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terça-feira, 6 de julho de 2010

Atualidade histórica da ofensiva socialista - István Mészáros


Em Atualidade histórica da ofensiva socialista – uma alternativa radical ao sistema parlamentar o marxista húngaro István Mészáros propõe um enfrentamento aos “graves problemas de nossa ‘política democrática’” como forma de responder à indagação: o que continua irremediavelmente errado no que se refere às genuínas expectativas socialistas? Fugindo de explicações simplistas que apontam “traições” no momento da chegada ao poder, Mészáros aponta para a necessidade de uma crítica profunda da concepção que vê na disputa dentro do sistema parlamentar um cenário de construção de transformações sociais.

Segundo ele, o discurso político tradicional proclama o sistema parlamentar como “o centro de referência necessário de toda mudança legítima”, tratando como tabu qualquer crítica que sugira algo além de pequenas mudanças em seu funcionamento. O autor de Para além do capital propõe que a alternativa necessária a esse sistema estaria ligada à “questão da verdadeira participação”, definida por ele nos termos de “autogestão plenamente autônoma da sociedade pelos produtores livremente associados em todos os domínios, muito além das restritas mediações do Estado político moderno”.

Mészáros defende a necessidade da criação de uma alternativa estrategicamente sustentável ao sistema parlamentar que liberte o movimento socialista da “camisa de força do parlamento burguês”. Num momento de grande contraste entre as promessas do passado e as condições realmente existentes, o que está em jogo é o “fenecimento do Estado”, uma vez que, apesar de dominar o parlamento, o capital é uma força “extraparlamentar por excelência”.

Assim, o filósofo pauta a construção de alternativas pela busca da “reconstituição radical historicamente viável da unidade indissolúvel das esferas reprodutiva material e política”. Para se transformar a forma como são tomadas as decisões em nossa sociedade, é necessário “mudar radicalmente o desafio ao próprio capital como o controlador geral da reprodução sociometabólica”, o que para ele é inconcebível “pela simples derrubada política do Estado capitalista, muito menos pela vitória sobre as forças de exploração no âmbito de determinada estrutura de legislação parlamentar”.

Esse lançamento tem por base a obra Historical actuality of the socialist offensive: alternative to parliamentarism (Londres, Bookmarks, 2010), composta pelo capítulo 18 do livro Para além do capital (São Paulo, Boitempo, 2002), acrescido de uma introdução especialmente preparada pelo autor para a nova edição.

Serviço:
Atualidade histórica da ofensiva socialista
István Mészáros
Tradução: Paulo Cezar Castanheira
208 páginas - R$ 34,00 (em média)
Editora Boitempo

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Os cangaceiros - Luiz Bernardo Pericás


O fenômeno do cangaço “independente”, que começou na segunda metade do século XIX e durou até cerca de 1940, tendo sido extensamente estudado por diversos autores. No entanto, boa parte destas obras é de caráter basicamente narrativo e por vezes, escrita em linguagem quase literária. O historiador Luiz Bernardo Pericás foi além da constatação desta lacuna bibliográfica. O resultado desse trabalho é agora publicado pela Boitempo no livro Os cangaceiros – ensaio de interpretação histórica , no qual analisa as bases históricas e a atuação dos grupos do cangaço, como aqueles chefiados por Antonio Silvino, Sinhô Pereira, Corisco e Lampião.

Para o historiador João José Reis, "há tempos precisávamos de um livro que fizesse um balanço exaustivo do que se escreveu sobre este fascinante fenômeno social e cultural do Brasil no século passado. Luiz Bernardo Pericás revira uma vasta bibliografia sobre o cangaço para estabelecer uma certa ordem, e um método, na discussão e compreensão do mundo de Lampião e outros cangaceiros... O livro eleva a análise do cangaço a um patamar superior e serve como inspiração para se pensar outros tipos de banditismo, inclusive nos dias que correm".

