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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Como deixei de ser Deus


Como deixei de ser Deus é uma história extraordinária. Pedro Maciel apresenta máximas, epigramas, fragmentos, reflexões e sacadas para todos os efeitos, desde o sorriso até o espanto, passando pela admiração, o deleite, a inspiração e, em alguns casos, o “ahn?”. Enfim, uma mente livre exercendo a sua liberdade. Sempre um espetáculo fascinante. - Luis Fernando Verissimo

Como deixei de ser Deus foi para mim uma gratíssima surpresa, pela originalidade, pela profundidade e pela transcendência do texto. - Moacyr Scliar

Pedro Maciel nos faz acreditar que a literatura brasileira possa ainda apresentar alguma coisa de novo que, curiosamente, remonta à própria arte de escrever: o estilo. Seu primeiro romance, A Hora dos Náufragos (Bertrand Brasil, 2006), perturba pela força da linguagem. O que há de mais próximo desse livro seriam os famosos fusées de Baudelaire. - Ivo Barroso

Como deixei de ser Deus, além de ficção exemplar, alterna humor, erudição, deslumbramento e ironia. Com estilo imprevisível, Pedro Maciel apresenta seu mundo utópico e apocalíptico, e se revela por inteiro através das falas de suas personagens. Pode-se dizer que a escrita deste livro é uma das mais inventivas da última década. Seu autor escreve e reescreve todos os dias em busca da sonoridade exata. Para ele, o ritmo é o núcleo do texto.

Com argumento extremamente simples, Pedro Maciel revela neste livro uma história ancestral e, ao mesmo tempo, contemporânea, na qual explora a técnica polifônica, apresentando variadas vozes e ecos de outros tempos e origens.

O autor pergunta e responde: "Que quer o tempo? Suspirar. Que quer o templo? Guardar". Contudo, segundo Antonio Cicero, para alcançar este Deus e este tempo "é preciso já ter acordado do sonho de ser Deus e abraçado a finitude e a temporalidade. Será talvez por isso que, de certo modo, é o tempo o verdadeiro tema desse livro, que pode ser considerado uma espécie de Bildungsroman, isto é, de romance de educação ou formação. Pode-se dizer que é justamente a intensa capacidade de instigar a sensibilidade, o pensamento e a imaginação que constitui um dos maiores encantos de Como deixei de ser Deus."

Serviço
Como deixei de ser Deus
Pedro Maciel
150 páginas - R$ 29,00 (em média)
Editora Topbooks

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Arthur Rimbaud - Correspondências


Num dia de julho de 1873, o poeta Paul Verlaine andava pelas ruas de Londres levando uma rara provisão de comida e a dose costumeira de bebida para a casa onde vivia com Arthur Rimbaud, o jovem talentoso por quem há pouco mais de um ano abandonara a mulher, o filho, o emprego, e de modo geral todos os compromissos que até então faziam dele um integrante respeitável da sociedade parisiense.

Ao se aproximar do número 8 da Great College Street, porém, ouviu o grito sarcástico do amante: “Que ar de babaca, com esse arenque e a garrafa na mão!”.

Seria apenas uma provocação infantil, não fossem as incontáveis punhaladas (metafóricas e literais) já trocadas pelos dois escritores em sua rotina de brigas, bebedeiras e penúria.

Decidido a encerrar o relacionamento que descreveu como “um amor de tigres”, Verlaine embarcou para a Antuérpia. Abandonado, Rimbaud escreveu ao amante uma carta derramada: “Volte, volte, querido amigo, único amigo, volte. Juro que serei bom. Se fui mordaz com você, foi só por besteira e teimosia, arrependo-me mais do que se possa dizer”. Verlaine tinha motivos para duvidar.

Longe de ser uma besteira ocasional, a mordacidade era um hábito cultivado com prazer pelo remetente, como se pode ver no recémlançado “Arthur Rimbaud: Correspondência” (Topbooks, 476 páginas, R$ 59).

Primeira edição brasileira a reunir todas as cartas conhecidas de Rimbaud, o livro traz escritos que vão da adolescência aos últimos dias do poeta, expondo uma vida intensa e atribulada, partida em duas metades: a do jovem brilhante, talentoso e impertinente que entremeava maledicências e trocadilhos escatológicos com poemas hoje contados entre os maiores da literatura moderna; e a do comerciante objetivo que relatava em tom sóbrio suas expedições pela África, onde tentava juntar dinheiro para um dia viver de renda, sem trabalhar

Texto tirado do jornal O Globo

Serviço
Arthur Rimbaud - Correspondências
Arthur Rimbaud
Tradução: Ivo Barroso
476 págins - R$ 59,00 (em média)
Editora Topbooks