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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

"O diabo na rua, no meio do redemunho"


A Editora Nova Aguilar, dando prosseguimento à parceria editorial com a Nova Fronteira, lança, após criteriosa preparação de texto e revisão, a nova edição de João Guimarães Rosa: Ficção completa, que reúne em dois volumes toda a produção ficcional do autor: Sagarana, Manuelzão e Miguilim, No Urubuquaquá, no Pinhém, Noites do sertão, Grande Sertão: Veredas, Primeiras estórias, Tutaméia, Estas estórias e Ave, palavra. A obra traz ainda cronologia da vida e da obra, bibliografia, iconografia, diálogo com Günter Lorenz e extensa fortuna crítica assinada por nomes como Tristão de Ataíde, Franklin de Oliveira, Antonio Candido, Augusto de Campos, Walnice Nogueira Galvão, Luiz Costa Lima, Paulo Rónai e Haroldo de Campos, entre outros.

A organização é do professor Eduardo F. Coutinho.“A obra de Guimarães Rosa é uma obra plural, marcada pela ambigüidade e pelo signo da busca, que se ergue como uma constelação de elementos muitas vezes opostos e contraditórios”, escreve o organizador no prefácio desta edição. “Regional e universal, mimética e consciente de seu próprio caráter de ficcionalidade, ‘realista’ e ‘anti-realista’, ela é, por excelência, um produto do século XX, uma arte de tensões e relatividade, e ao mesmo tempo a perfeita expressão do contexto de que emerge, uma terra que só pode ser compreendida quando vista como um grande amálgama de culturas.

(...) A fortuna crítica de Guimarães Rosa cresce a todo momento, como aumenta e se diversifica seu público ledor, e cada travessia realizada pelas páginas de seus livros é, como afirmou o próprio autor a respeito do idioma, uma ‘porta para o infinito’.”A Nova Aguilar, fundada em 1958, ficou conhecida pela linha de obras completas que incluem autores como Camões, Cervantes, Dostoiévski e Oscar Wilde. Entre os brasileiros, já foram lançadas as obras reunidas de Mario Quintana, Fernando Sabino, Vinicius de Moraes, entre tantos outros.

O trabalho é coordenado por Sebastião Lacerda, com a experiência de quem há décadas trabalha com edição de obras completas à frente da editora. Em sua parceria com a Nova Fronteira, a Nova Aguilar já lançou novas edições das obras de Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Joaquim Cardozo e o teatro de William Shakespeare traduzido por Barbara Heliodora.

Serviço
João Guimarães Rosa: Ficção completa 2 volumes
João Guimarães Rosa
Organizador: Eduardo F. Coutinho
2.320 páginas - R$ 390,00 (em média)
Editora Nova Aguilar

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O legado de Marx, Burle.

Depois da exposição Roberto Burle Marx 100 anos: A permanência do instável, que levou mais de 185 mil pessoas ao Museu do Paço Imperial em apenas quatro meses, o legado do paisagista com alma de ambientalista transforma-se agora em um livro homônimo, com textos do próprio artista e de autores nacionais e internacionais, alguns ainda inéditos.

O livro Roberto Burle Marx 100 anos: A permanência do instável, que chega agora às livrarias pela Editora Rocco, foi concebido a partir da mostra, mas é, na verdade, muito mais do que um catálogo. Com alcance maior e enfoque diferenciado sobre a multiplicidade da obra de Burle Marx, ele aborda uma série de questões levantadas pelo artista, de forma vanguardista, nos campos do modernismo, paisagismo, urbanismo, ecologia e botânica. Questões essas que indicavam a necessidade de aprofundar o exame de sua obra com diversos ensaios sobre facetas específicas.

