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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Vaqueiros e cantadores - Luis da Camara Cascudo


Vaqueiros e Cantadores eram os heróis mais populares de um Nordeste perdido no tempo, quando ainda se vivia como no século XVIII. O sertanejo mandava fazer uma roupa de casimira para durar a vida toda, ser exibida nas festas, no casamento e ser enterrado com ela. As filhas usavam os trajes das mães. Os velhos tomavam banho aos sábados, abençoavam com os dedos unidos e sabiam algumas palavras de latim. O gado se espalhava pelos descampados, reunido nas vaquejadas alegres, celebrado em romances populares, nos quais o grande herói era o boi, rebelde, desafiando o vaqueiro, glorificado pelo povo, o boi Espácio, o boi Surubim.

O sertão vivia de ouvido atento às histórias dos cantadores, quase todos analfabetos, versejando velhos romances, como o da sábia e astuta donzela Teodora, da Princesa Megalona, da Imperatriz Porcina, com as suas figuras clássicas da tradição medieval: cavaleiros andantes, virgens fiéis, paladinos cristãos; os testamentos de Judas em pé-quebrado (espécie de quadra, quase sempre de sete sílabas); os A.B.C., contando a gesta de um touro, um bode, uma onça suçuarana; os pelo-sinais e orações satíricos, todos eles documentados e estudados com insuperável conhecimento por Luís da Câmara Cascudo. Os desafios entre os grandes mestres paralisavam a vida ao redor e ficavam perpetuados na mente do povo. Muitas vezes, os sertanejos se cotizavam para promover esses encontros.

Os cantadores famosos do sertão, cujas biografias Cascudo registra - Inácio da Catingueira, Francisco Romano, Rio Preto, Leandro Gomes de Barros, Francisco das Chagas Batista, tantos outros -, gozavam de imensa popularidade e fixavam em seus versos, como reportagens vivas e palpitantes, a vida do sertão, seus santos e cangaceiros, padre Cícero e Lampião, unidos pela mesma admiração, a admiração que o sertanejo tem pela bondade e pela coragem.

Serviço
Vaqueiros e cantadores
Luis da Camara Cascudo
357 páginas - R$ 55,00 (em média)
Editora Global

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Carta da Terra - Earth Charter Internacional


Após a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro (1992), Maurice Strong (Canadá), Mikhail Gorbachev (Rússia) e o governo da Holanda coordenaram, em 1994, um processo para a criação da Carta da Terra. Lançada em Haia, em 2000, com a ambição de ser um documento da Organização das Nações Unidas, indica os princípios para uma sociedade global justa, equilibrada, sustentável e pacífica.

Com ilustrações de Ellen Pestili, o texto enfoca a importância de certos valores. Os principais são respeitar e cuidar da comunidade, a integridade ecológica, a justiça social, a democracia, a paz e a busca pela construção de um futuro melhor dentro da concepção de que o amanhã encerra tantos grandes perigos como enormes promessas pautadas pela diversidade de culturas e formas de vida.

Serviço:
Carta da Terra
Earth Charter Internacional
Ilustração: Ellen Pestili
36 páginas - R$ 29,00 (em média)
Editora Global

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Casa grande e senzala - Gilberto Freyre


Mesclando a linguagem das ciências sociais com o texto histórico-literário, Gilberto Freyre, atendendo suas próprias expectativas, fez com que este livro - mesmo após setenta anos de sua publicação - se mantivesse vivo, atual, sendo considerado uma das mais importantes obras que retrata o pensamento brasileiro e que continua encantando e seduzindo os leitores. Esta edição traz a apresentação escrita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, além da atualização e revisão das notas bibliográficas e dos índices onomástico e remissivo.

Serviço:
Casa grande e senzala
Gilberto Freyre
768 páginas - R$ 98,00 (em média)
Editora Global

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX - Gilberto Freyre


Em nosso meio acadêmico, muitos são os livros que tratam do passado escravagista brasileiro. Algumas obras ressaltam a violência dos senhores e outras chamam a atenção para as formas de resistência empregadas pelos escravos para a preservação de suas culturas.

