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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Boris Kossoy - Fotógrafo - Boris Kossoy


Conhecido como o primeiro grande historiador da fotografia no Brasil, Boris Kossoy revela neste livro seu lado de fotógrafo-autor. Boris Kossoy: fotógrafo traz um panorama de sua produção fotográfica entre 1955 e 2008, com apresentação de Jorge Coli e um texto de balanço do próprio autor, acompanhado ainda de duas entrevistas e uma cronologia ilustrada.

O tema da ruptura da fronteira entre realidade e ficção atravessa o caleidoscópio de imagens de Kossoy. Em Viagem pelo Fantástico, de 1971, com prefácio de Pietro Maria Bardi, o fotógrafo já mostrava o fascínio por deslocamentos de sentido em suas composições surrealistas com manequins e personagens fictícios em cenários urbanos. Ao longo do tempo, no entanto, sua lente descobre o fantástico em cenas corriqueiras de grandes cidades, no interior de residências, e em paisagens, fazendo dele elemento constitutivo de sua obra. A busca do estranhamento em relação à realidade liga-se, finalmente, a sua atividade como historiador da fotografia.

Serviço
Boris Kossoy - Fotógrafo
Boris Kossoy
216 páginas - R$ 69,00 (em média)
Editora Cosac Naify/ Imprensa Oficial/ Pinacoteca-SP

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

1924 - O Diário Da Revolução - Duarte Pacheco Pereira


O livro resgata a Revolução de 1924, um dos episódios mais violentos da história do País, travado nas ruas, praças e prédios da cidade de São Paulo entre os dias 5 e 23 de julho daquele ano. Com base em relatos de revoltosos, reconstituições de historiadores, documentos, jornais e imagens daquele período, o autor produziu uma reportagem histórica, que mostra ao leitor a cidade conflagrada, desde a tomada dos primeiros quartéis até a retirada das tropas rebeladas, após 23 dias de combates.

Serviço
1924 - O Diário Da Revolução
Duarte Pacheco Pereira
R$ 70,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial

sábado, 8 de maio de 2010

Um inverno - João Luiz Musa


Para produzir Um inverno, coeditado pela Imprensa Oficial e Edusp, Musa atravessou 12 países e um grande número de cidades, durante uma viagem à Europa no inverno de 1973-1974, captando imagens dos vários locais por onde passou e experimentando intensamente a condição de estrangeiro e o fato de não pertencer ao que via. Era apenas um jovem desconhecido portando uma câmera fotográfica com o carinho e o cuidado típicos de um estrangeiro, que só tem a si mesmo, que vai caminhando atentamente por cidades e territórios desconhecidos levando consigo o copo d’água cheio até a borda de suas lembranças, o lastro que lhe serve de parâmetro à sucessão de surpresas de cada dia, reflete Agnaldo Farias na apresentação da obra.

Nas 75 fotos que compõem a obra, o leitor poderá acompanhar esse momento importante da formação profissional e artística de Musa a construção de seu olhar, o uso da luz difusa típica do inverno, da atmosfera de tons entre o branco e o cinza, o que evidencia, sobretudo, a sensação de solidão da maioria das pessoas fotografadas, quase sempre resguardadas no interior dos ambientes, ou isoladas em meio à paisagem e às ruas das cidades.

Serviço
Um inverno
João Luiz Musa
Texto: Agnaldo Farias
144 páginas - R$ 70,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial e Edusp

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Roberto Müller Filho: intuição, política e jornalismo - Maria Helena Tachinardi


Cláudio Abramo, um dos mais influentes amigos de Roberto Müller, dizia: "O jornalismo, é antes de tudo, e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter". MÜller, que levou à risca essa definição, pertencia à clase de idealistas não utópicos, cujas convicções estão expressas em sua conduta, seja ela política ou empresarial. Lutou em favor da democracia e contra a injustiça social durante todo o governo militar, no período mais obscuro da vida política brasileira. A visão cosmopolita de Müller, na Redação da Gazeta Mercantil, revolucionou a estrutura organizacional do jornal. Seu tino empresarial e vocação de liderança fizeram o períodido tornar-se a mais prestigiada publicação financeira do Brasil, sendo frequentemente comparado ao The Wall Street Journal e apelidado Financial Times brasileiro.