O tema – já retratado de forma literária por autores como Graciliano Ramos e José Lins do Rego – é desenvolvido à luz de uma abordagem multidimensional, que toma a estrutura agrária sertaneja “como um forte elo entre a base econômica mais ampla e a superestrutura”, mas não se atém somente a uma interpretação economicista, investigando outros níveis para traçar um quadro complexo do banditismo rural nordestino.

Como aponta na orelha o também historiador Lincoln Secco, na história do Nordeste brasileiro “o cangaço apareceu como a forma pela qual se moviam as contradições típicas de uma sociedade formada por populações errantes, pobres e vitimadas pelo mandonismo local e marcada pela instabilidade”. Segundo Secco, “as vivas descrições geográficas revelam que o autor realmente percorreu o sertão nordestino”, relatando “os casos de violência, torturas, as relações amorosas, o cotidiano, o papel das mulheres e das crianças, a questão racial, os hábitos alimentares, as relações políticas, o coronelismo, as formas de combate, os armamentos e até as malogradas tentativas dos comunistas em dar uma direção programática para aquela forma de banditismo”.

Serviço:
Os cangaceiros
Luiz Bernardo Pericás
301 páginas - R$ 54,00 (em média)
Editora Boitempo

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A Revolução de Outubro - Leon Trotski


"A Rússia, ainda nos dois primeiros meses de 1917, era a monarquia dos Romanov. Oito meses mais tarde os bolcheviques apoderaram-se do leme; eles que, no princípio do ano, eram desconhecidos e cujos líderes, no momento mesmo do acesso ao poder, foram acusados de alta traição. Não encontramos na História outro exemplo de uma reviravolta tão brusca, sobretudo se nos lembrarmos de que se trata de uma nação com 150 milhões de habitantes. Claro está que os acontecimentos de 1917 – de qualquer prisma que os consideremos – merecem ser estudados.

Assim Trotski abriu sua monumental História da Revolução Russa, em três volumes, escrita em 1930, quando já não estava no poder. Antes desse grande e completo relato, fez um primeiro esboço – cujo resultado é o precioso livro que as editoras Boitempo e Iskra trazem ao leitor brasileiro no 90º aniversário da Revolução Russa –como introdução ao processo a que Eric Hobsbawm se referiu com estas contundentes palavras: ‘A Revolução de Outubro teve repercussões muito mais profundas e globais que a Revolução Francesa (1789) e produziu, de longe, o mais formidável movimento revolucionário organizado da história moderna.’

Trotski, com a maestria de quem capta a essência do processo histórico, explica esse momento único em que o ‘assalto ao céu’ de que falava Marx se produziu – ou melhor, foi produzido pela combinação das condições concretas e da audácia e do espírito de vanguarda de Lenin e seus companheiros – pela primeira vez como poder proletário. A tomada do poder pelos bolcheviques é descrita por Trotski com perspicácia incomum, no foi condutor que promoveu a ‘atualidade da revolução’ no século XX.

Noventa anos depois da primeira revolta proletária vitoriosa da história da humanidade, quando a própria palavra revolução vem sendo excluída do vocabulário ou se banalizando, a leitura desta obra representa uma excelente contribuição à luta contra o capitalismo – ainda hoje o inimigo central, não apenas do socialismo, mas de toda e qualquer forma de humanismo no planeta." Texto de orelha: Emir Sader

A edição conta ainda com uma cronologia sobre a Revolução Russa e a constituição da república soviética, além de um artigo inédito de John Reed, "Os sovietes em ação”, publicado originalmente em 1918 no The Liberator, dirigido por Max Eastman, e traduzido por Beatriz Medina a partir do original em inglês.

Serviço:
A Revolução de Outubro
Leon Trotski
Tradução: Daniela Jinkings
152 páginas - R$ 29,00 (em média)
Editora Boitempo

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A crise estrutural do capital - István Mészáros


O colapso do sistema financeiro não é a causa, mas sim a manifestação de um impasse na economia mundial. É desta forma, em oposição às linhas de interpretação hegemônicas, que István Mészáros analisa o atual período histórico em sua nova obra, A crise estrutural do capital. No livro, o filósofo desmonta uma série de ilusões associadas aos acontecimentos recentes e afirma que as raízes da crise, na verdade, encontram-se no atual estágio de desenvolvimento do capitalismo.

