terça-feira, 2 de março de 2010

A voz dos Botequins - Paul Verlaine


É uma reedição, pela editora Hedra, do conteúdo da obra originalmente denominada Paralelamente a Paul Verlaine, (1944). O livro conta com introdução do poeta Marcelo Tápia, diretor do Museu Casa Guilherme de Almeida.

Essa aguardada reedição das traduções de poemas de Paul Verlaine, realizadas por Guilherme de Almeida, será lançada durante o recital de final de ano do Museu Casa Guilherme de Almeida, dia 19 de dezembro, sábado, a partir das 19h30, na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.

RECITAL: PAUL GUILHERME VERLAINE DE ALMEIDA – Poemas que celebram a vida, o amor e a cidade, apresentados por convidados e alunos dos cursos promovidos pelo Centro de Estudo e Tradução Literária da Casa Guilherme de Almeida. O recital terá como atração principal os poemas e as traduções de Guilherme, além de parcerias musicais do Poeta. Na abertura, serão apresentados poemas do escritor Mafra Carbonieri, lidos em português pelo autor, e em italiano pela tradutora Aurora Fornoni Bernardini, que os traduziu.

LE BRUIT DES CABARETS ( PAUL VERLAINE )

Le bruit des cabarets, la fange des trottoirs,
Les platanes déchus s´effeuillant dans l´air noir,
L´omnibus, ouragan de ferraille et de boues,
Qui grince, mal assis entre ses quatre roues,
Et roule ses yeux verts et rouges lentement,
Les ouvriers allant au club tout en fumant
Leur brûle-gueule au nez des agents de police,
Toits qui dégouttent, murs suintants, pavé qui glisse,
Bitume défoncé, ruisseaux comblant l´égout,
Voilà ma route – avec le paradis au bout.

A VOZ DOS BOTEQUINS ( Tradução de GUILHERME DE ALMEIDA )

A voz dos botequins, a lama das sarjetas,
Os plátanos largando no ar as folhas pretas,
O ônibus, furacão de ferragens e lodo,
Que entre as rodas se empina e desengonça todo,
Lentamente o olhar verde e vermelho rodando,
Operários que vão para o grêmio fumando
Cachimbo sob o olhar de agentes de polícia,
Paredes e beirais transpirando imundícia,
A enxurrada entupindo o esgoto, o asfalto liso,
Eis meu caminho – mas no fim há um paraíso.

Serviço
A voz dos Botequins
Paul Verlaine
106 páginas - R$ 15,00 (em média)
Editora Hedra

A vida literária no Brasil - 1900 - Brito Broca


Publicado originalmente em 1956, A vida literária no Brasil - 1900 tornou-se parte de uma bibliografia fundamental para qualquer estudioso e admirador da literatura nacional. O jornalista Brito Broca realizou um trabalho sem precedentes ao compilar e analisar os principais fatos - tanto artísticos quanto sociais - que marcaram o mundo das letras durante a belle époque brasileira, período compreendido entre os últimos anos do século XIX e o término da Primeira Guerra Mundial.A primeira edição do livro se esgotou rapidamente, sendo que a segunda (1960) seguiu pelo mesmo caminho. Durante mais de quatro décadas, A vida literária no Brasil - 1900 esteve fora de catálogo e se transformou em uma raridade disputada por bibliófilos de todo o país. Agora, finalmente, a obra ganha uma novíssima edição pela José Olympio.

No Brasil, o "1900" caracterizou-se principalmente pela fase de remodelação do Rio de Janeiro. Na tentativa de dar à cidade um aspecto parisiense, o prefeito Pereira Passos iniciou um período de obras que ficou conhecido como "Bota-abaixo". Junto com as ruas da então capital do país, mudava também a literatura brasileira. A Academia Brasileira de Letras foi fundada, a Biblioteca Nacional reabriu em um novo prédio na Avenida Central (atual Rio Branco) e a classe artística começou a se aburguesar.
A vida literária no Brasil - 1900 é uma longa crônica na qual Brito Broca esmiúça um dos mais importantes e férteis períodos da nossa literatura através de detalhes cotidianos e relacionamentos interpessoais.

Em seu texto simples e corrente, o autor não deixa faltar nenhum detalhe: descreve as associações culturais e artísticas, as inimizades, a nem sempre bem-sucedida combinação entre literatura e política, a consolidação do mercado editorial, a especialização da imprensa, os escândalos, o dia-a-dia boêmio. Além de lembrar dos grandes escritores daquela época (Machado de Assis, Euclides da Cunha, Graça Aranha, Capistrano de Abreu, Augusto dos Anjos, Lima Barreto, João do Rio), Broca também abre espaço para aquelas figuras que, mesmo não tendo lançado uma só obra digna de lembrança, foram criadoras de todo um anedotário que entrou para a história da vida literária.

A intenção original de Brito Broca era redigir uma série de quatro livros autônomos contendo crônicas sobre a vida literáriano Brasil, sendo que este consistiria no terceiro volume. O período Colonial e o Romantismo seriam os temas abordados no primeiro; a época do Naturalismo, no segundo; a fase Modernista, no quarto. Tais projetos, entretanto, foram abordados com a repentina morte do autor em 1961. A vida literária no Brasil - 1900, como filho único, fez valer todos os esforços de Broca: é um magnífico estudo sobre as relações entre literatura e sociedade.