Serviço
Roberto Müller Filho: intuição, política e jornalismo
Maria Helena Tachinardi
204 páginas - R$ 20,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial

José Ramos Tinhorão: o legendário - Elizabeth Lorenzotti


José Ramos Tinhorão começou a escrever sobre Cultura em 1961, no Jornal do Brasil, quando recebeu a tarefa de produzir uma série sobre música popular brasileira. Entre muitas investigações e pesquisas do efervescente momento cultural, colocou à prova verdades sacramentadas sobre a música, provocou polêmicas, conquistou apoios e muitos inimigos. Essa e muitas outras histórias sobre sua trajetória profissional, contextualizadas nos bastidores do jornalismo brasileiro nas décadas de 60 e 70, principalmente, estão no livro Tinhorão, o Legendário, da coleção Imprensa em Pauta.


A biografia, escrita pela jornalista Elizabeth Lorenzotti, mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e doutoranda em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas pela mesma instituição, resgata fatos históricos de várias épocas. Tinhorão começou a escrever textos-legendas no histórico Diário Carioca dos anos 50. Fez carreira na humilde função de copidesque (redator), como ele mesmo classifica, em veículos como Jornal do Brasil, Correio da Manhã, O Cruzeiro, O Jornal, Última Hora e Veja (neste último veículo, integrou a primeira equipe, em 1968), além do próprio Diário, sua porta de entrada na profissão.


As pesquisas na área musical o levaram pelo caminho da crítica, pautada principalmente pelo seu espírito nacionalista. Tinhorão, nas palavras da autora, sempre nadou contra a corrente: em suas colunas, contrariou o senso comum sobre a música popular. Entre suas descobertas, escreveu que a Bossa Nova é uma variante americana do samba, tão brasileira como um carro montado no Brasil ele também satirizava o fato de diversos artistas reivindicarem a paternidade deste estilo musical. Demonstrou ainda que o samba nasceu no Rio de Janeiro, e não na Bahia, como se acreditava. Era rigoroso e, muitas vezes, irônico nas críticas à indústria cultural e a artistas. Diversos artigos causaram reações furiosas. Alguns deles, não só os polêmicos como os engraçados, estão no livro.

Serviço
José Ramos Tinhorão: o legendário
Elizabeth Lorenzotti
280 páginas - R$ 20,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial

Paulo Francis - polemista profissional - Paulo Eduardo Nogueira


Paulo Francis gostaria de ler Paulo Francis - Polemista Profissional. Primeiro, porque é um livro honesto, não o poupa de nenhum pecado e, mesmo assim, é a seu favor. Segundo, porque Paulo Eduardo Nogueira escreve como Francis achava que se devia escrever: direto, com clareza, sem firulas ou ademanes, mas com leveza e elegância. Está tudo aqui: o profissional que tantos admiravam com ardor e outros tentavam desprezar(mas invejando seu fôlego para trabalhar e a liberdade que ele conquistara), e o homem, detestado por quem não o conhecia direito e estimado até por quem era íntimo dos seus defeitos. Enfim, Paulo Francis era uma contradição viva. O que o tornava interessantíssimo.

Serviço
Paulo Francis - polemista profissional
Paulo Eduardo Nogueira
160 páginas - R$ 20,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sociedade Rural Brasileira – 90 anos - Guilherme Wendel de Magalhães


A contratação de imigrantes para as lavouras de café, leis sobre questões agrárias, formação da frente parlamentar rural durante a Constituinte de 1988, o mercado exportador, a regulamentação do setor cafeeiro, técnicas de melhoramento agrícola e todos os temas que mobilizaram o setor rural brasileiro nos últimos 90 anos são alguns dos vários assuntos tratados pela Sociedade Rural Brasileira (SRB) desde 1919 e agoras registrados em “Sociedade Rural Brasileira – 90 anos”, livro organizado por Guilherme Wendel de Magalhães e editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, em parceria com a SRB.