Crise dos subprime, crise especulativa, crise bancária, crise financeira – os nomes são muitos para a imensa expansão da aventura especulativa, que abalou o capital financeiro e, naturalmente os ramos produtivos das economias. Em resposta, governos e instituições globais jogam trilhões de dólares no sistema, ao passo que os indicadores econômicos seguem sinalizando o aprofundamento da deterioração na chamada ‘economia real’.

Mészáros argumenta que é inócua a ação de governos e instituições globais que inundam a economia com trilhões e clamam pelo retorno da “confiança”. A partir de uma visão histórica e sistêmica sobre a crise do capital, o autor mostra que esta crise nada tem de nova. Pelo contrário, é endêmica, cumulativa, crônica e permanente; e suas manifestações são o desemprego estrutural, a destruição ambiental e as guerras permanentes.

Com orelha de Samir Amin e apresentação de Ricardo Antunes, A crise estrutural do capital retoma, assim, as contundentes críticas propostas por Mészáros, ao passo que muitas de suas perspectivas são confirmadas na trajetória descendente da economia global e pelos excessos no sistema financeiro internacional. O autor reafirma, assim, que vivemos uma crise estrutural cada vez mais profunda, cuja superação está além da quantia de zeros destinadas para tapar o buraco do endividamento global.

Com isso, Mészáros evidencia as falhas em tentativas de cunho socialdemocrata, keynesiano ou desenvolvimentista. Para o autor, a crise em desenvolvimento coloca no horizonte a relevância do marxismo e do desafio coletivo para a construção de uma maneira distinta de produzir e viver.

Serviço:
A crise estrutural do capital
István Mészáros
Tradução: Francisco Raul Cornejo
136 páginas - R$ 25,00 (em média)
Editora Boitempo

terça-feira, 1 de junho de 2010

A América Latina e os desafios da globalização - Emir Sader e Theotonio dos Santos


Considerado um pilar da construção do pensamento marxista não só no Brasil mas em toda a América Latina, paradoxalmente, o legado de Ruy Mauro Marini é pouco conhecido no País. A América Latina e os desafios da globalização: ensaios dedicados a Ruy Mauro Marini reúne dezesseis ensaios de intelectuais consagrados, dedicados ao legado do pensador brasileiro, produzidos nos dez anos de sua morte. Para Theotonio dos Santos, identificado ao lado de Marini e Vânia Bambirra como a corrente da “teoria da dependência”, a vida de Marini como militante clandestino, exilado e revolucionário, “só podia ser uma incômoda presença em nosso país”. No momento em que a emergência de crises agudas coloca em cheque os preceitos neoliberais, a homenagem a Marini cumpre um duplo objetivo – ao mesmo tempo em que busca corrigir a pouca difusão de sua obra no Brasil, retoma a avaliação sobre a produção teórica latino-americana desde os anos 1920, dialogando com os desafios que se apresentam no horizonte.

Dividido em quatro partes, os ensaios de América Latina e os desafios da globalização retomam o aspecto político e militante das obras de Marini, os debates sobre as tendências do sistema e da economia mundial, a articulação entre a acumulação de capital e o trabalho, e o pensamento social latino-americano. Ao mesmo tempo em que recuperam a análise crítica sobre a produção teórica na região, os autores retomam, sob a conjuntura contemporânea, os conceitos e temas desenvolvidos por Marini.

Para ele, as transformações socialistas não foram derrotadas com a emergência do neoliberalismo. Ao contrário, os projetos revolucionários devem emergir renovados para combater a intensificação contínua da superexploração e da exclusão interna. A avaliação de Marini é um contraponto poderoso a incredulidade disseminada junto aos parâmetros capitalistas. Suas obras dialogam com uma geração para a qual o socialismo se apresentava como uma tarefa imediata e emergia como uma transformação necessária e realizável.

