quarta-feira, 14 de abril de 2010

Azul e Dura - Beatriz Bracher


Romance explosivo, de enfrentamento existencial, escrito numa linguagem vertiginosa e seca, ao mesmo tempo lírica e cortante, Azul e dura, publicado pela primeira vez em 2002, foi a estreia literária de Beatriz Bracher e abriu as portas para a sua produção posterior, que inclui os premiados Antonio (romance, 2007) e Meu amor (contos, 2009). No centro dessa narrativa encontra-se Mariana, uma mulher de quarenta e dois anos, filha da alta burguesia paulistana e residindo no Rio, que distraidamente atropela e mata uma garota do seu bairro. Alguns anos depois, numa estação de esqui na Suíça, ela tenta entender, por meio de uma narrativa baseada em velhas anotações, o contexto do acidente e a crise moral que ele desencadeou, bem como o fim de seu casamento com um bem-sucedido advogado.

Drama íntimo por excelência, Azul e dura é também a luta de uma mulher angustiada para romper com sua classe social, seus valores perversos e a hipocrisia que os sustenta. Com isso, temas mais amplos, como o patriarcalismo, são colocados lado a lado a outros, como as traições do marido e o quase alcoolismo da narradora. Milton Ohata, que assina o texto de orelha desta segunda edição, observa ainda que "Azul e dura parece pressupor 1964 como o ponto de inflexão histórica do Brasil contemporâneo. Muito da deriva de suas personagens terá a ver com esse fato. Embora limpa de autocomiseração, Mariana não chega a articular uma acusação do ambiente em que foi criada. A fragilidade da personagem é acolhida pela consciência da fragilidade do ato de narrar. Dessas duas fragilidades resulta a força discreta da prosa de Beatriz Bracher".

Serviço
Azul e Dura
Beatriz Bracher
168 páginas - R$ 27,00 (em média)
editora 34

Alemanha 1945 - Richard Bessel


No começo de 1945, a Alemanha viveu uma onda de violência talvez sem precedentes na história da Europa: bombardeios incessantes, cidades e símbolos destruídos, colapso econômico, desintegração social, deslocamentos em massa, violência sexual. Só no mês de janeiro, cerca de 1 milhão de pessoas morreram, e outras centenas de milhares deram início a marchas penosas para fugir do inimigo que comprimia o Reich a partir de todos os fronts, numa diáspora que para muitos seria irreversível. Esse panorama aterrador é o ponto de partida do livro do historiador inglês Richard Bessel, que examina, com o suporte de impressionante repertório de fontes, a derrota total da Alemanha nazista e o despertar do povo alemão após a tragédia.

Embora essa transição traumática do nazismo ao pacifismo germânico da segunda metade do século XX seja fundamental para entender a formação da nova ordem na Europa ocidental - caracterizada pelo desenvolvimento social e econômico e relativa paz no continente -, o período tem sido muito pouco estudado. A perplexidade ante o recrudescimento do militarismo alemão rumo à insanidade e à barbárie, a ânsia por compreender - ou explicar - o tortuoso caminho dessa terra da qual brotaram tanto luminares da arte, literatura e filosofia quanto arquitetos de campanhas brutais de perseguição étnica têm seduzido, por razões óbvias, os historiadores. Mas também é importante dar atenção ao outro lado da história, e examinar como os alemães saíram das trevas e construíram uma nova nação cujos pragmatismo político e postura pacifista contribuíram para a proeminência econômica do país entre as potências europeias. Os relatos aqui constantes da violência brutal, da fome, do deslocamento e da destruição no ano de 1945 pretendem contribuir para a historiografia dessa "hora zero", mostrando como o trauma do fim da guerra incutiu nos alemães, além do horror a qualquer conflito, a ideia de que eles também eram vítimas - tanto dos crimes nazistas quanto das cruéis forças de ocupação -, percepção essa que permitiu a um só tempo a redenção do passado e da culpa, o fim do nacionalismo e uma visão pragmática da vida.

Serviço
Alemanha 1945
Richard Bessel
Tradução: Berilo Vargas
448 págians - R$ 55,00 (em média)
Editora Companhia das Letras

Correspondência - Goethe e Schiller


Correspondência reúne 136 cartas trocadas entre Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 1749 – Weimar, 1832) e Johann Christoph Friedrich von Schiller (Marbach am Neckar, 1759 – Weimar, 1805) de 1794 a 1803, além de um ensaio escrito em colaboração pelos dois autores, “Sobre literatura épica e dramática”. Nestas cartas, está registrada a convivência entre dois escritores seminais da literatura moderna, cada um atuando para o outro como um tipo muito raro de interlocutor. Os anos que a correspondência recobre são os mesmos que veem surgir ou em que são formuladas obras fundamentais, como o Fausto, Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister e a Teoria da cores, de Goethe, e Poesia ingênua e sentimental e Wallenstein, de Schiller. Além das obras particulares, esta seleção de cartas inclui debates importantes sobre Aristóteles, sobre os gêneros épico e dramático e sobre a proeminência do drama em relação à lírica. Também aparecem cenas mais circunstanciais da vida literária, como as polêmicas ou os encontros, que incluem escritores como Madame de Stäel e Hölderlin.