A obra faz um resgate histórico da instituição, incluindo textos publicados em sua principal revista e transcritos para o livro. A apresentação é feita pelo atual presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho da Silva, e os prefácios são de Reinhold Stephanes, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e João de Almeida Sampaio Filho, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Uma linha do tempo contextualiza a SRB no cenário nacional e aponta fatos relevantes para o setor.

O capítulo “Semear” apresenta a ata da primeira reunião que tratou da fundação da SRB, no dia 20 de maio de 1919, e a biografia do fundador, Eduardo da Fonseca Cotching. Ainda neste capítulo, a história da publicação inaugurada em 1920, sob o nome de “Annaes da Sociedade Rural Brasileira” que em seu início apresentava informações do setor, artigos, e informações internas da entidade. Em 1922, a publicação mudou o nome para Revista da Sociedade Rural Brasileira, acrescentando notícias e estatísticas.

De 1941 a 1946, por imposição do Governo Vargas, a palavra “Brasileira” foi suprimida do nome da revista – o objetivo do governo era de que não se transformasse em porta-voz do campo. Em 1946, voltou a se chamar Revista da Sociedade Rural Brasileira. Nove anos mais tarde, teve o nome alterado para A Rural. Em 1995, transformou-se em Informativo Rural e, em 2009, novamente passou a se chamar A Rural. O capítulo inteiro é ilustrado com fotos dos vários momentos da publicação.

Serviço
Sociedade Rural Brasileira – 90 anos
Organização: Guilherme Wendel de Magalhães
132 páginas - R$ 50,00 (em média)
Imprensa Oficial e Sociedade Rural Brasileira

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Breve história do estado de São Paulo


Escrever sobre São Paulo é enfrentar mitos e preconceitos, tanto da produção histórica local – especialmente a de viés conservador, dominante até a metade do século XX – como de outra interpretação, fortemente ideológica, que busca homogeneidade onde há diversidade. Dessa forma, este livro rema contra a corrente, combate o anacronismo histórico e apresenta uma sociedade paulista caracterizada por múltiplos projetos, alguns até antagônicos”. Com essas palavras, o historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos, Marco Antonio Villa, faz a apresentação de seu mais novo trabalho, Breve história do estado de São Paulo, livro editado pela Imprensa Oficial e que será lançado neste sábado (12), às 11h, na Pinacoteca.

Villa apresenta uma visão panorâmica da história do estado, centrando sua análise na evolução da configuração territorial de São Paulo até os tempos atuais. Dividido em 13 capítulos, o livro se inicia com os primeiros colonizadores, passa pela fundação da vila de São Vicente por Martim Afonso de Sousa, em 1532, atravessa o Império, a cultura do café, a mudança para República até a sociedade do novo milênio.

Nas 200 páginas de Breve história do estado de São Paulo, o leitor irá perceber que a trajetória do estado está dividida basicamente em dois períodos: um no qual o caráter provinciano persistiu por mais de três séculos e outro que indica a constante evolução da economia e da sociedade paulistas. “Durante cerca de 350 anos, São Paulo teve pouca relevância na história do Brasil. Os grandes feitos dos paulistas, como a descoberta de metais preciosos, ocorreram em regiões que ficaram fora da configuração geográfica do estado. Foi a expansão do cultivo de café que retirou a província do marasmo secular”, explica o historiador.

Desde então, nestes 160 anos, a história transcorreu em ritmo acelerado, tanto no interior, como na capital, delineando uma sociedade moderna, com desafios políticos, econômicos, sociais e culturais, antecipando os dilemas que estariam presentes no restante do Brasil. Para Villa, São Paulo é “o estado que melhor representa a integração de povos de diversas origens, fazendo com que qualquer tentativa de regionalismo acabe em fracasso. A originalidade de São Paulo foi ser global antes da globalização”.