Os textos resgatam a reflexão sobre a conjuntura latino-americana, seus aspectos de construção social específica, e sua inserção num contexto amplo do desenvolvimento histórico da humanidade. Marini busca suas raízes em Karl Marx, Lenin, Rosa Luxembrugo e Leon Trostski para repensar a produção social da América Latina, num tempo em que a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) postulava uma linha desenvolvimentista para a região. Suas contribuições não foram poucas – a teoria da dependência, os conceitos de sub-imperialismo, superexploração do trabalho e inúmeras reflexões sobre modelos participativos de decisão são alguns dos legados deixados por Marini, que estão presentes no debate sobre os desafios sociais de nosso tempo.

Trecho da apresentação de Carlos Eduardo Martins e Adrián Sotelo Valencia
A restrição à obra de Ruy Mauro Marini no Brasil e seu paradoxal desconhecimento por parte dos brasileiros têm três raízes. A primeira, o golpe militar de 1964, que o levou ao exílio no Chile e no México, antes que desenvolvesse grande parte de sua obra. O golpe apartou o país do enfoque latino-americanista que marcou as ciências sociais da região nos anos 1960-1970. A segunda, a ofensiva da Fundação Ford voltada para a construção de uma comunidade acadêmica liberal capaz de gerenciar o capitalismo brasileiro em marcos democráticos, uma vez terminada a ditadura. A terceira se refere à ofensiva neoliberal empreendida na região ao longo dos anos 1990, estimulada pelo consenso de Washington e pela crise das universidades públicas, o que sujeitou a intelectualidade a pressões externas. Entretanto, a crise de legitimidade do neoliberalismo potencializa a abertura de novos espaços.

Serviço:
A América Latina e os desafios da globalização
Emir Sader e Theotonio dos Santos
392 páginas - R$ 48,00 (em média)
Editora Boitempo

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Lacrimae rerum - Slavoj Zizek


Lacrimae Rerum reúne um conjunto de ensaios de Slavoj Žižek sobre o cinema moderno, propondo um estudo aprofundado sobre as motivações de diretores renomados internacionalmente como Krzysztof Kieslowski, Alfred Hitchcock, Andrei Tarkovski e David Lynch, até do sucesso de bilheteria hollywodiano Matrix.

Zizek mostra imagens que são tão familiares quanto fabricadas, evidenciando como as histórias, mesmo que críticas, nos fornecem um panorama estático da realidade. São feitas de denúncias cínicas de mazelas, contra-balanceadas por uma crença irracional na ‘essência da situação’, de modo que a ficção concede legitimidade ideológica ao real.

Segundo o autor, em prefácio para a edição brasileira, “embora totalmente desiludidos, tais personagens são daqui e aqui devem ficar, esse sofrimento é seu mundo, eles lutam para encontrar um sentido na vida dentro dessas coordenadas, e não para ir à luta recorrendo a meio radical qualquer”.

Já nas palavras de Sérgio Rizzo, que assina a orelha da obra, “a erudição de Slavoj Zizek não caminha apenas sobre as pedras da filosofia, da psicanálise e da cultura erudita, mas também, e com idêntica desenvoltura, sobre o universo fabular para consumo de massas criado pela indústria do entretenimento, com destaque para a hollywoodiana”.

Serviço
Lacrimae rerum
Slavoj Zizek
182 páginas - R$ 35,00 (em média)
Editora Boitempo

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Meneghetti, o gato dos telhados


Em 4 de junho de 1926, São Paulo parou para ver a polícia perseguir Gino Meneghetti, àquela altura já uma lenda como ladrão. O cerco começou de madrugada, na região da atual cracolândia, e durou dez horas. Mobilizou 200 policiais e uma plateia de milhares de pessoas pelas ruas do centro.