Serviço
Correspondência - Goethe e Schiller
Johann Wolfgang von Goethe e Johann Friedricha von Schiller
Tradução: claudia Cavalcanti
248 páginas - R$ 24,00 (em média)
Editora Hedra

A Assombrosa viagem de Pompônio Flato - Eduardo Mendonza


No século I, Pompônio Flato viaja pelos confins do Império Romano, encontra águas de efeitos poderosos e vai parar em Nazaré, onde está para ser executado o carpinteiro do povoado, condenado pelo assassinato de um rico cidadão. Contra sua vontade, Pompônio se vê envolvido na solução do crime, contratado pelo mais extraordinário dos clientes: o filho do carpinteiro.

Mistura de romance histórico com paródia, A assombrosa viagem de Pompônio Flato é um livro inusitado cuja trama original e irônica compõe uma sátira literária e uma criação ficcional hilariante de vitalidade inesgotável.

Serviço
A Assombrosa viagem de Pompônio Flato
Eduardo Mendonza
Tradução: Luís Reyes Gil
208 páginas - R$ 46 (em média)
Planeta do Brasil

terça-feira, 13 de abril de 2010

Léxico Familiar - Natalia Ginzburg


O romance narra a infância e juventude da escritora, dramaturga, ensaísta e ativista política italiana Natalia Ginzburg (1916-1991). As memórias de sua convivência em uma família burguesa, letrada e judia, em meio ao fascismo e à Segunda Guerra Mundial, são narradas em estilo minimalista. Caçula de cinco irmãos, a menina recria o passado lembrando das frases repetidas em família.

Serviço
Léxico Familiar
Natalia Ginzburg
Tradução: Homero de Freitas Andrade
240 páginas - R$ 59,00 (em média)
Editora Cosac Naify

O Livro da Nina para Guardar Pequenas Coisas - Keith Haring


Além de incentivar a criatividade e o imaginário, O Livro da Nina para Guardar Pequenas Coisas nasceu a partir de uma história de afeto entre o artista plástico norte-americano Keith Haring (1958-90) e Nina, filha do pintor italiano Francesco Clemente. Em seu aniversário de sete anos, a menina recebeu de Haring um livro inteiramente personalizado.

Na mesma linha de Rabiscos (2009), de Taro Gomi, O livro da Nina é um objeto pessoal para desenhar, pintar, colar adesivos, folhas, fotos dos amigos, lembranças de um dia no circo e até pensamentos – desde que sejam pequenas coisas. Publicado agora em fac-símile, a edição brasileira conta, ainda, com um depoimento exclusivo da própria Nina Clemente, 22 anos após ter ganhado o presente.

As criações de Keith Haring marcaram as artes gráficas dos anos 1980. Seu traço se popularizou pelo mundo todo e é admirado até hoje por artistas da nova geração, como Osgemeos. Veio cinco vezes ao Brasil, uma delas para participar da Bienal de Arte de 1983.

Serviço
O Livro da Nina para Guardar Pequenas Coisas
Keith Haring
Ilustração: Alípio Correia da Franca Neto
72 páginas - R$ 49 (em média)
Editora Cosac Naify

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Réquiem para o Navegador Solitário - Luís Cardoso



Na obra 'Requiem para o Navegador Solitário' o autor traz como destaque - O Timor-Leste, pequena ilha do Pacífico repleta de conflitos étnicos e políticos, e Catarina, uma jovem inocente que traz na mala, além da roupa, um exemplar de 'À la Porsuite du Soleil', relato de viagem de circum-navegação do autor Alain Gerbault. Porém ela ainda traz algo mais - o sonho de viver uma grande história de amor.

De um lado, o Timor-Leste, dominado pelos portugueses em 1512, e que três dias após sua independência, em 1975, foi invadido pela Indonésia; de outro, Catarina, que se dedica à recuperação da fazenda Sacromonte enquanto aguarda, na varanda atapetada de buganvílias de sua casa, a chegada do navegador solitário.

Réquiem para o Navegador Solitário sai pela editora Língua Geral, dentro da coleção Ponta de Lança, que apresenta autores lusófonos desconhecidos do público brasileiro -embora apenas um quinto dos timorenses falem português, a nossa língua é o idioma oficial por lá.

O livro saiu em 2007 em Portugal, país onde Luís Cardoso vive desde 1975 e já foi traduzido para vários idiomas, como inglês, alemão, holandês e francês.

Serviço
Réquiem para o Navegador Solitário
Luís Cardoso
303 páginas - R$ 40,00 (em média)
Editora Língua Geral