No prefácio, o diplomata, jurista e professor Rubens Ricupero chancela o pensamento de Marco Antonio Villa: “a hora do planalto paulista custa a soar, mas, uma vez superada a prolongada inércia, a expansão seguirá linha sempre ascendente e irreversível, em contraste com o ocorrido em outras regiões”.

De fato, diferentemente da maioria dos estados brasileiros, cuja economia se caracteriza por ciclos intensos e breves, São Paulo é um caso à parte. “É o que hoje chamaríamos da sustentabilidade do desenvolvimento. Essa continuidade no tempo, a sobrevivência a crises, a flexibilidade de adaptação, a capacidade de substituir produtos declinantes por outros em ascensão ou de passar da agricultura à indústria e desta aos serviços, sem deixar de continuar a ocupar lugar de destaque no antigo setor dominante, são características que principiam a contagiar outras regiões do País”, analisa Ricupero.

Breve história do estado de São Paulo tem a virtude de relatar num único livro diferentes aspectos da sociedade paulista, com fatos históricos e dados estatísticos sobre economia, educação, infraestrutura básica, como habitação e saneamento, além de aspectos relacionados à cultura.

A crise que abalou o mundo em 1929, por exemplo, demonstra a importância de São Paulo para o País. Sem dúvida, foi o estado brasileiro mais afetado, pois era o que estava mais integrado à economia internacional. Estima-se que em 1930 havia 100 mil desempregados na região. Contudo, a produção industrial deu sinais de vitalidade já em 1931 e durante os anos 1930 cresceria a taxas superiores a 10%, em ritmo muito mais intenso que na década anterior. A contribuição das indústrias de São Paulo na produção nacional que, em 1919, era de 32,2%, aumentou para 40,7%, em 1939. Nos setores de bens de capital e de bens de consumo duráveis, a participação, que já era grande, em 1919, com 52,5%, cresceu para 72,4%, em 1939, destacando-se especialmente a indústria mecânica e a de material de transporte. A crise da economia cafeeira, ao invés de conduzir a economia paulista à ruína (como na Amazônia com a decadência da exploração extrativista da borracha), permitiu uma realocação do capital, que mudou de detentores, devido ao dinamismo das relações de produção capitalistas existentes no estado. Isto explica a velocidade da recuperação e a diversificação dos caminhos econômicos durante os anos 1930.

O livro também faz algumas revelações e traz curiosidades sobre a história do estado de São Paulo. Na capital paulista, por exemplo, o primeiro cemitério público, o da Consolação, foi aberto em 1858. Em 1863, o combustível para iluminação das ruas passou a ser o querosene. Em 1867, foi inaugurado o primeiro mercado municipal.

Já os estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco – boa parte deles oriunda de outras províncias – teciam severas críticas à cidade na segunda metade do século XIX. Os nordestinos odiavam o frio – Castro Alves comparou o clima da cidade à Sibéria: “Escrevo-te à noite. Faz frio de morte. Embalde, estou embuçado no capote e esganado no cachenê”. Até o paulistano Álvares de Azevedo não poupou adjetivos. Para ele, a capital era a “cidade dos mortos”, caracterizada pelo “tédio e aborrecimento”, onde a vida era “um bocejar infinito”. O que movimentava a cidade eram os estudantes. Nas férias, no dizer de um viajante, Emílio Zaluar, São Paulo retornava ao “seu estado natural de sonolência”.

Na segunda década do século XX, o futebol já era o esporte mais popular em São Paulo. Dezenas de campos se espalhavam pela capital, especialmente pela Várzea do Carmo, de onde surgiu a expressão “clube de várzea”. Da seleção brasileira de futebol que conquistou o título sul-americano, em 1919, nove, dos onze jogadores titulares, eram paulistas. O maior goleador do futebol brasileiro também era paulistano e símbolo da miscigenação: o mulato Arthur Friedenreich.