No entanto, pode-se dizer que um elemento que une as duas tendências historiográficas é o fato de que estudiosos de ambas as correntes utilizaram para a compreensão da realidade dos escravos africanos no Brasil os anúncios publicados em jornais do século XIX que anunciavam a venda, a compra e a fuga de escravos. Gilberto Freyre foi um dos primeiros intelectuais a alertar para a riqueza desses anúncios como fontes documentais para nos aproximar do universo do cotidiano dos escravos. Dando continuidade à série de publicações do vasto legado do mestre de Apipucos, a Global Editora relança O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX, uma de suas obras mais instigantes.

Gilberto Freyre afirma, no livro, ter reunido em sua pesquisa cerca de dez mil anúncios retirados de jornais do século XIX, como Diário de Pernambuco (Recife), Jornal do Commercio (Rio de Janeiro), entre outros. A partir de tais anúncios, ele flagra com perspicácia as relações que se estabeleceram entre os escravos e seus proprietários. São desnudadas pelo sociólogo as diversas ocupações que os cativos vindos da África exerciam deste lado do Atlântico: desde trabalhadores das lavouras de cana-de-açúcar até barbeiros e cozinheiros pessoais de seus proprietários. Nos anúncios que colocavam escravas à venda, Freyre destaca a preocupação dos textos em vangloriar os atributos físicos das negras.

As marcas nos corpos dos escravos que aparecem nos anúncios são estudadas com minúcia por Freyre. Algumas delas seriam relacionadas à cultura africana a qual pertenciam. Outras, por sua vez, seriam marcas da violência empregada pelos seus senhores. Freyre nos mostra, por meio desses anúncios, o quão eram péssimas as condições de saúde da população escrava. Ele revela que era frequente nos anúncios de escravos fugidos, por exemplo, encontrar indivíduos doentes e com deformidades físicas: “negros de pernas cambaias”, com “pernas tortas pra dentro”, “zambos”, uma infinidade de termos que indicam não só o excesso de trabalho dos cativos, bem como os maus-tratos que recebiam por parte de seus senhores.

Serviço
O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX
Gilberto Freyre
256 páginas - R$ 47,00 (em média)
Editora Global

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Brancos e Negros em São Paulo - Florestan Fernandes


Após a Segunda Guerra Mundial, a Unesco financiou uma série de pesquisas no Brasil a respeito das relações raciais no país. Tal iniciativa tinha como fulcro a crença de que o Brasil representava um cenário singular no tocante às relações raciais, onde os contatos entre brancos e negros tenderiam para a harmonização, visão que teria sido consagrada pelos trabalhos de Gilberto Freyre. A pedido do órgão mundial, foram realizadas pesquisas no Recife, em Salvador, no Rio de Janeiro e em São Paulo, este último um dos espaços que reservaria enorme riqueza de contrastes para o problema a ser enfrentado. A porção paulistana da pesquisa ficou a cargo de Roger Bastide e de seu pupilo Florestan Fernandes e resultaria no livro Relações raciais entre brancos e negros em São Paulo, publicado pela Anhembi, em 1955. Anos mais tarde, o trabalho seria modificado e republicado com o título Brancos e negros em São Paulo, pela Companhia Editora Nacional, em sua célebre Coleção Brasiliana.

Brancos e negros em São Paulo apresenta-se até os dias de hoje como um texto-chave para a compreensão dos meandros que constituíram as formas de discriminação racial no país. O estudo de Bastide e de Fernandes inova ao adotar instrumentos teórico-metodológicos da sociologia crítica para o enfrentamento de uma questão premente do desenvolvimento do país: a inserção do negro na ordem social capitalista brasileira. Representações coletivas sobre o negro, bem como pesquisas de campo a respeito das posições que eles assumiram na sociedade paulistana, são minuciosamente interpretadas pelos dois estudiosos.

No atual estágio acalorado de debates sobre as cotas raciais, onde os argumentos anti-racistas universalista e diferencialista se contrapõem, Brancos e negros em São Paulo reaparece oferecendo uma análise criteriosa e desafiadora a respeito de um dos principais nós históricos da formação brasileira.

Serviço
Brancos e Negros em São Paulo
Florestan Fernandes
304 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Global

A investigação Etnográfica no Brasil e Outros Ensaios


Em A Investigação etnológica no Brasil e outros ensaios, Florestan Fernandes brinda o leitor com momentos decisivos de suas pesquisas sobre a experiência dos indígenas - especialmente dos Tupinambá - no seu conflituoso processo de sobrevivência ao longo da história brasileira. Há que se destacar que o livro traz os interessante textos "Os Tupi e a reação tribal à Conquista" e "Um Balanço Crítico da Contribuição Etnográfica dos Cronistas", nos quais o autor lança mão dos textos de viajantes estrangeiros e de cronistas para flagrar como os Tupi lutaram para firmarem suas organizações tribais.

