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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Lampião na cabeça - Luciana Sandroni


Bandido ou herói? Vingativo ou generoso? A história de Virgulino Ferreira da Silva - o temido Lampião - é contada por Luciana Sandroni neste livro. A autora mergulhou na vida do rei do cangaço para dividir com os jovens a controversa trajetória do menino tranquilo, tocador de sanfona e bom de xaxado, mas que foi se perder no cangaço e entrou para a História como um homem perigoso e violento.

Serviço
Lampião na cabeça
Luciana Sandroni
112 páginas - R$ 49,50 (em média)
Editora Rocco

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Filho da guerra - Emmanuel Jal e Megan Lloyd Davies


A história de um jovem que sobreviveu aos horrores dos campos de batalha para se tornar um famoso cantor e defensor da paz é o mote de Filho da Guerra, do rapper Emmanuel Jal. Em meados dos anos 80, Jal era um garoto sudanês de sete anos que vivia em uma pequena vila com sua mãe, pai e irmãos. Tinha uma vida simples mas feliz, até que uma guerra civil explode em seu país e sua vida nunca mais é a mesma. Logo se vê junto com outros 10 mil meninos, conhecidos como os Meninos Perdidos do Sudão, lutando em duas guerras civis por quase uma década, sem nem mesmo entender as razões destes conflitos. Sua vida começa a mudar quando é adotado por uma voluntária britânica e começa uma nova jornada, tornando-se, então, um cantor conhecido no mundo todo. Filho da Guerra é chocante, inspirador e, antes de tudo, cheio de esperança.

Serviço
Filho da Guerra
Emmanuel Jal e Megan Lloyd Davies
Tradução: Felipe Antunes de Oliveira
296 páginas - R$ 40,00 (em média)
Editora Rocco

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Mulher solteira procura homem impotente para relacionamento sério - Gaby Hauptmann


Bonita, sexy e bem-sucedida profissionalmente, Carmen Legg pode ser considerada o protótipo da mulher moderna. Principalmente, porque ela tem, digamos, a aflição básica desse perfil: a insatisfação com os homens. Carmen está à procura de um relacionamento afetivo sério e os homens com quem ela tem se encontrado estão mais interessados em "ficar". Ela toma, então, algumas decisões radicais: manda o belo namorado para escanteio e coloca um anúncio nos jornais em busca de seu inusitado príncipe encantado. Alguém disposto a compartilhar horas agradáveis e projetos comuns. Alguém inteligente e... impotente.

Partindo dessa idéia central, a jornalista alemã Gaby Hauptmann constrói o enredo de Mulher solteira procura homem impotente para relacionamento sério. Gaby tece uma narrativa ágil, feita de diálogos, pequenas histórias que se entrecruzam e algumas reflexões sobre os encontros e desencontros entre homens e mulheres neste final de milênio. Mas este não é um livro com teses feministas. A autora simplesmente encontrou uma maneira divertida e nova de falar sobre o amor nos tempos atuais. Daí, talvez, seu enorme sucesso, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Só na Alemanha, foram vendidos três milhões de exemplares do livro, que já está sendo traduzido em mais de vinte países, entre eles China, Rússia e Grécia.

Carmen Legg, uma executiva de 35 anos, dona de um BMW, de um apartamento e de seu próprio nariz, se surpreende com o alto número de homens que enviam resposta para sua caixa postal. Alguns atraídos pela proposta sentimental; outros que se dizem impotentes mas são desmascarados pela "evidência dos fatos" na hora dos carinhos. Ela vai driblando os pretendentes, que invadem com flores e telefonemas sua rotina numa companhia de seguros, enquanto tece comentários irônicos e pertinentes sobre o caráter e o temperamento masculinos. E femininos também.

Entre os personagens, Laura, a amiga número um que acaba de chegar de uma viagem de férias ao Brasil, e Elvira, uma simpática vizinha octogenária que se tornará a peça-chave para desfazer o mistério em torno de Stefan von Kaltenstein, um milionário alemão que cai de amores por Carmen.