Como destacou Rubens Ricupero, estes são apenas alguns dos sugestivos destaques que “o leitor vai encontrar na rica mina de informações que Marco Antonio Villa recolheu e ordenou sob a forma de uma compacta e inédita história da capitania, da província e do estado de São Paulo. Uma obra que convida e estimula a participação do leitor, provocado pelas suas numerosas revelações”.

Serviço
Breve história do estado de São Paulo
Marco Antonio Villa
196 páginas - R$ 60,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial

Post tirado de jornalocal.com.br

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Roupa de Artista - o vestuário na Obra de Arte


Em Roupa de artista, O vestuário na obra de arte , a historiadora da arte Cacilda Teixeira da Costa analisa obras desde o Renascimento aos dias atuais. De elemento complementar, a roupa se tornou, no decorrer do tempo, importante protagonista. A edição faz interface com a História da Arte e com a Moda. Descrições pictóricas, interpretações e apropriações do vestuário estão presentes nos principais movimentos da história da arte por meio da pintura, escultura, desenho, gravura, performance e outras categorias artísticas, como mostra a autora no decorrer do título. Além disso, contrapondo-se à indumentária, a nudez também está presente em alguns exemplos clássicos dessa relação, como em Ticiano, nas Majas de Goya ou em Manet.

Serviço
Roupa de Artista - o vestuário na Obra de Arte
Ccilda Teiceria da Costa
312 páginas - R$ 120,00 (em média)
Editora Edusp / Imprensa Oficial

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Tempos de Cabo


O compositor e zoólogo Paulo Vanzolini ficou conhecido em todo o país por canções como “Volta por cima” e “Ronda”, esta última ainda hoje uma das mais tocadas nas rádios de São Paulo. Um fato pouco conhecido do público, no entanto, é a passagem de Vanzolini como cabo da cavalaria do Exército, entre novembro de 1944 e novembro de 1945.

Vanzolini ficou apenas um ano na função, mas a experiência lhe rendeu boas histórias. Tanto que, em 1981, esse pequeno período da sua vida culminou no livro "Tempos de Cabo", lançado à época pela editora Palavra e Imagem, com ilustrações do pintor Aldemir Martins.

Quase trinta anos depois, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo decide homenagear um dos grandes nomes da música brasileira com a reedição fac-similar de "Tempos de Cabo".

Hoje com 85 anos, Vanzolini conta que escreveu as histórias dentro do próprio quartel, durante o ano em que serviu no Exército, mas o livro só saiu depois que o Aldemir Martins fez as ilustrações. São histórias da boemia na região central de São Paulo, do Bom Retiro, do Bexiga, da malandragem que frequenta os bailes, das brigas, das desilusões amorosas, sempre com o sotaque típico do paulistano da região central.

Em “Baile no Bexiga”, por exemplo, na história que abre o livro, Vanzolini conta: “Um dia eu ia azarado / meio bebido, mamado / querendo procurá briga / pelas ruas do Bexiga. / Quando escutei uma orquestra. / Já botei meu pincenê / e saí procurando a festa. / Não custei nada a encontrá: / era um belo fuzuê, / mas só pra me atrapaiá, / na porta tinha um letreiro: / Entrada 4 cruzeiro.”

Outro bom retrato da boemia paulistana na década de 1940 está em “Quem me viu e quem me vê”, assim narrado por ele: “Quem me viu e quem me vê / há de dizê certamente / que hoje me vê diferente. / Se essa vida é mesmo um circo, / paiaço dela sou eu. / Destino se riu de mim / me deu muler que eu não quero, / muler que eu quero não deu.”