O quarteirão entre as ruas Santa Ifigênia, Vitória, dos Andradas e dos Gusmões foi todo cercado. Na troca de tiros, um delegado foi morto. Meneghetti pulou pelos telhados e se escondeu nos quintais, até se entregar, extenuado, após uma moradora descobrir que estava encolhido em seu forro.

O episódio cinematográfico é relatado em detalhes no livro "Meneghetti, o Gato dos Telhados", do jornalista e escritor Mouzar Benedito, que será lançado hoje, a partir das 19h, na Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, Vila Madalena. Não haveria lugar mais apropriado. Ali, na casa onde funciona o escritório da livraria, Meneghetti foi preso pela última vez, aos 92 anos, com uma talhadeira, um martelo e uma lanterna, acusado de tentar arrombar o portão, o que negou.

Com 92 anos --vale repetir--, acabou liberado pelo delegado. No local há uma placa lembrando o derradeiro rolo do ladrão, que morreria em 1976, aos 98.

Meneghetti, italiano que chegara ao Brasil em 1913, aos 35 anos, já procurado por extensa ficha corrida em seu país e na França, viveu no célebre "cerco da rua dos Gusmões" um dos pontos altos de sua celebridade no Brasil.

Começou afanando frutas e galinhas na Pisa natal. Aqui, se especializou em roubar joias e mansões de milionários, jamais os de poucas posses. Deixava bilhetes pirracentos para os ricaços, reclamando da qualidade dos produtos. Por cartas aos jornais, desafiava a polícia.

Foi preso incontáveis vezes, fugiu "pelo menos 17", segundo ele mesmo calculou. Gabava-se de jamais ter matado alguém, o que é controverso. Foi acusado pela morte do delegado no cerco de 1926, o que negava. A perícia suscitou a hipótese de que fogo da polícia tenha causado a morte.

Fascínio

"Qual o criminoso simpático em São Paulo hoje?", questiona o historiador Boris Fausto. "Não há. Meneghetti roubava os ricos, sofreu maus tratos na prisão, era anarquista. Tudo isso compunha um tipo simpático. Ele é único neste sentido."

Fez fama por todo o país. "Menino, no interior de Minas, eu ouvia falar de Meneghetti. Quem tem mais de 40 anos tem fascinação por ele", diz Mouzar Benedito, 63, autor do perfil a ser lançado hoje.

A aura de ladrão querido o tornou objeto de outros livros, como o esgotado "Vida de Meneghetti: Memórias", depoimento a M.A. Camacho; "O Incrível Meneghetti", de Paulo José da Costa Jr., que por anos foi advogado do bandido; "O Lendário Meneghetti", de Célia de Bernardi, e "O Grande Ladrão", de Renato Modernell.

O de Benedito compila muitas informações dos anteriores, acrescenta poucas novas, traz fotos e uma história em quadrinhos de Luiz Gê sobre o ladrão, publicada originalmente em 1976 no jornal "Versus". Foi nela que o cineasta Beto Brant se baseou para fazer o curta "D'ove, Meneghetti" (1989), raro tributo do cinema a um personagem tão cinematográfico.

"Não é que ele fosse charmoso e romântico; ele era um imigrante italiano anarquista, e foi isso que me pegou", diz Brant, que admite a influência do "bom ladrão" na sua obra.

Meneghetti viveu entre a realidade e o mito, e ainda hoje é difícil distinguir um de outro. Seja por incúria investigativa ou por querer deliberadamente jogar com a confusão, o perfil biográfico que sai hoje não consegue fazer o filtro.

Será o 22º livro de Benedito, que escreveu "1968, Por Aí... - Memórias Burlescas da Ditadura" e "João do Rio, 45", entre outros. Ele é fundador da Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) e lidera campanha para que a figura fantástica de uma perna só seja a mascote da Copa de 2014 no Brasil.

Como se vê, é um autor com fascínio por lendas.