Quando surge David, no entanto, ela sente que encontrou o homem de sua vida. Jovem, atlético, leal, compreensivo, carinhoso, bonito e... (Meu Deus, como a vida é complicada, que azar!) impotente. Perdidamente apaixonada, ela passa a querer o que julgava ser absolutamente dispensável num verdadeiro amor — o sexo. E começa a procurar uma maneira, na ciência ou nos poderes sobrenaturais, que lhe permita conhecer o prazer sexual com o ser amado. Este livro é a cara desse fim de milênio. Ou seria do próximo?

Serviço
Mulher solteira procura homem impotente para relacionamento sério
Gaby Hauptmann
304 páginas - R$ 43,00 (em média)
Editora Rocco

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

As páginas - Murray Bail


Duas mulheres deixam Sydney em direção ao interior da Austrália. Seguem para a antiga fazenda de ovelhas onde moram os irmãos mais novos de Wesley Antill, um homem que passou a vida inteira tentando compreender a filosofia. Em um antigo galpão da fazenda, onde costumava passar horas pensando e escrevendo, deixou páginas rabiscadas, cadernos de anotações e uma papelada sem-fim. Pouco antes de morrer, fez um pedido aos irmãos: publicar suas anotações filosóficas.

São essas anotações que levam Erica à fazenda. Filósofa, ela foi contratada pelo advogado da família para ler e avaliar o material guardado no antigo galpão. Ela tem a tarefa de dizer se há, em meio àquelas páginas, algo que mereça ser publicado. Na viagem, Erica é acompanhada por Sophie, uma psicóloga na faixa dos 40 que pretende fugir das últimas desilusões amorosas pelas quais passou em Sydney. Esse é um dos assuntos recorrentes nas conversas que trava logo na chegada com a irmã de Wesley Antill, Lindsey.

Lindsey e Roger, o irmão, nunca saíram da fazenda, apesar de os pais passarem mais tempo em Sydney do que embrenhados no campo. Wesley mudou-se para a capital ainda muito jovem e antes de retornar ao velho galpão, perambulou durante vários anos pela Europa. Antes de mudar de continente, teve as primeiras experiências com a filosofia na universidade em Sydney, onde nunca chegou a matricular-se, mas foi por um bom período um dos alunos mais dedicados.

Quando os pais morreram, Wesley resolveu que era hora de voltar para casa. Com o apoio dos irmãos, que continuaram a gerenciar a fazenda, pôde dedicar as suas horas de silêncio à criação de uma nova teoria filosófica.

As páginas descreve a trajetória de um homem que dedica a sua vida à busca da verdade. Murray Bail constrói uma narrativa ao mesmo tempo leve e profunda, que se alterna entre a curiosa temporada de Erica e Sophie na propriedade da família de Wesley e a envolvente trajetória dele para construir sua própria filosofia. Ao final, Bail coloca à disposição dos leitores alguns dos pensamentos anotados nas páginas de Wesley Antill.

Serviço:
As páginas
Murray Bail
Tradução: Marisa Motta
168 páginas - R$ 26,00 (em média)
Editora Rocco

terça-feira, 27 de julho de 2010

Guerra Mundial Z - Max Brooks


Com Guerra Mundial Z, o norte-americano Max Brooks faz uma paródia dos guias de sobrevivência convencionais e expõe a paranoia coletiva que tomou conta do mundo, em especial dos Estados Unidos, na era Bush. No livro, que dá continuidade ao bem-sucedido O guia de sobrevivência aos zumbis, o autor adota um tom científico nas pretensas entrevistas que conduziu com os sobreviventes do ataque que quase extinguiu a humanidade.

O narrador de Brooks é um integrante da comissão da ONU encarregado de elaborar o relatório sobre o assustador conflito que quase aniquilou o planeta. Da identificação do paciente zero, contaminado nas ruínas de Dachang, na China, até Mary Jô Miller, a arquiteta de elite que pode pagar para se proteger, passando pelo depoimento de um soldado da infantaria que lutou no conflito, nada escapa à verve do autor.

Irônico, Brooks destaca ainda o quanto os homens são ingênuos em achar que podem se defender de pragas e criaturas alienígenas. Governos corruptos e com interesses eleitoreiros podem destruir qualquer Departamento de Defesa, ou conduzi-lo para o front errado. O autor mostra ainda como as sociedades desmoronaram e foram forçadas a se reorganizar após o colapso das instituições que as mantinham, levando as pessoas a atos extremos de heroísmo e altruísmo, bem como de egoísmo e mesquinhez.

