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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Liberalismo e Natureza - Rodrigo Suzuki Cintra


Considerado o pai do liberalismo, o filósofo inglês John Locke (1632-1704) concebia a propriedade privada como um conceito central. Para ele, o fundamento da propriedade estava no próprio homem, em sua capacidade de transformar a natureza pelo trabalho. O cerne do conceito de propriedade em Locke é que ela é um direito natural, ou seja, já existia no estado de natureza, assim como o direito à vida e à liberdade. Esta ideia tem fundamento lógico, pois sendo o indivíduo senhor de seu corpo, ele é igualmente proprietário dos frutos de seu trabalho.

Na filosofia política de Locke a propriedade é a principal razão para a construção da sociedade civil, para a instituição do governo civil, o fim principal da união dos homens em comunidades. Locke viveu em um momento no qual a Inglaterra passou pela transição do regime monárquico absolutista para o regime monárquico parlamentarista, que existe até hoje. O filósofo anteviu a importância de tais transformações e desenvolveu uma reflexão capaz de explicá-las e justificá-las intelectual e moralmente. Por isto sua obra se tornou clássica.

Serviço:
Liberalismo e Natureza
Rodrigo Suzuki Cintra
200 páginas - R$ 35,00 (em média)
Editora Ateliê

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Escrito sobre Jade - Haroldo de Campos


Publicado originalmente em 1996, em uma edição artesanal de pequena tiragem, Escrito sobre Jade, de Haroldo de Campos (1929-2003), está de volta em nova edição, revista e ampliada, organizada por Trajano Vieira.

O livro apresenta uma coletânea bastante representativa da poesia clássica chinesa “reimaginada” por Haroldo de Campos a partir dos ideogramas originais, com notas sobre os poemas traduzidos. À nova edição foram acrescentados um longo ensaio e nove novas traduções.

“A poesia clássica chinesa, escrita numa linguagem especialmente afeiçoada à arte do poema (um verdadeiro “idioleto poético”) toca de perto os ocidentais que nela se debruçam por sua concisão, pelo sentimento de inacabado, de sustentada surpresa, de aforismático vigor aliado à plasticidade visual da imagem”, resume o tradutor.

A “transcriação” ou “reimaginação” – termos que Haroldo preferia empregar no lugar de “tradução” – dos poemas adota as técnicas de espacialização gráfica da poesia moderna para dar conta dos aspectos caligráfico-visuais de uma poesia monossilábica, escrita em uma linguagem isolante, de sintaxe posicional. No plano fônico, Haroldo compensa a impossibilidade de reproduzir os módulos sonoros de uma língua tonal e, consequentemente, os esquemas de rimas do original, através de uma extrema concisão (característica do chinês clássico) e de um minucioso trabalho de orquestração das figuras fônicas e rítmico-sintáticas.

O volume traz poemas do Shi-King, o Livro das Odes, a compilação das mais antigas poesias chinesas, recolhida depois do ano 600 a.C. por Confúcio; composições de autores como Han-Wu-Ti, (156 a.C-87 a.C.); Wang Wei (701-761); Li Po (701-762), considerado o maior poeta da China; Lu Lun (748-800?); Li Shang-Yin (813-858); Tu Fu (712-770); Ts’ui Hao (704?-754); Wei K’uen Ge (1646-1705) e Mao Tse-Tung (1893-1976), o líder revolucionário, que praticava a arte poética da tradição clássica e dominava a escrita caligráfica, em que eram exímios os poetas chineses.

Serviço
Escrito sobre Jade
Haroldo de Campos
152 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Ateliê Editorial

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Palavra e Sombra - Arthur Nestrovski


Dez obras recentes de autores brasileiros, mais dez livros também recentes de autores de língua inglesa compõem juntos um panorama da produção literária atual, lida com fino senso crítico por Arthur Nestrovski, que transita entre os dois mundos com a mesma naturalidade com que transita entre a literatura e a música. As resenhas e ensaios aqui reunidos servem de exemplo, também, do exercício da crítica no calor da hora, refletindo sobre as obras na circunstância brasileira de sua aparição.

Serviço
Palavra e Sombra
Arthur Nestrovski
168 págians - R$ 30,00 (em média)
Editora Ateliê Editorial

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Homero e Virgílio em nova edição


Homero conduziu homens, deuses, semi-deuses e herois pelos caminhos de Tróia. Vírgilo não só conduziu Dante pelos caminhos de sua Divina, mas também trilhou estradas homéricas. Separados pelo tempo mas juntos pela arte da literatura, ambos, trilharam os caminhos do campo literário Ocidental e construiram uma obra única que permanece á qualquer destruição.

A Ilíada de Homero é o mais antigo texto escrito nos limites do Sol-Poente que chegou até nós e, decorridos vinte e nove séculos, continua mais fresco que o jornal que vai sair amanhã. Registrados no então recém-criado alfabeto grego, no oitavo século antes de Cristo, numa Grécia ainda arcaica, porém remontando a uma tradição oral que extrapolava ao infinito este limite e este tempo, os dezesseis mil versos da Ilíada, nas palavras de Haroldo de Campos, nunca decaem, oscilam entre o Pico das Agulhas Negras e o Everest.

A Ilíada traduzida por Odorico Mendes, que a Ateliê editorial, coloca agora no mercado, sempre representará um tesouro a quem a possua, em que pese as dificuldades apresentadas pelo texto. Restringir essas dificuldades aos últimos limites de nossa competência, entregando o leitor às delícias do poema.

As Bucólicas de Virgílio, com sua densa musicalidade e seus pastores-poetas que, em meio à paisagem amena do campo, celebram seus amores e disputam entre si a primazia no canto, são recriadas em português por Manuel Odorico Mendes, um dos mais hábeis e interessantes tradutores de poesia que o Brasil já teve. Esta edição – bilíngüe e ricamente anotada e comentada pelo Grupo de Trabalho Odorico Mendes, sediado no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp –, além do esclarecimento do vocabulário e da sintaxe, traz para cada poema um comentário minucioso, em que se apontam, para o leitor que deseja penetrar nesse laboratório brilhante de recriação poética, os modos vários como Odorico Mendes recria em português os sons, ritmos, efeitos de sintaxe e a ordem expressiva das palavras do original latino.

Nos 150 anos de sua primeira publicação no livro Virgílio Brasileiro, a Ateliê Editorial e a Editora da Unicamp, com apoio da Fapesp, reeditam esta obra do grande poeta latino em uma de suas traduções mais bem cuidadas e instigantes.

Serviço
Coleção Clássicos Comentados
Bucólicas - Autor: Virgílio
Tradução: Odorico Mendes
208 pág - R$ 60,00
Editora: Ateliê Editorial

Coleção Clássicos Comentados
Ilíada - Autor: Homero
Tradução: Odorico Mendes
912 pág - R$ 88,00
Editora: Ateliê Editorial