“Tempo de Cabo” será o primeiro de uma série de livros que a Imprensa Oficial irá publicar com obra completa de Paulo Vanzolini, a maioria relacionada às suas expedições científicas. O próximo lançamento é "100 telas, 60 dias & um diário de viagem – Amazonas 1975", resultado de uma dessas expedições a partir do olhar e da criação de José Cláudio da Silva. Vanzolini, que convidou o artista para a viagem, assina a apresentação. O lançamento está marcado para o dia 20 de novembro, às 19 horas, no Museu Afro Brasil.

Na seqüência, serão publicadas as obras "Terra Papagalorum", com ilustrações de Gerda Brentani, e "5 carreiras de cururu". A coleção completa dos diários de suas expedições científicas, "Viagens às profundezas do Brasil", com organização e curadoria de Maria Eugênia Vanzolini e Chica do Val, bióloga que foi assistente de Vanzolini, deve sair em 2010.

Serviço
Tempos de Cabo
Paulo Vanzolini
72 páginas - R$ 30,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Diário de viagem


Em 1975, o artista plástico participou de uma das célebres expedições científicas lideradas pelo zoólogo Paulo Vanzolini. Sua produção é agora reunida em livro, que sai pela Imprensa Oficial do Estado. O lançamento será em 20 de novembro, sexta-feira, juntamente com a exposição de suas 100 telas, no Museu Afro Brasil, em São Paulo.

Uma Amazônia ainda pouco explorada na década de 70, documentada numa centena de pinturas em óleo sobre tela, além de desenhos e anotações, se revela em “100 telas, 60 dias & um diário de viagem – Amazonas 1975”, do pintor José Cláudio da Silva, com texto de apresentação de Paulo Vanzolini, e editada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Ao mesmo tempo em que registra a beleza e a diversidade da fauna e da flora, a tipologia das habitações, a vida das comunidades ribeirinhas, a obra mostra também os bastidores de uma das viagens da Expedição Permanente ao Amazonas, realizadas por equipes chefiadas pelo zoólogo Paulo Vanzolini – também compositor –, conhecido pelo sucesso de suas composições como “Ronda” e “Volta por cima”.

O lançamento será no dia 20 de novembro, às 18 horas, no Museu Afro Brasil, que celebra o Dia da Consciência Negra com a abertura da exposição do artista pernambucano, cujas obras pertencentes ao acervo artístico do Palácio do Governo deixam pela primeira vez o palácio para serem exibidas até 20 de janeiro no museu. Nesse mesmo dia, será inaugurada a primeira exposição brasileira sobre Barack Obama.

A viagem ocorreu em 1975. José Claudio da Silva, então com 43 anos, residia em Olinda e recebeu da vizinha o recado de que havia um telefonema para ele. Era Vanzolini, que lhe perguntava se ainda queria conhecer a Amazônia. “Sim”, o artista lhe respondeu prontamente. “Então pegue a passagem na Varig e nos encontramos em Belém”. Assim, rapidamente, o pintor já estava a bordo do avião. De espírito ágil e extremamente inquieto, como é descrito pelos companheiros de viagem, o pintor tornou a experiência das mais produtivas e especiais. Àquela altura, era já um artista plástico consolidado: a trajetória iniciada nos anos 50, passando por ateliês de mestres como Abelardo da Hora, Carybé e Mario Cravo, lhe rendera prêmios, exposições e viagens internacionais. Aquela ida à Amazônia seria, porém, uma aventura única.

Durante muito tempo, o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) manteve na Amazônia uma “Expedição Permanente”. Tratava-se de 2 barcos, um deles, o “Garbe”, conduzido por outro, o “Lindolpho R. Guimarães”. As viagens eram feitas devagar, explorando as margens e parando demoradamente nas pequenas comunidades ribeirinhas. No conjunto das expedições foram coletadas cerca de 17000 espécies, destinadas ao Museu de Zoologia da USP, dirigido por Vanzolini até sua aposentadoria.

