Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O novo imperialismo

Em um ensaio instigante, o autor mostra como os EUA assumiram a responsabilidade de colonizar o mundo após a Primeira Guerra Mundial e como esse país se reinventou para lidar com a poderosa força de oposição que surgiu depois de 1945. Kiernan apresenta uma visão singular e erudita do império e explica os motivos que continuam fazendo com que os Estados Unidos não se limitem às suas fronteiras, mesmo em tempos de crise.

Serviço
Estado Unidos: o novo imperialismo
V.G. Kiernan
490 páginas - R$ 62,90
Editora: Record

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Afeganistão e a mulher

Depois de Terra e cinzas (2002) e As mil casas do sonho e do terror (2003), a Estação Liberdade lança Syngué Sabour, novo livro do aclamado escritor afegão, que levou de surpresa com esta obra o Prêmio Goncourt 2008. Em persa, syngué significa “pedra” e, sabour, “paciente”. Pedra paciente, a pedra-de-paciência. A personagem central desta obra, uma mulher afegã, vela o marido — que vegeta em uma cama com uma bala alojada na cabeça. Os tempos são difíceis, na rua os tanques e as Kalashnikov atiram sem cessar, a guerra civil impera às portas da casa onde a mulher espera por um milagre. Enquanto isso, lentamente a mulher faz jorrarem de dentro de si as recordações há muito escondidas. Passa a narrar ao marido fatos que ele sempre ignorara.

Como a syngué sabour da mitologia persa, a pedra negra que recebe dos peregrinos suas dores e lamentos, o homem prostrado ouve sua esposa. Ouve a extraordinária confissão da mulher, que segreda-lhe, de maneira inimaginável num país islâmico, tudo o que mantivera para si, soterrado sob uma espessa camada de tradição.A ideia para a obra surgiu a partir de um episódio em que foi convidado para um evento literário em Cabul por uma amiga, a poeta Nadia Anjuman.

Chegando lá, descobriu que a poeta estava morta, por “causas familiares”. Investigando, soube que Nadia havia sido espancada até a morte pelo próprio marido, com a conivência da mãe, pois eles discordavam de seu modo de vida.A frase que abre o livro — “Em algum lugar do Afeganistão ou alhures” — já revela a proposta do autor de não particularizar sua obra no âmbito topográfico: é sobre cultura afegã, ou, mais precisamente, sobre a ortodoxia islâmica que o autor se debruça em Syngué sabour.

Não por acaso anônimos, seus personagens fazem irromper as tensões de todo um povo, as mazelas de uma região ressentida de conflitos perenes, sem, no entanto, que se abdique da sutileza e do refinamento do detalhe.Estilista da linguagem, cuja economia maneja com precisão, Rahimi conduz o leitor entre o lirismo e a contundência, entre o que é velado e o que se escancara, através dos conflitos políticos, religiosos e morais de um país em escombros.

Esta obra, a primeira que ele escreveu diretamente em francês, conquistou o Prêmio Goncourt de 2008 e consolida o autor afegão como um dos grandes nomes da literatura trans-étnica deste início de século XXI. O júri que atribui o Goncourt para Syngué sabour era composto por: Tahar Ben Jelloun, Françoise Chandernargor, Edmonde Charles-Roux, Didier Decoin, Françoise Mallet-Joris, Bernard Pivot, Patrick Rambaud, Robert Sabatier, Jorge Semprun e Michel Tournier.No dia seguinte a seu comunicado de agradecimento pelo prêmio, Rahimi emitiu outro contra a deportação de 50 compatriotas afegãos que seriam embarcados à força de Calais (França), no que teve sucesso, imbuído de nova autoridade como laureado do Goncourt.

Serviço
Pedra-de-paciência
Rahimi Atiq
Tradução: Flávia Nascimento
152 páginas - R$ 30 (em média)
Editora Estação Liberdade

A herança de Che

As paixões e polêmicas em torno da já mítica figura de Che Guevara formam um grande desafio para aqueles que buscam traçar um perfil fidedigno de sua figura histórica. Desafio enfrentado por Olivier Besancenot e Michael Löwy em Che Guevara: uma chama que continua ardendo. Neste lançamento da Editora Unesp, discutem, a partir de diversos ângulos, a evolução do pensamento político, valores, propostas e sonhos do médico argentino que morreu combatendo a ditadura militar boliviana em 1967.

Nessa busca, os autores revelam um caráter mais humano desse personagem revolucionário, expondo suas forças e fraquezas, sua lucidez e cegueira, seus erros e inabilidades. O que o destacava dos demais personagens políticos da história era a coerência que mantinha entre o discurso e a prática, pensamento e ação. Essa singularidade de agir conforme a palavra é, para Löwy e Besancenot, a razão de Che continuar a fascinar inúmeras pessoas em todo o mundo, principalmente os jovens.

E o fascínio inesgotável leva à atualização de alternativas ideológicas, igualitárias e democráticas inspiradas pelos ideais defendidos por Che. Esse é um campo amplamente discutido nas páginas do livro: seu legado está presente nos inúmeros movimentos sociais que vêm se consolidado nos últimos anos (Fórum Social Mundial, zapatistas, Via Campesina, entre outros) e escancara a influência guevarista para a construção do chamado "socialismo do século XXI".

Além de debater a herança política nos movimentos sociais, principalmente na América Latina, Che Guevara: uma chama que continua ardendo constrói uma interessante narrativa, cheia de detalhes que desvendam a trajetória da guerrilha que ele comandou na Bolívia antes de ser capturado no vilarejo de La Higuera pelo exercito local. Outro mérito da obra é a discussão sobre sua busca constante de um novo modelo de socialismo a partir das ressalvas aos erros cometidos no século XX.

Serviço
Che Guevara: uma chama que continua ardendo
Olivier Besancenot e Michael Löwy
Tradutora: Maria Leonor Loureiro
150 páginas - R$ 24 (em média)
Editora: Unesp