Serviço
A vida literária no Brasil - 1900
Brito Broca
336 páginas - R$ 47,90 (em média)
Editora José Olympio

Elza Soares - Cantando para não esquecer - José Louzeiro


A trajetória de uma das maiores musas da música popular brasileira.Ela acaba de receber o prêmio de personalidade representante da raça negra. Sua carreira remonta mais de 40 anos, dos quais viveu 16 ao lado de Garrincha. “Se acaso você chegasse”, seu primeiro sucesso, já evidenciava a voz rouca e vibrante da cantora.Elza Soares – Cantando para não enlouquecer, de José Louzeiro apresenta a trajetória da rainha do drible vocal que teve uma vida marcada por seu estilo exagerado de ser.

Serviço
Elza Soares - Cantando para não esquecer
José Louzeiro
384 páginas - R$ 39,90 (em média)
Editora Planeta

Raposa Serra do Sol - Aldo Rebelo - Editora Thesaurus

O presente trabalho reúne artigos e entrevistas publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela revista Interesse Nacional, e dois breves ensaios inéditos. O índio no imaginário nacional abre a sequência de textos apresentando uma visão otimista da presença indígena na formação social brasileira, em contraponto a uma interpretação derrotista e diminuidora do papel civilizatório de nossos mais antigos ancestrais.

Advogo a ideia do índio protagonista – um protagonismo sofrido e injustiçado, é verdade – em lugar do índio vítima, inerme, física e culturalmente submetido ao colonizador. Evoco as figuras de Ajuricaba, Cunhambebe, Aimberê, Tibiriçá, Poti, Maria Arcoverde, Bartira, Clara Camarão, para destacar a presença viril de homens e mulheres que engrandeceram a história indígena e do povo brasileiro. Indico a influência do índio em nossa cultura, psicologia, culinária e idioma como algo que nos fez mais adaptados para a aventura humana de viver em paz e em cooperação.

O índio e a questão nacional, o último pequeno ensaio, é quase uma advertência sobre os riscos de perdemos essa preciosa herança – a ideia de um povo único, resultado da contribuição indígena, africana e europeia – como consequência das pretensões e ambições de povos materialmente mais desenvolvidos, embora espiritualmente mais primitivos, com suas organizações não governamentais e sua visão depressiva sobre o destino da humanidade.

Os artigos para O Estado de S. Paulo e para a revista Interesse Nacional foram escritos em meio à polêmica em torno da demarcação da terra indígena Raposa-Serra do Sol. Em todos eles procurei depositar a mais profunda gratidão e o mais elevado respeito aos índios, ao povo brasileiro e ao Brasil.

Por fim, esclareço ao leitor que a presença ou não do ingênuo hífen em Raposa-Serra do Sol indica visões distintas sobre a área demarcada. Grafar com hífen, como faço, é também uma denúncia de que Raposa e Serra do Sol são áreas geograficamente distintas, habitadas por tribos e populações igualmente distintas.

Serviço
Raposa-Serra do Sol
Aldo Rebelo
128 páginas - R$ 30,00 (em média)
Editora Thesaurus

segunda-feira, 1 de março de 2010

Contos Mais que Mínimos - Heloisa Seixas



Em tempos de Twitter, em que se tem um espaço de até 140 caracteres para escrever, esses Contos mais que mínimos caem como uma luva para quem ainda pensa que tamanho é documento.

Heloisa Seixas, autora que com grande performance literária transita por romance, conto, crônica e relato, apresenta esses pequenos, mas nem um pouco superficiais, Contos mais que mínimos.

Serviço
Contos Mais que Mínimos
Heloisa Seixas
96 páginas - R$ 23,00 (em média)
Editora Tinta Negra

Uma Esposa Confiável - Robert Goolrick


Outubro de 1907. São quatro horas da tarde e, na pequena cidade no interior de Wisconsin, já está quase escuro. A neve cobre tudo na estação ferroviária, o frio e o vento são implacáveis. Na plataforma, Ralph Truitt, 54 anos, o homem mais poderoso da cidade, espera o trem vindo de Chicago. No seu bolso há uma carta e a foto de uma mulher simples que ele não conhece, mas que aguarda ansiosamente. Tempos antes, colocou um anúncio num jornal à procura de uma 'esposa confiável'. Agora, tenso, conta os minutos para sua chegada e sabe que os olhos da cidade estão sobre ele. Mas a mulher que desembarca do vagão não é a mesma da foto. É deslumbrante, ao contrário daquele retrato apagado, e seus planos são muito diferentes de ser apenas uma 'esposa confiável'. Catherine carrega consigo um antigo desejo de vingança, e todas as dores do passado de Ralph, soterradas durante seus anos de remorso e solidão, virão mais uma vez à tona. O que nenhum deles espera, no entanto, é que forças do desejo e do amor mudarão seus planos traçados com tanto cuidado.

Serviço
Uma Esposa Confiável
Robert Goolrick
Tradução: Cristina Cupertino
280 páginas - R$ 45,00 (em média)
Editora Alfaguara

Amazônia de Euclides - Daniel Piza

Em 'Amazônia de Euclides', o jornalista Daniel Piza refaz a viagem realizada por Euclides da Cunha (1866-1909) no ano de 1905 - quando foi designado para liderar a comitiva mista brasileiro-peruana de reconhecimento do Alto Purus - e faz uma leitura comparativa da época com a realidade do local no século XXI. Além de realizar um levantamento daquele rio, Euclides também fez uma análise histórica, social e geográfica do extremo oeste da Amazônia. 'Amazônia de Euclides' conta também com os ensaios amazônicos, compostos por três artigos escritos por Euclides da Cunha e publicados, no ano de 1904, pelo jornal O Estado de São Paulo. Neles ('Conflito Inevitável', 'Contra os Caucheiros' e 'Entre o Madeira e o Javari'), o escritor fundamenta a urgência e a importância da expedição à fronteira com o Peru.

Serviço
Amazônia de Euclides
Daniel Piza
192 páginas - R$ 40,00 (em média)
Editora Leya