Além de recorrer ao fantástico para traçar um painel das reações humanas diante de crises e tragédias inexplicáveis, Brooks tece comentários ácidos sobre temas diversos como o autoritarismo na China e na União Soviética; a falsificação de relatórios de inteligência por parte do governo dos Estados Unidos para justificar a invasão ao Iraque em 2003; o impacto social e ambiental de grandes empreendimentos como a represa de Três Gargantas, na China; a opressão imposta por regimes fundamentalistas, como o talibã no Afeganistão e o tráfico internacional de órgãos, envolvendo países como o Brasil.

Serviço:
Guerra Mundial Z
Max Brooks
Tradução: Rita Vinagre
368 páginas - R$ 49,50 (em média)
Editora Rocco

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Uma longa e estranha viagem - Tony Horwitz


O jornalista ganhador do Prêmio Pulitzer, Tony Horwitz, apresenta neste livro o que pode ser descrito como um guia para os desbravadores da história do século perdido, aquele entre a primeira viagem de Cristóvão Colombo e a fundação de Jamestown, nos Estados Unidos, em 1607. Determinado a desvendar os mistérios dessa época, o autor embarca em uma aventura seguindo os passos dos europeus que precederam os peregrinos na América. Nesta combinação de romance e diário de viagem, narrados com muito humor, ele explora o vão entre o que conhecemos e aquilo que foi esquecido, redescobrindo façanhas notáveis de vikings, conquistadores e viajantes franceses. Horwitz escreveu também Latitudes azuis – Incursões audaciosas por onde passou o capitão Cook, lançado no Brasil pela Editora Rocco.

Serviço:
Uma longa e estranha viagem
Tony Horwitz
Tradução: Ana Deiró
432 páginas - R$ 63,00 (em média)
Editora Rocco

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A vontade e a fortuna - Carlos Fuentes


Premiado mundo afora e reconhecido como um dos mais importantes intelectuais da América Latina, Carlos Fuentes retorna às raízes e faz uma alegoria do México, corrupto e contraditório, moderno e mítico, em A vontade e a fortuna. Enquanto explora as diversas nuances do conceito de liberdade e vontade hoje em dia, o escritor mostra que, de maneira contraditória, a democracia mexicana nunca foi tão forte e seu governante nunca foi tão fraco, e que no México não há tragédia pois toda história, invariavelmente, se transforma numa tragicômica telenovela. Misto de narrativa surrealista e alegoria ao mesmo tempo histórica e atemporal, o romance tem na cabeça de Josué Nadal, cortada e lançada a uma praia do Pacífico, o personagem principal – contando, recordando e divagando sobre as peripécias de sua busca pelo amor e a imortalidade deste sentimento.

Serviço:
A vontade e a fortuna
Carlos Fuentes
Tradução: Carlos Nougue
446 páginas - R$ 54,00 (em média)
Editora Rocco

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ladrão de Cadáveres - Patrícia Melo


Acaso, violência e traição são elementos decisivos no novo romance de Patrícia Melo. Em Ladrão de cadáveres, seu primeiro livro inédito pela Editora Rocco, a autora muda de ares sem perder o ritmo ágil e cortante que a consagrou, e ambienta sua história em Corumbá, na região do Pantanal mato-grossense. O narrador-protagonista do romance é um ex-gerente de uma central de telemarketing, despedido depois de agredir uma funcionária que acabou cometendo suicídio. Deprimido, ele troca São Paulo por Corumbá a convite de um primo. A trama começa quando o protagonista testemunha a queda de um avião no rio Paraguai. Dentro da cabine, o piloto está morto. Ao lado do corpo, uma mochila com um pacote de cocaína. A partir daí, o que se vê é o despertar do pior lado de um ser humano, em uma história que mistura ganância, crime, sexo e mentiras. Os demais títulos da autora serão relançados até 2011 pela Rocco.

Serviço:
Ladrão de Cadáveres
Patrícia Melo
208 páginas - R$ 29,00 (em média)
Editora Rocco

terça-feira, 4 de maio de 2010

Minha paixão pelo futebol - Júnior


O ex-jogador Leovegildo Lins da Gama Júnior, mais conhecido como o "Júnior do Flamengo", assina um dos 11 volumes da coleção "Gol de Letras", voltadas para crianças, que será lançada até o início da Copa do Mundo, em junho.