Serviço
Meneghetti, o gato dos telhados
Mouzar Benedito
136 páginas - R$ 29,00 (em média)
Editora Boitempo

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

São Paulo - A fundação do Universalismo


A partir do discurso do apóstolo Paulo, tido como o fundador do cristianismo, o filósofo Alain Badiou formula uma investigação sobre os fundamentos do universalismo. Para o intelectual francês, Paulo inaugura um novo discurso, distinto da filosofia grega e da lei dos judeus, fundado na experiência e portador de uma nova perspectiva, a universalidade. Ao longo desse ensaio, Badiou aborda a conexão paradoxal feita por Paulo entre um sujeito sem identidade e uma lei sem suporte, que funda a possibilidade de uma predicação universal na história.

Serviço
São Paulo - A fundação do Universalismo
Alain Badiou
Tradução: Wanda Caldeira Brant
144 páginas - R$ 32,00 (em média)
Editora Boitempo

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O tempo e o Cão


A psicanalista e escritora Maria Rita Kehl parte da suposição de que a depressão é um sintoma social contemporâneo para desenvolver os três ensaios que compõem seu novo livro: O tempo e o cão, a atualidade das depressões.

Escrito a partir de experiências e reflexões sobre o contato com pacientes depressivos, o livro aborda um tema que, apesar de muito comentado, é pouco compreendido e menos ainda aceito atualmente.

Para abordá-lo, Maria Rita faz um apanhado do lugar simbólico ocupado melancolia, desde a Antigüidade clássica até meados do século XX, quando Freud trouxe esse significante do campo das representações estéticas para o da clínica psicanalítica. Para ela: “Freud privatizou o conceito de melancolia; seu antigo lugar de sintoma social retornou sob o nome de depressão.”

O livro toca também na relação subjetiva dos depressivos com o tempo, chamado pela autora de temporalidade. Para a construção deste pensamento, são utilizados conceitos dos filósofos Henry Bergson e Walter Benjamin, ambos dedicados à reflexão sobre essa questão.

A clínica das depressões do ponto de vista da psicanálise está presente no terceiro ensaio, a começar pelo estabelecimento das distinções fundamentais entre a depressão e a melancolia. Aqui, a autora busca estabelecer as diferenças entre a posição subjetiva dos depressivos e as circunstâncias que determinam episódios pontuais de depressão nos obsessivos e nos histéricos.

Reconhecida pela longa e compromissada trajetória profissional, Maria Rita Kehl lança seu segundo livro pela Boitempo Editorial. Acessível e profundo, O tempo e o cão desperta o interesse não somente daqueles que têm relação direta com a psicanálise, mas também de quem deseja compreender a fundo a ação dos mecanismos sociais sobre a subjetividade humana.

Serviço
O tempo e o Cão
Maria Rita Kehl
304 páginas - R$ 39,00 (em média)
Editora Boitempo

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Retorno à condição operária


Retorno à condição operária, de Stéphane Beaud e Michel Pialoux, é um clássico da sociologia do trabalho. A partir de uma profunda pesquisa sobre as transformações vividas pela classe operária a partir da década de 1980, os autores buscam compreender o processo que resultou na perda de expressão política do operariado. Trata-se de um retrato não só das estratégias patronais para dissuadir a organização coletiva, mas também do impacto de novas técnicas gerenciais que alteraram de maneira significativa o sentido de identidades no mundo do trabalho.

O objeto de estudo de Beaud e Pialoux são as fábricas da montadora Peugeot, da região fabril de Sochaux-Montbéliard, na França. É a partir de uma imersão nesse local de pesquisa que os autores costuram uma ampla etnografia, avaliando desde aspectos históricos, conjunturais e sindicais até o mapa cultural do movimento, ampliando o escopo da sociologia do trabalho mais tradicional. A perda do prestígio simbólico da classe, a compressão dos espaços de socialização, a divisão geográfica do trabalho e as diferenciações geracionais e de gênero no conjunto dos trabalhadores são alguns dos muitos aspectos que ajudam a compreender a situação do universo operário hoje.