Existia a preocupação de que as mudanças ambientais decorrentes da ocupação humana na Amazônia resultariam na extinção de grande parte da flora e da fauna. Desse modo, a coleta era feita para preservar não apenas a memória do que um dia teria sido aquela região exuberante e rica em diversidade de organismos, mas para estudos que até hoje resultam em trabalhos indispensáveis ao desenvolvimento da ciência. Esse tipo de expedição propiciou um contato bastante íntimo com as populações locais. Para complementar os estudos científicos com uma visão cultural mais ampla, a cada viagem Vanzolini incluía um convidado especial: um intelectual ou artista não-zoólogo escolhido pela argúcia de pensamento e pelo interesse pelo Brasil. Nessa leva, houve historiadores, antropólogos, jornalistas, pintores e intelectuais de várias áreas.

“A escolha de José Cláudio da Silva deveu-se a diversos fatores. Primeiro, pela grande competência profissional. Depois, um temperamento curioso e ágil, disposto a se interessar por tudo que visse no caminho. Eu tinha certeza de que o que ele documentasse durante a viagem ficaria bem documentado. Finalmente, uma grande facilidade no convívio, indispensável em uma viagem em que um grupo pequeno se vê lançado num íntimo e contínuo contato”, explica Vanzolini, na apresentação da obra. Ao líder da expedição, José Cláudio dedicará várias passagens: descreve-o como homem generoso, pesquisador incansável e, ao mesmo tempo, alguém que está sempre a cantarolar alguma canção brasileira.

Durante a viagem, o artista pernambucano pintou uma série de mais de 100 telas que enriquecem hoje o patrimônio do acervo artístico do Palácio do Governo do Estado de São Paulo. Fez, além disso, uma série de desenhos, inúmeros deles expostos na mostra do Museu Afro Brasil. E manteve um diário de viagem, reproduzido em sua íntegra na presente edição, inclusive algumas páginas fac-similares.

No diário, o leitor encontrará descrições como esta: “Travei minha primeira batalha com o Rio Amazonas. Pintei uns cinco quadros. Vi uma árvore formidável, a sumaúma. A casa junto dela parecia um mosquito. Tivemos um vento atravessado e encostamos num barranco. O taifeiro Alonso saltou em terra para amarrar a popa numa árvore. O rio levou a palheta, que escorreu e caiu nágua. Minha oferenda à Iara. Já quase escurecendo entramos no Rio Madeira. É muita água. São rios tão largos que a idéia que se tem é que a proa do barco está dirigida para as margens, como se estivéssemos cercados pelo horizonte de mata. Hoje o menu foi galinha. Já comi tambaqui, matrinxã, tucunaré, carauaçu. O cozinheiro preparou com as cascas do ananá que eu tinha descascado um aluá com açúcar queimado — excelente! Parece que vamos pernoitar em Nova Olinda. De Olinda velha, onde moro, a Olinda Nova. No Rio Madeira, entre as duas Olindas.”

E esta: “Hoje, acho que quatorze de novembro, entrei pela primeira vez numa mata amazônica, aqui em Curuçá onde atracamos ontem ao cair da tarde. Inda deu pra subir o barranco e pintar o pôr-do-sol, que terminei só Deus sabe como, os carapanãs dando ferroadas que pareciam pontas de cigarro, e os próprios moradores do lugar fugiram dos bichos; fiquei sapateando e me sacudindo, o que não adianta muito porque eles colam mesmo e você tem que matá-los: não adianta abanar a mão perto que não saem, e não há intervalo nem de tempo e nem quase de espaço, porque mordem muitos ao mesmo tempo e o tempo todo e em todo lugar que a pele esteja descoberta. Por azar eu estava de calção.”