No livro, Júnior narra sua história e relembra seus primeiros momentos em campo em uma autobiografia intitulada "Minha Paixão Pelo Futebol".

Serviço
Minha paixão pelo futebol
Júnior
120 páginas - R$ 28 (em média)
Editora Rocco

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Juliet, nua e crua - Nick Hornby


Há 20 anos, Tucker Crowe abandonou a carreira de músico sem dar explicação. Até hoje, as especulações são enormes. Sites especializados, fãs alucinados. Em Juliet, nua e crua, o novo livro do inglês Nick Hornby, o leitor acompanha a história de Crowe, ao mesmo tempo em que é apresentado a Duncan, um fã obcecado pelo ex-popstar cujo casamento vai de mal a pior. Quando o recluso Crowe entra em contato com a mulher de Duncan, Annie, por conta do seu último álbum, Juliet, tem início uma troca clandestina de e-mails que dá origem a um inusitado triângulo amoroso. Considerado um dos maiores talentos da literatura inglesa, Nick Hornby mais uma vez seduz o leitor com sua prosa atual e ágil, repleta de referências ao mundo pop e de personagens carismáticos.

Serviço
Juliet, nua e crua
Nick Hornby
Tradução: Paulo Reis
272 páginas - R$ 34 (em média)
Editora Rocco

sábado, 24 de abril de 2010

Sinuca de Bico - Josh Bazell


Implicante, ranzinza e com um humor negro cruel, Dr. Peter Brown é o último médico que gostaríamos de encontrar na emergência do hospital. O que ninguém sabe, porém, é que por trás de sua figura debochada, Peter esconde um passado inusitado: ele é Brwna, ex-matador da Máfia com um talento nato para a violência. Sua rotina no hospital é ameaçada quando um novo paciente o reconhece dos tempos da Máfia. Agora, Peter conta com as próximas oito horas de plantão para salvar o doente – e a própria pele – numa delicada cirurgia ou terá que enfrentar a vingança da Cosa Nostra. Este é o mote de Sinuca de bico, romance de estreia do norte-americano Josh Bazell, médico de formação. Mistura de M.A.S.H com Família soprano para o The Washington Post, comparado a Elmore Leonard pelo The Time e aclamado pelos principais veículos de imprensa dos Estados Unidos, Sinuca de bico já foi negociado para adaptação cinematográfica, e terá Leonardo Di Caprio no papel principal.

Serviço
Sinuca de Bico
Josh Bazell
Tradução: Ana Carolina Bento Ribeiro
288 págians - R$ 38,90 (em média)
Editora Rocco

O Cachorro que jogava na ponta esquerda - Luis Fernando Veríssimo


A editora Rocco lança em abril a coleção "Gol de Letras", com volumes voltados para as crianças e assinados por craques das artes e do esporte. A ideia é colocar no mercado 11 títulos até o início da Copa do Mundo, em junho.

O livro "O Cachorro que Jogava na Ponta Esquerda", conta a história de um time sem nome, camisa ou chuteira, que vê num animal o reforço necessário para brilhar na simplicidade das partidas disputadas na rua.

Serviço
O Cachorro que jogava na ponta esquerda
Luis Fernando Veríssimo
80 páginas - R$ 24 (em média)
Editora Rocco

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Rosebud - Pierre Assouline - Editora Rocco


Os leitores das revistas Lire e L’Histoire conhecem bem Pierre Assouline (n. 1953), o escritor francês de origem marroquina que escreveu as biografias de Hergé e Georges Simenon. Os outros talvez se lembrem de um dos seus romances, Vida Dupla (2000). E, a avaliar pelo interesse que a literatura parece suscitar num número significativo de bloggers portugueses, é de prever que o seu blogue La République des livres seja muito concorrido. Por último mas não em último, Assouline é o homem que fez frente a Maria Kodama, viúva de Jorge Luís Borges, acusando-a de dificultar o acesso ao espólio do argentino.