O trajeto percorrido pelos autores retoma as consequências sociais e industriais desse desmonte, contribuindo para desfazer o mito de que a classe perdeu peso e importância na organização social, sobretudo para as análises acadêmicas e projetos políticos. Com isso, a obra propõe um Retorno à condição operária como modo de compreender e transformar a sociedade.

Nas palavras de Marco Santana, que assina a orelha desta edição, “estão em tela questões tais como: as mudanças no mundo do trabalho e seus impactos para a vida da classe trabalhadora, as novas estratégias empresariais, o papel da escola e da família nesse novo contexto, os conflitos intergeracionais e os processos de desfiliação e delinquência que podem surgir desse mundo em mutação. Enfim, questões que hoje, dada a mundialização, estão postas, ainda que em graus diversos, em todas as partes do globo”.

Retorno à condição operária, publicado no âmbito do Ano da França no Brasil, contou com o apoio do Ministério francês das Relações Exteriores e Européias.”.

Serviço
Retorno à condição operária
investigação em fábricas da Peugeot na França
Autor(a): Stéphane Beaud e Michel Pialoux
Tradutor(a): Mariana Echalar
336 páginas - R$ 65,00 (em média)
Editora Boitempo

A história da escravidão


Em A história da escravidão, o autor francês Olivier Pétré-Grenouilleau analisa não só a organização produtiva desse sistema, mas as raízes deixadas pela escravidão na maneira da humanidade conceber e interagir com o mundo.

A obra busca responder a três questões que podem parecer simples, mas delineiam uma investigação sobre a história da humanidade a partir das marcas deixadas por tal sistema: o que é realmente escravidão? Por que "apareceu" e como evoluiu? Como, afinal, conseguimos aboli-la por toda parte, ao menos oficialmente, embora muitas vezes ela ainda resista de forma clandestina? Com um texto acessível e didático, o autor resgata as origens da escravidão e seus desdobramentos ao longo da história para mostrar o desafio colocado nos dias atuais por alguns de seus legados, como o racismo e as segregações.

Nas palavras de Beluce Bellucci, que assina a orelha da obra, "relação social tão antiga como moderna, a escravidão é tão fácil de entender como difícil de conceituar. O tema é estudado por intelectuais brasileiros como Gilberto Freyre, Manolo Florentino, Alberto da Costa e Silva, Jacob Gorender, entre outros, com diferentes pontos de vista e escopos. A história da escravidão, de Olivier Pétré-Grenouilleau, imprime atualidade ao debate teórico e à exigência da prática política, social e cultural brasileira".

A história da escravidão, publicado no âmbito do Ano da França no Brasil, contou com o apoio do Ministério francês das Relações Exteriores e Europeias.

Trecho da obra
A escravidão é um assunto particularmente doloroso e chocante, um crime contra a humanidade, que provoca nossa indignação. É espantoso que tenhamos conseguido conviver com ela durante tanto tempo. Mas bons sentimentos e julgamentos morais não bastam: se quisermos combater de maneira eficaz uma prática tão frequente na história do mundo, temos de nos esforçar para compreender o que ela favoreceu, por que foi imposta por tanto tempo e como pôde ser admitida.

Ora, o que sabemos sobre a escravidão hoje? Muito e ao mesmo tempo muito pouco. Sabemos muito, porque essa prática suscitou inúmeros estudos. Mas também sabemos muito pouco, porque é difícil ter uma ideia clara sobre um fenômeno cujas origens remontam a no mínimo 3 mil anos antes da nossa era e que se desenvolveu em maior ou menor grau na maioria das sociedades humanas. Não dizem também que a escravidão ainda existe ou cresce praticamente debaixo do nosso nariz?