Serviço
Cem telas, 60 dis e um diário de viagem
José Cláudio da Silva
344 págins - R$ 120,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mapas para entender a sociedade


“Mapas de um mundo” traz aquarelas, rolos e intervenções sobre livros do arquiteto e artista plástico. Com sobreposições de imagem e texto e variação de suportes, os trabalhos são apresentados por comentários de Berta Waldman. O livro será lançado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo na Pinacoteca do Estado no dia 24 de outubro

“A imagem muda em palavra, a palavra em mancha, um texto confunde-se com outro, estabelecem-se diálogos entre texto posto e o sobreposto, além do trânsito de um idioma a outro. Esses sinais de incompletude forçam o movimento que busca significar mais”. A descrição poética de Berta Waldman pretende dar conta do trabalho múltiplo e inquieto de Feres Lourenço Khoury, que lança, pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, “Mapas de um mundo”, no dia 24 de outubro, às 11 horas, na Pinacoteca do Estado. Uma versão em inglês da obra também foi editada.

Neste mesmo dia, a Imprensa Oficial lança “O quadrado amarelo”, livro de ensaios do poeta, ensaísta, memorialista, historiador, diplomata e membro da Academia Brasileira de Letras Alberto da Costa e Silva.

O livro faz uma amostragem de suas obras dos últimos anos, com aquarelas e colagens sobre papel, intervenções em livros e rolos de dez metros de comprimento. Por todos os trabalhos perpassa a sobreposição entre imagens – ora figurativas, ora abstratas – e textos, com ênfase na poesia. Artista plástico, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e da Faculdade de Design de Moda Santa Marcelina, Feres Khoury entrou em 1972 na FAU e no ano seguinte já participava de mostras coletivas expondo suas gravuras. Mestre e doutor em Poéticas Visuais, desenvolve pesquisa na área de Narrativas Visuais, estudando as relações entre imagem e poesia – tema que se traduz em sua produção artística.

“Mapas de um mundo” agrupa as reproduções do trabalho do artista em séries: “Papéis avulsos”, “Livros de Pensar”, “Caderno de todos os dias”, “Cadernos de Poesia” e “Rolos”. No primeiro grupo, a produção do artista de aquarela sobre papel combina imagens abstratas e pictóricas (uma xícara, um pé, uma taça) com textos de Pina Bausch, Fernando Pessoa e Paul Celan, por exemplo. “Traços de linha viva movem-se por si mesmas, atravessando fotografias, fotogramas, versos de poemas, compondo o conjunto por uma diagramação que contém as partes credenciadas em situação de diálogo onde, também, soa a música”, comenta Berta Waldman, cujo texto “’Margens” acompanha, ao longo do livro, a exposição dos trabalhos de Khoury.

Serviço
Mapas de um mundo
Feres Lourenço Khory
184 páginas - R$ 100,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tônia Carrero

Olhos azuis, cachinhos dourados, jeito de princesa. A mãe desde cedo notou: Mariinha não tirava uma foto natural. Em todas, fazia pose. Se desde pequena já seria possível adivinhar a vocação da menina, a feição angelical disfarçava a mulher de fibra, grandes vontades e decidida em que se transformaria algumas décadas depois. Era, desde sempre, "Movida pela paixão", como o título do livro que traça o perfil de Maria Antonietta Portocarrero, ou simplesmente Tônia Carrero, como se tornaria conhecida do grande público. A obra, escrita pela jornalista Tania Carvalho, faz parte da Coleção Aplauso Especial, produzida em grande formato e papel especial, pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. A beleza excepcional, por si só, já lhe podia ter garantido fama.

Mas o talento como atriz, comprovado nas 54 peças, 19 filmes, 15 novelas e 9 programas especiais de TV em que atuou, sempre em papéis marcantes, a partir do final da década de 1940 e incansavelmente até hoje, a levou ainda mais longe: a fez se tornar uma das mais consagradas atrizes brasileiras e, para muita gente, a "grande dama do teatro brasileiro". Além do texto bem costurado de Tania Carvalho, o livro traz depoimentos de amigos e colegas da atriz. E a cada página, fotografias registram sua atuação nos diversos trabalhos.

Serviço
Tônia Carrero - coleção Apausos
Tania Carvalho
276 páginas - R$ 30,00 (em média)
Editora Imprensa Oficial do Estado de São Paulo