunidade de Canudos como normalidade do sertão; a república como o campo das lutas decisivas pelo poder; e a nação que se sentiu obrigada pelo movimento de Canudos a reformular sua relação com o sertão. Canudos como evento discursivo foi um acontecimento de mídia, portanto, a imprensa da época foi o centro de sua análise, especialmente os jornais do Rio de Janeiro e de Salvador, além de outros em Pernambuco e São Paulo.
Serviço
Sertão, República e Nação
Dawid Danilo
Tradução Johannes Kretschmer e Raquel Abi-Sâmara
376 páginas - R$ 73,00 (em média)
Editora Edusp
terça-feira, 16 de março de 2010
Qorpo-Santo Inovação e Conservação - Marco Antonio Arantes

Tido como um dos autores mais complexos e estranhos da língua portuguesa, a escrita e a vida de Qorpo-Santo giram em torno da incongruência e da dubiedade expressas na Ensiqlopèdia, obra composta por pequenos textos de aforismos, crônicas e observações de natureza literária, política, filosófica, jurídica e religiosa. Neste livro, Marco Antonio Arantes analisa a vida e a obra de Qorpo-Santo, ou José Joaquim de Campos Leão, apoiando-se nas teses de Michel Foucault acerca do estatuto do autor na obra literária. Para o autor, Qorpo-Santo com a Ensiqlopèdia apresenta-se múltiplo, incapaz de ser apanhado como autor ou lido como obra acabada. Sua escrita fragmentada, revisada, contradita, acompanhada da publicação de laudos médicos, sentenças judiciais e demais afirmações sobre sua vida privada e pública explicita a atualidade da construção da autoria.
Serviço
Qorpo-Santo Inovação e Conservação
Marco Antonio Arantes
224 páginas - R$ 31,00 (em média)
Editora Edusp
terça-feira, 9 de março de 2010
Transgressão e Culpa - Lúcio Cardoso e Julian Green

Teresa de Almeida propõe neste livro uma análise comparativa da obra de Lúcio Cardoso e Julien Green, escritores que se distinguiram por um sentimento angustiado do embate entre forças interiores extremas. Baseando-se em semelhanças evidentes, e fundamentada em uma bibliografia relevante, a autora preocupa-se em destacar o diálogo de situações que aproximam os dois escritores, identificando as circunstâncias semelhantes, o círculo de amizades, as referências literárias de ambos. A análise de Teresa estrutura-se em duas partes. A primeira compreende o contexto estético e religioso das duas culturas, e a segunda, o confronto entre temas e imagens presentes nos dois autores. Assim, o livro segue um movimento de fora para dentro, em um aprofundamento que busca os pormenores e, por meio deles, apreender outros laços, estes mais propriamente literários.
Serviço
Transgressão e Culpa - Lúcio Cardoso e Julian Green
Teresa de Almedia
240 páginas - R$ 48,00 (em média)
Editora Edusp
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Roupa de Artista - o vestuário na Obra de Arte

Em Roupa de artista, O vestuário na obra de arte , a historiadora da arte Cacilda Teixeira da Costa analisa obras desde o Renascimento aos dias atuais. De elemento complementar, a roupa se tornou, no decorrer do tempo, importante protagonista. A edição faz interface com a História da Arte e com a Moda. Descrições pictóricas, interpretações e apropriações do vestuário estão presentes nos principais movimentos da história da arte por meio da pintura, escultura, desenho, gravura, performance e outras categorias artísticas, como mostra a autora no decorrer do título. Além disso, contrapondo-se à indumentária, a nudez também está presente em alguns exemplos clássicos dessa relação, como em Ticiano, nas Majas de Goya ou em Manet.
Serviço
Roupa de Artista - o vestuário na Obra de Arte
Ccilda Teiceria da Costa
312 páginas - R$ 120,00 (em média)
Editora Edusp / Imprensa Oficial
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Fronteira Amazônica

'Fronteira Amazônica' cobre os 150 anos em que os primeiros cientistas europeus exploraram as riquezas naturais da Amazônia. Vários encontros com as novas tribos continuaram ocorrendo durante o século XIX, particularmente quando o monopólio seringueiro fez de Manaus uma cidade de fronteira e quando o número de indígenas diminuiu, fato que os transformou de inimigos ferozes a objetos de estudos antropológicos ou da literatura romântica. Neste livro, John Hemming cobre o período que vai da expulsão dos jesuítas até a criação do Serviço de Proteção ao Índio no Brasil e abertura de uma nova era de tolerância para com seus povos nativos.
Serviço
Fronteira Amazônica
John Hemming
Tradução: Antonio de Padua Danesi
712 páginas - R$ 108,00 (em média)
Editora Edusp
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Escravismo em São Paulo e Minas Gerais