Rosebud (2006), agora traduzido (Rocco, 2010), é uma colecção de ensaios biográficos de extensão variável. Rosebud significa botão de rosa mas, desde que foi usado por Welles em Citizen Kane (1941), as derivações semânticas atropelam-se. Do último analfabeto ao laureado Carlos Fuentes, todos se inclinam diante do espectro da palavra. Conhecedor do seu poder encantatório, nada mais natural que Assouline antecipasse a curiosidade associada à escolha. Éclats de biographies seria redutor…

Muito à francesa, Assouline teoriza largamente sobre o tema: «Há mais de trinta anos que procuro esse rosebud [...] em cada um. Esse pequeno nada que nos trai revelando-nos aos outros.» Isto para dizer que o biógrafo é um escrutinador de almas, aquele que procura as «sombras do seu herói». Para tanto, Assouline cita os biografemas de Barthes, o «regalo branco» de Sade, a imundície de Destouches e Céline, a faxina de Beckett em casa de um casal de amigos músicos entrevados, a rotina matinal da Duras: «faz a sua cama todas as manhãs, senão não consegue trabalhar.» Simplificando muito, pode-se dizer que este Rosebud é a versão gaulesa de Intelectuais (1988) do britânico Paul Johnson. Ponto de partida, Welles. Ou não fosse Citizen Kane, ele o diz, «a matriz da biografia moderna.» A ver vamos.

Rudyard Kipling, por exemplo. Pouca gente se lembra que ele nasceu na Índia, mais precisamente em Bombaim, um entre tantos escritores despaísados (Beckett, Brodsky, Camus, Coetzee, Conrad, Derrida, Duras, Eliot, Ionesco, Nabokov, Orwell, Rushdie, etc.), como, aliás, o próprio Assouline, mas os Rolls-Royce do autor de If (1910) sobrelevam a questão identitária. Kipling, hoje quase esquecido, foi famoso por parâmetros que décadas mais tarde seriam os dos Beatles e de Madona: «O rumor do mundo precedeu o clarão do Nobel. [...] A humanidade dos seus leitores desloca-se em massa ao cais para [o] acolher no seu regresso da viagem para lá do Atlântico…». Numa escrita ágil e sedutora, Assouline recupera as circunstâncias e o ar desse tempo.

Contra a assepsia do relato neutro, o discurso tem laivos de grandiloquência. Discreteando sobre Cartier-Bresson, dirá que a querela da imagem (entre os defensores do 24×36 e os defensores do 6×6) é um «falso debate» que se resolve entre «violência e cortesia».

A descrição do casamento do príncipe Carlos com a futura Lady Di, em Julho de 1981, é um prodigioso exercício de ironia. Depois de explicar como conseguiu lugar na Catedral de St Paul na qualidade de repórter do France-Soir, Assouline reduz a Inglaterra a uma síntese mordaz: «um conservatório de salsichas, chapéus-de-chuva, lítotes e classes sociais.» No meio de centenas de homens de fraque e calça de fantasia, conforme as regras do Burke’s Peerage e as exigências do convite, dois convidados estão de fato azul-escuro: Assouline e David Owen, o irreverente ministro dos Negócios Estrangeiros de Callaghan que meses antes abandonara com estrondo o Partido Trabalhista. Owen tinha o problema suplementar de calçar sapatos novos, não se tendo dado ao trabalho de os entregar a um criado que os dobrasse as vezes necessárias de modo a «retirar-lhes o aspecto intolerável da novidade». Heresia maior numa sociedade habituada a dividir a humanidade em função dos pés: «a parte de cima do sapato deve estar usada, a parte de baixo não deve oferecer o espectáculo cinzento e vulgar da rua.» Paradoxos de sofista, conclui Assouline.

Paul Celan é recordado em 23 páginas admiráveis: «Uma obra difícil começa sempre por ter amigos antes de ganhar um público. Tanto pior se eles não se amam.» Jean Moulin, o herói da resistência francesa, tem um retrato à altura da lenda.

Como bom francês, Assouline não dispensa a teoria: «Um simples gesto pode ser uma obra de arte.» Não havia necessidade. A qualidade dos seus ensaios dispensa a prestidigitação retórica.