A publicação, de capa dura com 250 páginas, tem o prefácio escrito por Lauro Cavalcanti, também curador da exposição, e Farès el-Dahdah, professor de Arquitetura na Rice University, e sua estrutura dividida em três módulos, com textos de autores como José Tabacow, Lélia Coelho Frota, Paulo Venâncio Filho, André Corrêa do Lago, Jacques Leenhardt e Dorothée Imbert, entre outros, além de belas fotografias. Após a introdução, acerca da trajetória de Burle Marx e da análise do tema recorrente da instabilidade no paisagismo, as três unidades se originam a partir de aspectos levantados pelo próprio artista: os princípios de composição dos jardins, estes vistos como expressão artística, e o papel deles na humanização do urbanismo das grandes cidades.

Serviço
Roberto Burle Marx 100 anos: A permanência do instável
Autores diversos
Organização: Lauro Cavalcanti e Farès el-Dahdah
250 páginas - R$ 80,00 (em média)
Editora Rocco

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A intimidade da arquitetura de Lina

Lina Bo Bardi deixou traços escritos na paisagem urbana de cidades diversas, nas linhas que conduzia no papel, fez de areia e cimento instrumentos a favor da permanencia; 'objetos' que contextam o papel do tempo e figuram no imaginário do contemporâneo.

Esta é a primeira publicação dedicada aos textos de Lina Bo Bardi, o livro revela a extraordinária capacidade que a arquiteta ítalo-brasileira tinha de transformar seu universo criativo em palavras.

Publicados originalmente em revistas como as italianas Lo Stile, Grazia, Domus e A - Cultura della Vita, e em períodicos brasileiros como Habitat e Diário de Notícias de Salvador, os 33 artigos aqui reunidos repassam e propõem novos conceitos para temas como habitação, mobiliário, arte popular, museologia, restauro, educação e políticas culturais. Os textos são ilustrados por desenhos originais, fotografias e obras gráficas da própria arquiteta, incluindo alguns leiautes empregados na publicação de seus textos. Com este volume, fica mais evidente como a mulher que criou projetos emblemáticos como o MASP, o SESC Pompeia e o Museu de Arte Moderna da Bahia foi peça-chave na constituição de um olhar moderno sobre a cultura, tanto na Itália como no Brasil. A edição é o 13º título da Coleção Face Norte.

Por meio destes textos, conhecemos a 'literatura' imbutida nos traços e rabiscos que construiram paisagens de concreto. Aqui temos uma Lina Bo Bardi na intimidade de sua arquitetura.

Serviço
Lina por escrito - textos escolhidos de Lina Bo Bardi
Lina Bo Bardi
208 páginas - R$ 59,00 (em média)
Editora: Cosac & Naify

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Shakespeare por Bandeira


Traduzir é um exercicio poético de recriar. Não é apenas converter caracteres para determinado tipo de compreensão mas sim, esmiuçar os sentimentos de cada palavra e transferir, de outra forma, estes sentimentos em uma nova configuração frasal. Traduzir é na verdade um exercicio de pintura, pois pouco importam as letras, o que resta ao final de cada tradução é a imgem que permeia todo o texto.

Esta edição de Macabeth merecere destaque por promover o encontro de três grandes poetas: Bandeira, Shakespeare e Auden. Mestre da prosa e da poesia, Manuel Bandeira também foi um exímio tradutor, especialmente de peças de teatro, tanto de autores modernos (como O círculo de giz caucasiano de Brecht) como clássicos (Maria Stuart de Schiller). Além de Bandeira, esta nova edição traz outro intérprete de Shakespeare no Brasil, o diretor Antunes Filho, com imagens de sua montagem de Macbeth reunidas na seleção iconográfica.

Neste lançamento da coleção Dramática, volta a circular a primorosa tradução de Bandeira daquela que é, em suas próprias palavras, “a mais sinistra e sanguinária tragédia do autor”. Incorporadas às suas obras completas desde os anos 50, as traduções de teatro feitas pelo autor de Libertinagem guardam o refinamento que marca sua produção poética.

O trama que tece Shakespeare nesta peça é imensamente conhecida e justifica não tecer aqui linhas a guisa de sinópse. Que conheçamos agora o Macbeth pelas linhas indiretas de Bandeira

Serviço
Macabeth
William Shakespeare
Tradução: Manuel Bandeira
208 páginas - R$ 49,00 (em média)
Editora Cosac & Naify