Reúne artigos sobre história demográfica e estrutura econômica nas duas províncias nos séculos 18 e 19. As pesquisas têm como base documentos da época que evidenciam uma sociedade mais complexa e diversificada do que aquela descrita por estudos realizados até meados do século 20. A história de negros que, após alforriados, compravam escravos para trabalharem para eles. Segundo os pesquisadores, o livro é um dos diversos trabalhos de revisão historiográfica realizados nas últimas décadas no país, o que consideram um grande avanço e uma importante contribuição para o conhecimento da formação econômica e populacional do Brasil. A visão da história foi construída, em grande parte, com base em relatos de viajantes europeus, com o ponto de vista deles. Mas, por via de regra, os europeus chegavam aqui e visitavam apenas os grandes proprietários, ou seja, relatavam a realidade de forma reduzida.
Serviço
Escravismo em São Paulo e Minas Gerais
Franciso Luna, Iraci Del nero da Costa e Hebert S. Klein
624 páginas - R$ 60,00 (em média)
Editora Edusp
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
A São Paulo dos espanhóis

A presença dos imigrantes espanhóis em São Paulo é um fenômeno numericamente importante, suplantado apenas pelos portugueses e italianos, mas não tem a mesma visibilidade que outros contingentes populacionais. Esta é uma questão que Marília Cánovas se propõe a elucidar neste livro, que inaugura a Coleção História das Migrações. A autora acredita que a inexistência, a fragmentação e a dispersão das fontes e da documentação são alguns dos fatores responsáveis pela ausência de trabalhos sobre o espanhol, especialmente no período considerado, de fins do século XIX e início do XX. Merece destaque a descoberta e o tratamento minucioso de fontes originais como o Diário Espanhol e os Livros de Registro de Imigrantes consultados no consulado, a ampla cobertura da bibliografia disponível sobre espanhóis no Brasil, inclusive das fontes literárias, e a estrutura clara e coerente de organização do texto.
Serviço
Imigrantes Espanhóis na Pauliceia
Marilia Dalva Klaumann Cánovas
600 páginas - R$ 84,00 (em média)
Editora Fapesp e Edusp
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Comunicação Popular Escrita

Desde a década de 1970, diversos estudos foram feitos sobre a grafitagem, mas inexistem estudos mais abrangentes sobre a comunicação popular escrita em suas diferentes manifestações e suportes. Neste livro, Américo Pellegrini Filho apresenta o resultado de vinte anos de pesquisa em mais de cem países, nos quais coletou e classificou mais de 10.000 mensagens, que incluem cartões de boas festas, escritos em lápides, frases em sanitários públicos, camisetas, pichações, entre muitos outros. As amostras foram registradas entre 1988 e 2007 e estão classificadas em 22 classes e 40 temas e subtemas, e são reproduzidas no livro nas línguas originais com a devida tradução - 42 línguas e quatro dialetos. Acompanha o livro um CD-rom com explicações complementares, levantamento bibliográfico, o acervo coletado em ilustrações, além do detalhamento das viagens do autor.
Serviço
Comunicação Popular Escrita
Americo Pellegrini Filho
696 páginas - R$ 70,00 (em média)
Editora Edusp
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
O pensamento de Bakhtin

Este livro detalha, com profundidade, conceitos-chave e períodos de construção do pensamento bakhtiniano. Sua introdução esclarece a posição de diversos autores diante dos escritos de M. Bakhtin e de seu círculo, bem como as perspectivas de estudiosos que trilharam as veredas constituídas pelos trabalhos e pela maneira como foram sendo conhecidos, principalmente no Ocidente. A idéia de prosa e de uma “prosaística”, o que inclui a prosa cotidiana, a literária, a filosófica e a teoria subjacente, é trabalhada de forma a articular questões ligadas à autoria, dimensão que abarca tanto o conceito de vozes e entonação, como a paródia, o discurso citado e a polifonia, os textos disputados, as teorias do romance e dos gêneros, o difícil conceito de cronotopo, entre outras.
Serviço
Mikhail Bakhtin: Criação de uma Prosaística
Gary Saul Morson; Carlytrad Emerson
Tradução: Antonio de Pádua Danesi
552 páginas - R$ 88,00 (em média)
Editora Edusp