No primoroso ensaio "Tiago Marques Aipobureu, um Bororo Marginal", Florestan apresenta o caso de Akirio Bororo Keggeu, nascido em 1898 na tribo dos Bororo, no Mato Grosso e que, aos 15 anos, viaja para a Europa, experimentando uma vida sensivelmente diferente daquela vigente em sua comunidade. Florestan expõe as visões que membros da tribo produziram sobre Tiago Marques após seu retorno à sua comunidade, dando grande destaque para as dificuldades por ele enfrentadas para se reintegrar.

O autor tece também reflexões pessoais sobre o estágio da pesquisa etnológica no Brasil. O recado de Florestan era claro: que os estudiosos brasileiros não apagassem suas capacidades inventivas e criadoras na elaboração de suas análises etnológicas.

Serviço
A investigação Etnográfica no Brasil e Outros Ensaios
Florestan Fernandes
320 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Global

O beijo não vem da boca - Ignácio de Loyola Brandão


Depois de quarenta anos de atividade literária, com uma obra que se caracteriza pelo pessimismo e o sarcasmo, Ignácio de Loyola Brandão publicou um inesperado romance de amor com final feliz.

O Beijo Não Vem da Boca aborda, em forma de ficção, sem a pretensão de respondê-la, uma das perguntas mais inquietantes formuladas pelo ser humano, desde o momento em que começou a indagar o porquê da vida e do destino: o significado do amor e a sua influência em nossas vidas.

Ana, sedutora, fascinando a todos que dela se aproximam. Breno, mergulhado numa crise pessoal angustiante, que envolve a sua identidade, a masculinidade, a sexualidade, os conceitos de vida e comportamento. Num balanço de sua vida sentimental, revê amores passados e traça a própria história da sexualidade brasileira nos últimos quarenta anos. Há saída para a sua situação? O que o amor representa em sua vida? O que deseja das mulheres?

Encontros, conflitos, desencontros, uma história de avanços e recuos, em busca do mais procurado de todos os saberes: o saber amar. Expandindo-se e retraindo-se, como o próprio sentimento de amor, a história se desenrola ao longo de três décadas, em cenários diversos: Brasil, Cuba, Dinamarca, Alemanha. Conflitos de cultura, identidades humanas, divergência de opiniões políticas, posições extremas, refletindo um mundo em crise através da redescoberta do amor.

Como uma espécie de símbolo, digamos político, do destino das nações, há um momento, dos mais intensos do livro, em que brasileiros e alemães se reúnem em Berlim, para uma feijoada, alegres, despreocupados, sem desconfiarem que estão vivendo os últimos anos de um mundo dividido em dois grandes blocos.

A presente edição de O Beijo Não Vem da Boca foi inteiramente revista e expurgada, tornando-se mais enxuta e atraente. É como um novo beijo.

Serviço
O beijo não vem da boca
Ignácio de Loyola Brandão
376 páginas - R$ 35,00 (em média)
Editora Global

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Capitalismo Dependente - Florestan Fernandes


A obra 'Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina' faz uma análise da posição da América Latina no 'jogo' do sistema capitalista. O livro apresenta três ensaios escritos entre o final dos anos 1960 e o início da década seguinte que formam uma reflexão crítica em relação ao tipo de capitalismo que se formou na região e sua estrutura marcada pelos desígnios das elites financeiras dos Estados Unidos e da Europa. Florestan Fernandes recua no tempo e mostra os primeiros passos da dominação externa exercida sobre a América Latina, recupera momentos do colonialismo e estende-se à situação histórica da região no século XX.

Serviço
Capitalismo Dependente
Florestan Fernandes
152 páginas - R$ 25,00 (em média)
Editora Global

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Coisas que o povo diz


Neste livro, estão reunidas pesquisas e notas sobre cultura popular. Segundo o autor, algumas pequenas que resumem as conclusões dispensáveis e longas, e pesquisas um pouco maiores para as considerações necessárias à valorização do assunto propriamente dito.

Serviço
Coisas que o povo diz
Luis Câmara Cascudo
160 págians - R$ 35,00 (em média)
Editora Global