Leia trecho abaixo:

“Estamos em meados dos anos 1930. O ateliê da rua La Boétie, onde Picaso se instalou, é pequeno demais. Dora Maar se encarrega de encontrar outra coisa no Quartier Latin onde ela vive, o mais perto possível de sua casa, na rua de Savoie. Fala-se de um lugar na rua dos Grandes-Augustins. Aquele que Georges Bataille utilizou para reuniões de seu grupo Contra-Ataque. O mesmo que Jean-Louis Barrault ocupou para seus ensaios de teatro do grupo Octobre, depois de ter feito trabalhar ali sua primeira trupe, a Compagnie du grenier des augustins. Antes deles, ali tinha estado o ateliê de um tecelão. (…)

Picasso é imediatamente conquistado. O lugar tem um não sei quê do Bateau-Lavoir, mais amplo. Poucos biógrafos se aventuram a imaginar que o pintor e sua companheira se tenham aproximado de Balzac. Um deles até julga ver ali ‘um sinal do destino’. Nenhuma alusão, porém, nas cartas, lembranças, arquivos, entrevistas de Picasso. Nem sequer a posteriori. Em 1937, o número 7 da rua dos Grands-Augustins é par ele ‘o sótão de Barrault’, após ter sido para ela ‘o local de Bataille’, e, antes de se tornar o ‘ateliê de Picasso’. O casal ignora tudo sobre o passado da antiga residência dos duques de Saboia. (…) ‘É aqui’. Picasso pregou com percevejos um pedaço de papel na porta, dirigido àqueles a quem o ambiente assusta. Atrás da porta, o ateliê se impõe imediatamente como as grandes personagens”.

Serviço
Rosebud
Pierre Assouline
Tradução: Carlos Nougué
208 páginas - R$ 35,00 (em média)
Editora Rocco

segunda-feira, 8 de março de 2010

Os Telhados de Teerã - Mahbod Seraji


Em Teerã é muito comum, no verão, dormir no telhado. O calor seco do dia resfria após a meia-noite, e quem fica lá em cima acorda com os primeiros raios de sol na face e com o ar fresco nos pulmões. E é deste lugar que os adolescentes Pasha e Ahmed, amigos inseparáveis, observam o mundo e as pessoas ao redor. É também dali que Pasha consegue admirar Zari, sua vizinha, uma jovem já prometida para casamento. Este é o ponto de partida de Os telhados de Teerã, um sensível e cativante romance de iniciação que marca a estreia literária de Mahbod Seraji, iraniano radicado nos EUA. Uma trama densa e ao mesmo tempo leve, em que se misturam os sentimentos e descobertas dos adolescentes e seus primeiros vislumbres sobre o amor, mas também o contato com a dor, a repressão, a morte e as perdas, bem como a repressão política durante a ditadura do Xá Reza Pahlevi.

Serviço
Os Telhados de Teerã
Mahbod Seraji
Tradução: Antônio E. De moura
384 páginas - R$ 54,00 (em média)
Editora Rocco

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Se você gostou da escola vai adorar trabalhar


Da fronteira entre o México e os EUA a um pequeno povoado na Escócia, passando por Chicago, Londres e as praias do Caribe, o badalado escritor escocês Irvine Welsh conduz seus personagens – inusitados e medíocres – num misto de desespero e silêncio na coletânea Se você gostaou da escola, vai adorar trabalhar. Imerso em sarcasmo e humor negro, seu terceiro livro de contos retoma alguns dos temas de sua aclamada estreia literária, o romance cult Trinspotting, como o vício em drogas e a falta de perspectivas dos jovens dos bairros pobres da Escócia. Welsh, porém, vai além, acrescentando suas experiências como roteirista de cinema e uma perspectiva mais madura, com personagens de meia-idade e protagonistas do sexo feminino, todos tentando superar expectativas irrealizáveis. Contos deliciosamente irônicos e que comprovam o talento do autor também nas narrativas curtas.

Serviço
Se você gostou da escola vai adorar trabalhar
Irvine Welsh
376 páginas - R$ 54,40 (em média)
Editora Rocco

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Todas as famílias felizes


Uma cruel leitura da vida privada e pública – é o que propõe Carlos Fuentes, um dos mais importantes escritores contemporâneos, nesta coletânea de contos, ironicamente intitulada Todas as famílias felizes. Neste lançamento da Rocco, o renomado autor mexicano retrata em 16 histórias os diferentes perfis de família e as suas dinâmicas únicas. As tramas têm como cenário a Cidade do México num período que abrange desde meados do século XX, mostrando seu lado ainda tímido e um tanto rural, até os anos 2000, quando assume a pecha de modernidade e caos típicos de uma megalópole. Palcos passados e presentes para os espetáculos de vida e morte. Recortes da sociedade, as famílias são os espelhos das eras.