Serviço
A história da escravidão
Olivier Pétré-Grenouilleau
Tradutor(a): Mariana Echalar
152 páginas - R$ 32,00
Editora Boitempo

Revoluções


Em um esforço inédito de compilação, Revoluções reúne os principais registros fotográficos dos processos revolucionários do final do século XIX até a segunda metade do século XX. O livro convida o leitor a percorrer a diversificada experiência das lutas populares por meio de imagens raras, como as fotografias da Comuna de Paris, e clássicas, como as de Lenin e Trotski na Rússia. Para Michael Löwy, organizador da obra, “as fotos de revoluções revelam ao olhar atento do observador uma qualidade mágica, ou profética, que as torna sempre atuais, sempre subversivas. Elas nos falam ao mesmo tempo do passado e de um futuro possível”.

Além da documentação iconográfica, os acontecimentos históricos são narrados por intelectuais como Gilbert Achcar, Rebecca Houzel, Enzo Traverso, Bernard Oudin, Pierre Rousset, Jeanette Habel e o próprio Löwy. São ensaios ágeis que, a partir de registros fotográficos, retratam a Comuna de Paris, as revoluções Mexicana (1910–1920), Russas (1905 e 1917), Alemã (1918–1919), Húngara (1919), Chinesas (1911 e 1949), Cubana (1953–1967) e a Guerra Civil Espanhola (1936).

A edição brasileira conta com um apêndice exclusivo, no qual Löwy faz uma reflexão sobre os momentos de resistência que marcaram a história do Brasil. O livro possui também um capítulo que passa em revista uma série de eventos transformadores dos últimos trinta anos: o Maio de 1968, a Revolução dos Cravos em Portugal (1974) e a Nicaraguense (1978–1979), a queda do Muro de Berlim (1989) e a sublevação zapatista de Chiapas (1994–1995).

A obra resgata, assim, a trajetória daqueles que viveram movimentos contra hegemônicos e de inspiração igualitária, aliando rostos de anônimos que protagonizaram as lutas de classe a registros de dirigentes eternizados pela história, como Vladimir Lenin, Felix Dzerjinski, Leon Trotski, Béla Kun, Emiliano Zapata, Pancho Villa, Che Guevara e Fidel Castro.

Nas palavras de Luiz Bernardo Pericás, que assina a orelha do livro, “sucesso de público e crítica tão logo foi lançado na França, em 2000, Revoluções teve sua primeira edição esgotada rapidamente. As imagens e os ensaios que compõem este volume tornam-se imprescindíveis para a compreensão de alguns dos episódios mais bonitos e emocionantes da história universal contemporânea”.

Textos e autores
A revolução fotografada
Michael Löwy

A Comuna de Paris, 1871
Gilbert Achcar

A Revolução Russa de 1905
Gilbert Achcar

A Revolução Russa de 1917
Rebecca Houzel e Enzo Traverso

A Revolução Húngara, 1919
Michael Löwy

A Revolução Alemã, 1918–1919
Enzo Traverso

A Revolução Mexicana, 1910–1920
Bernard Oudin

As Revoluções Chinesas, 1911 e 1949
Pierre Rousset

A Guerra Espanhola, 1936
Gilbert Achcar

A Revolução Cubana, 1953–1967
Janette Habel

A história não terminou
Michael Löwy

Apêndice à edição brasileira – Revoluções brasileiras?
Michael Löwy

Serviço
Revoluções
Organização: Michael Löwy
Tradutor(a): Yuri Martins Fontes
552 páginas - R$ 68,00 (em média)
Editora Boitempo

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Cidade de Quartzo

Em 'Cidade de quartzo - escavando o futuro em Los Angeles', o autor discorre sobre as características desta cidade norte-americana, como a especulação imobiliária, a paranóia dos condomínios fechados, a corrupção das autoridades, a violência urbana e o transporte individual em automóveis nas estradas congestionadas. É um retrato do contraste entre políticas públicas mercadológicas e liberais, e a marginalização histórica de estratos sociais e migrantes - quadro que reverberou em eclosões violentas na década de 1990, como previu o autor.

Serviço
Cidade de Quartzo - Escavando o futuro em Los Angeles
Mike Davis
Tradução: Renato Aguiar e Marco Rocha
432 páginas - R$ 66,00 (em média)
Editora Boitempo