Serviço
Todas as famílias felizes
Carlos Fuentes
240 páginas - R$ 37,00 (em média)
Editora Rocco

A Palavra Pintada


Autor, entre outros sucessos, do cultuado romance A fogueira das vaidades, o gênio do new journalism Tom Wolfe propõe uma visão apurada e cheia de ironia sobre o universo da arte no século XX em A palavra pintada. Num domingo de 1974, quando folheava o The New York Times, o jornalista e escritor encontrou uma crítica de arte atacando novos pintores sob a alegação de que suas obras careciam de uma teoria convincente que as embasasse – este foi o ponto de partida para que concebesse este título. De Pollock aos minimalistas, passando especialmente pelos críticos norte-americanos do pós-guerra, ninguém escapa ao humor mordaz e à lucidez de Wolfe. Publicado originalmente em 1975, esta obra-prima ganhou um epílogo em 1981 e permanece atual até hoje, pois continua questionando e fazendo pensar todos aqueles que se interessam pela arte e não apenas pela teoria por trás dela.

Serviço
A palavra Pintada
Tom Wolf
Tradução: Lia Wyler
240 págins - R$ 20,00 (em média)
Editora Rocco

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Clarice na cabeceira


Quem é fã da escritora Clarice Lispector tem por obrigação comparecer ao lançamento de “Clarice na cabeceira”, às 19 horas, do dia 3 de dezembro na Casa do Saber, avenida Epitácio Pessoa, Lagoa.

O livro reúne textos de Affonso Romano de Sant’Anna, Beth Goulart, Carla Camurati, Arhur Xexéo, Maria Bethânia, Letícia Spiller, Luis Fernando Verissimo, Malu Mader, Cora Rónai, Rubens Fonseca, entre outros.

É de Clarice, os versos que seguem:

“Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo…”

Serviço
Clarice na Cabeceira
Clarice Linspector
240 páginas - R$ 35,00 (em média)
Editora Rocco

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O legado de Marx, Burle.

Depois da exposição Roberto Burle Marx 100 anos: A permanência do instável, que levou mais de 185 mil pessoas ao Museu do Paço Imperial em apenas quatro meses, o legado do paisagista com alma de ambientalista transforma-se agora em um livro homônimo, com textos do próprio artista e de autores nacionais e internacionais, alguns ainda inéditos.

O livro Roberto Burle Marx 100 anos: A permanência do instável, que chega agora às livrarias pela Editora Rocco, foi concebido a partir da mostra, mas é, na verdade, muito mais do que um catálogo. Com alcance maior e enfoque diferenciado sobre a multiplicidade da obra de Burle Marx, ele aborda uma série de questões levantadas pelo artista, de forma vanguardista, nos campos do modernismo, paisagismo, urbanismo, ecologia e botânica. Questões essas que indicavam a necessidade de aprofundar o exame de sua obra com diversos ensaios sobre facetas específicas.

A publicação, de capa dura com 250 páginas, tem o prefácio escrito por Lauro Cavalcanti, também curador da exposição, e Farès el-Dahdah, professor de Arquitetura na Rice University, e sua estrutura dividida em três módulos, com textos de autores como José Tabacow, Lélia Coelho Frota, Paulo Venâncio Filho, André Corrêa do Lago, Jacques Leenhardt e Dorothée Imbert, entre outros, além de belas fotografias. Após a introdução, acerca da trajetória de Burle Marx e da análise do tema recorrente da instabilidade no paisagismo, as três unidades se originam a partir de aspectos levantados pelo próprio artista: os princípios de composição dos jardins, estes vistos como expressão artística, e o papel deles na humanização do urbanismo das grandes cidades.

Serviço
Roberto Burle Marx 100 anos: A permanência do instável
Autores diversos
Organização: Lauro Cavalcanti e Farès el-Dahdah
250 páginas - R$ 80,00 (em média)
Editora Rocco